Volume bruto de energia injetada alcançou 19.941 GWh no 4T25, alta de 5,7% na comparação anual, com destaque para Goiás, Piauí e Maranhão
A Equatorial Energia encerrou o quarto trimestre de 2025 com avanço consistente nos principais indicadores operacionais de distribuição, refletindo tanto o aumento do consumo quanto a expansão da geração distribuída em suas áreas de concessão. O volume total de energia injetada bruta atingiu 19.941 GWh no período, crescimento de 5,7% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, segundo dados divulgados no release operacional da companhia.
O desempenho foi influenciado por temperaturas acima da média histórica em grande parte do país, especialmente nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul, além da maior participação da micro e minigeração distribuída (MMGD) no sistema. O crescimento da base de consumidores, que chegou a 14,7 milhões de unidades, também contribuiu para o resultado.
Calor e seca impulsionam consumo
Na visão consolidada das concessões, a Equatorial aponta que o aumento da energia injetada foi puxado principalmente pelas classes residencial, rural e industrial, em um contexto de precipitação abaixo da média histórica em seis das sete distribuidoras do grupo.
O Mercado Fio B, que representa o volume de energia que gera receita para as distribuidoras, avançou 4,0% no trimestre, com destaque para Goiás (+6,7%), Piauí (+6,1%), Maranhão (+4,8%) e Pará (+4,2%).
Em Goiás, a companhia atribui o desempenho a temperaturas cerca de 2°C acima da média histórica, o que elevou o consumo residencial, além da seca mais intensa, que aumentou a demanda por irrigação no meio rural. No Maranhão, o calor e o regime hídrico desfavorável impulsionaram o consumo médio das residências, enquanto no Piauí e em Alagoas o crescimento foi mais equilibrado entre as classes residencial, industrial e comercial.
Geração distribuída ganha peso no sistema
Um dos vetores mais relevantes do crescimento operacional foi a geração distribuída. No consolidado do grupo, a energia injetada por MMGD saltou de 1.654 GWh no 4T24 para 2.468 GWh no 4T25, um avanço de aproximadamente 49%.
Em alguns estados, a participação da geração distribuída já representa parcela significativa do volume total injetado. No Piauí, por exemplo, a MMGD correspondeu a 16,1% da energia injetada bruta no trimestre. Em Goiás, esse percentual chegou a 16,6%, enquanto em Alagoas foi de 15,8% e no Maranhão, 9,6%.
O movimento reforça a tendência estrutural de descentralização da matriz elétrica no país, com impactos diretos sobre o planejamento das distribuidoras, tanto do ponto de vista técnico quanto regulatório.
Sul cresce em energia injetada, mas recua em faturamento
No Rio Grande do Sul, a energia injetada bruta cresceu 4,6% entre os trimestres, influenciada pelas temperaturas elevadas registradas em dezembro de 2025, com desvio de aproximadamente 3°C acima da média histórica.
Apesar disso, o Mercado Fio B apresentou retração de 1,7%, explicada pela companhia como um descolamento temporal entre a energia injetada e o faturamento dos consumidores de média e alta tensão, um efeito típico em determinados ciclos de consumo industrial.
Redução de perdas e avanço regulatório
Outro destaque do período foi a redução das perdas na distribuição. No acumulado de 12 meses, as perdas consolidadas ficaram em 18,1%, uma queda de 0,2 ponto percentual em relação ao 4T24 e 2,0 pontos percentuais abaixo do nível regulatório consolidado.
Quatro distribuidoras do grupo, Piauí, Alagoas, Goiás e Amapá, operaram abaixo do limite regulatório de perdas, o que sinaliza ganhos de eficiência operacional e impacto positivo sobre os resultados financeiros da companhia.
A Equatorial também passou a adotar, a partir deste trimestre, os critérios de perdas definidos na Consulta Pública 09/2024 da Aneel, que considera o mercado medido como referência para o cálculo, alinhando a metodologia à nova regulação setorial.
Pressão sobre renováveis e efeitos do curtailment
No segmento de geração renovável, o portfólio consolidado da Equatorial apresentou queda de 11,2% na produção no trimestre, impactado pelo aumento expressivo dos efeitos de constrained-off, que cresceram 99,3% na comparação anual.
Os cortes foram concentrados em usinas solares, por excesso de oferta energética, e em complexos eólicos, por restrições de confiabilidade do sistema. Excluindo o efeito do curtailment, a geração renovável teria apresentado crescimento de 4,7%, indicando melhora no recurso eólico no período.
O dado reforça a preocupação crescente do setor com a integração das fontes renováveis variáveis ao Sistema Interligado Nacional e a necessidade de investimentos em transmissão, armazenamento e mecanismos de flexibilização operativa.



