Vaisala lança Origo para reduzir desperdício energético em data centers e evitar perdas bilionárias

Nova plataforma modular de medição promete aumentar a eficiência do resfriamento e pode evitar até US$ 805 milhões por ano em custos desnecessários de energia

A crescente digitalização da economia e a expansão acelerada de aplicações intensivas em processamento, como inteligência artificial, vêm pressionando a infraestrutura energética global. Nesse contexto, a eficiência dos data centers tornou-se um dos principais desafios do setor elétrico, tanto do ponto de vista operacional quanto ambiental. Atenta a esse cenário, a Vaisala, líder global em tecnologia de medição ambiental, apresentou nesta terça-feira (4) a plataforma Origo, uma nova solução voltada à redução do desperdício energético e à otimização dos sistemas de resfriamento em centros de dados.

A proposta da empresa é atacar um dos pontos mais sensíveis da operação desses ambientes: a precisão das medições de temperatura e umidade, variáveis que determinam diretamente o consumo de energia dos sistemas de climatização, responsáveis por uma fatia relevante do gasto total dos data centers.

O impacto de “meio grau” na conta de energia

Embora pareça marginal, um erro de apenas 0,5 °C na medição de temperatura pode gerar impactos econômicos expressivos quando replicado em escala industrial. Em um data center de médio a grande porte, com capacidade de 10 MW, esse desvio pode resultar em mais de US$ 800 mil por ano em energia de resfriamento desperdiçada.

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O engenheiro eletricista e gerente de vendas da Vaisala na América do Sul, Egídio Ferraz, chama atenção para o efeito cumulativo desse tipo de imprecisão. “Um sensor de temperatura com erro de apenas 0,5 °C pode parecer trivial, mas, por exemplo, em um data center de 10 MW – instalação de infraestrutura de TI de porte médio a grande –, esse pequeno erro pode custar mais de US$ 800.000 em energia de resfriamento desperdiçada”.

Segundo estimativas da companhia, considerando os cerca de 12 mil data centers existentes no mundo e o fato de aproximadamente 80% ainda dependerem majoritariamente do resfriamento a ar, a correção desse “meio grau” poderia evitar até US$ 805 milhões por ano em desperdícios energéticos. Em um horizonte de dez anos, a economia potencial ultrapassaria US$ 8 bilhões.

Eficiência energética e sustentabilidade

Do ponto de vista do setor elétrico, o tema ganha relevância estratégica. Data centers já consomem cerca de 1,5% de toda a energia gerada globalmente, e a demanda projetada deve mais que dobrar até 2030, impulsionada por serviços em nuvem, big data e inteligência artificial.

A eficiência térmica desses ambientes passa, portanto, a ser um vetor direto de sustentabilidade e de mitigação de emissões. Reduzir o resfriamento desnecessário significa não apenas diminuir custos operacionais, mas também aliviar a pressão sobre o sistema elétrico e sobre a expansão da capacidade instalada.

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A própria Vaisala destaca que, mesmo com o avanço de soluções de resfriamento líquido e híbrido, especialmente para cargas de alta densidade associadas à IA, o resfriamento de ar ainda é a base da gestão térmica na maioria dos data centers do mundo.

Origo e a gestão inteligente de recursos

Desenvolvida como uma plataforma modular, a solução Origo foi projetada para atender a uma demanda crescente por sistemas de medição mais precisos, flexíveis e escaláveis. O objetivo é permitir que operadores façam uma gestão térmica mais inteligente, com sensores capazes de manter medições estáveis ao longo do tempo e reduzir margens de erro que levam ao superdimensionamento dos sistemas de climatização.

Além dos data centers, a tecnologia também foi concebida para aplicação em outros ambientes críticos, como salas limpas da indústria farmacêutica, laboratórios de ciências da vida e fábricas de semicondutores, onde qualquer desvio ambiental pode comprometer processos produtivos e resultados de pesquisa.

Nesse tipo de aplicação, os riscos vão além do consumo energético. “Nas salas limpas de ciências da vida, por exemplo, qualquer parâmetro ambiental crítico, como temperatura ou umidade relativa, pode comprometer a integridade do produto ou os resultados da pesquisa, com perdas que vão muito além dos custos de energia”, ressalta Ferraz.

Reflexos para o setor elétrico

Sob a ótica do planejamento energético, soluções como o Origo reforçam a importância da eficiência como “recurso energético invisível”. Ao reduzir desperdícios, a tecnologia atua como uma forma indireta de expansão da oferta, diminuindo a necessidade de novos investimentos em geração e transmissão para atender cargas que poderiam ser evitadas.

Em um cenário de transição energética, marcado por metas de descarbonização e crescente eletrificação da economia, a gestão eficiente do consumo passa a ser tão estratégica quanto a expansão da capacidade instalada. No caso dos data centers, a precisão na medição ambiental se consolida como um dos pilares para equilibrar crescimento digital, sustentabilidade e segurança do sistema elétrico.

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