Nova rodada de editais do Programa Mais Inovação prioriza setores estratégicos da Nova Indústria Brasil, com R$ 500 milhões reservados para a agenda energética
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciaram uma nova rodada de investimentos públicos voltados à inovação tecnológica e à reindustrialização do país. Ao todo, serão disponibilizados R$ 3,3 bilhões em recursos não reembolsáveis, por meio de 13 editais de subvenção econômica, no âmbito dos Programas Estruturantes e Mobilizadores do MCTI, vinculados ao Programa Mais Inovação.
A iniciativa integra a estratégia da Nova Indústria Brasil (NIB) e tem como foco acelerar projetos de elevado grau de inovação, com risco tecnológico relevante e impacto econômico-social, em áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento nacional. Entre os setores contemplados estão cadeias agroindustriais, saúde, infraestrutura, transformação digital, transição energética e defesa nacional, reforçando o papel da política industrial como instrumento de competitividade, soberania tecnológica e geração de empregos.
Transição energética lidera volume de recursos
Dentro da distribuição dos recursos, o setor de Transição Energética receberá o maior montante individual: R$ 500 milhões, consolidando-se como uma das principais apostas do governo federal para impulsionar tecnologias ligadas à descarbonização, eficiência energética, armazenamento, hidrogênio, baterias e fontes renováveis.
Outros setores estratégicos também receberão aportes relevantes. Cadeias Agroindustriais, Saúde, Tecnologias Digitais, Base Industrial de Defesa e a Chamada Regional contarão com R$ 300 milhões cada. A área de Transformação Mineral terá R$ 200 milhões, enquanto Economia Circular e Cidades Sustentáveis somarão R$ 150 milhões, Mobilidade Sustentável R$ 120 milhões e Semicondutores R$ 100 milhões. O eixo de Desafios Tecnológicos terá R$ 210 milhões, incluindo editais específicos para o desenvolvimento de um trator para agricultura familiar e para o Eletrolisador Nacional, equipamento considerado estratégico para a cadeia do hidrogênio verde.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, avalia que a nova rodada de subvenção econômica consolida a inovação como eixo estruturante da política industrial brasileira. “Este governo tem um compromisso inegociável com a inovação, com a igualdade de oportunidades entre as diferentes realidades do nosso Brasil continental, com o fortalecimento da indústria nacional e com a soberania que eleva o país a patamares superiores frente ao mundo. Temos a vocação de impulsionar a produção nacional e seguiremos essa receita que tem gerado frutos substanciais para o desenvolvimento da nossa capacidade produtiva e tecnológica”, afirma.
Foco em risco tecnológico e impacto econômico-social
As chamadas públicas foram desenhadas para apoiar projetos de alto risco tecnológico, com potencial de gerar soluções inéditas ou disruptivas, especialmente em áreas como inteligência artificial, fertilizantes, insumos farmacêuticos, minerais críticos, baterias, transição energética e digitalização industrial.
O público-alvo são empresas brasileiras de todos os portes, que poderão utilizar os recursos para custear despesas com pessoal, serviços de consultoria, aquisição de equipamentos, materiais de consumo e atividades diretamente relacionadas ao desenvolvimento tecnológico. A lógica da subvenção econômica, em que não há necessidade de reembolso, busca justamente reduzir as barreiras financeiras associadas à inovação de fronteira.
Parcerias com ICTs e inovação em rede
Um dos pilares estruturantes da nova rodada é a exigência de parcerias com Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) para submissão de propostas. Além disso, projetos apresentados em rede, envolvendo pelo menos duas empresas e uma ICT, terão condições diferenciadas de contrapartida, como forma de estimular a cooperação entre os atores do Sistema Nacional de Inovação.
A estratégia pretende fortalecer a transferência de tecnologia, ampliar a difusão do conhecimento e impulsionar o desenvolvimento regional, conectando universidades, centros de pesquisa e empresas privadas em torno de agendas tecnológicas comuns.
Na avaliação do presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, o desenho da política pública busca atacar gargalos estruturais da indústria brasileira. “O propósito desta rodada de oferta de recursos de subvenção econômica às empresas é contribuir para fomentar a inovação, reduzir assimetrias regionais, promover a transferência de tecnologia e fortalecer a competitividade nacional, de forma que a política pública da NIB alcance os resultados esperados”, diz.
Capital humano e atração de pesquisadores
Além dos editais voltados às empresas, a Finep anunciou que, ainda no primeiro trimestre de 2026, lançará uma nova edição da seleção pública Conhecimento Brasil, com foco não apenas na repatriação, mas também na fixação e atração de pesquisadores de excelência.
O novo edital contará com R$ 500 milhões, destinados a projetos que fortaleçam a base científica nacional e ampliem a capacidade do país em gerar conhecimento estratégico, sobretudo em áreas críticas para a soberania tecnológica.
Resultados do ciclo anterior
No ciclo 2024/2025, MCTI e Finep já haviam lançado 13 editais semelhantes, com R$ 2,5 bilhões em subvenção econômica. De acordo com a agência, mais de 200 projetos foram contratados, envolvendo cerca de 400 empresas, 2.800 pesquisadores e 140 ICTs em todo o país.
Segundo Luiz Antônio Elias, os resultados já indicam impactos concretos na dinâmica da inovação nacional. “Foram mais de 200 projetos contratados em todo o país, que estão gerando soluções promissoras que fortalecem a competitividade nacional e aceleram a transformação tecnológica”, afirma.
Com a nova rodada de R$ 3,3 bilhões, o governo amplia a escala da política de subvenção e reforça o papel da transição energética como um dos vetores centrais da reindustrialização brasileira, alinhando inovação tecnológica, sustentabilidade e estratégia de longo prazo para o setor produtivo.



