Ceará, ENBPar e Itaipu formalizam planta piloto de Hidrogênio Verde para educação

Memorando de entendimento prevê criação do H2Lab, com foco em pesquisa, capacitação e aplicações do H2V na mobilidade e na nova economia verde

O Governo do Ceará deu mais um passo estratégico para consolidar sua posição como um dos principais polos brasileiros da transição energética. A Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE) formalizou, nesta quarta-feira (4), em Foz do Iguaçu (PR), a primeira etapa de um Memorando de Entendimento (MoU) com a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) e com a Itaipu Parquetec, voltado ao desenvolvimento de projetos de descarbonização e energias limpas, com ênfase inicial na implantação de uma planta de hidrogênio verde (H2V) no estado.

O acordo marca o início de uma cooperação institucional estruturada para viabilizar iniciativas tecnológicas associadas à nova economia do hidrogênio, integrando pesquisa, desenvolvimento, formação profissional e aplicações práticas em setores estratégicos da matriz energética e da mobilidade.

A assinatura ocorreu durante agenda institucional da comitiva cearense no complexo de Itaipu, que incluiu visitas técnicas à Itaipu Binacional, ao Itaipu Parquetec e ao Centro de Tecnologias em Hidrogênio, referência nacional em pesquisa aplicada na área.

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H2Lab: planta piloto une pesquisa, formação e produção experimental

O projeto âncora da parceria é a Planta Piloto de Hidrogênio Verde para Educação (H2Lab), que terá capacidade instalada de até 300 kW. A proposta é criar, em território cearense, uma infraestrutura modular e automatizada para produção experimental de hidrogênio verde, utilizando eletricidade de fontes renováveis.

Além da planta em si, a solução prevê a implantação de um sistema completo, com protocolos de segurança, controle digital e infraestrutura didática para formação de operadores, técnicos e pesquisadores. O objetivo é estruturar um ambiente de aprendizagem prática, capaz de apoiar tanto a capacitação de mão de obra quanto o desenvolvimento de aplicações industriais e energéticas do H2V.

A iniciativa se insere diretamente no plano estadual de fortalecimento da cadeia de energias renováveis, posicionando o hidrogênio como vetor tecnológico para a diversificação econômica e para a atração de investimentos de base industrial no estado.

Formação técnica e aplicações na mobilidade

A parceria também contempla a criação de laboratórios tecnológicos com bancadas didáticas, que irão simular as diferentes etapas da rota do hidrogênio verde, da produção ao armazenamento e às aplicações energéticas. O foco é permitir que estudantes, pesquisadores e profissionais do Ceará tenham acesso a formação prática em uma tecnologia considerada estratégica para a transição energética global.

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No campo das aplicações, o memorando estabelece o interesse das instituições em desenvolver projetos futuros voltados à mobilidade urbana, com destaque para o uso do hidrogênio em veículos pesados e ônibus escolares. A proposta dialoga com a agenda de descarbonização do transporte, setor que responde por parcela relevante das emissões de gases de efeito estufa no Brasil.

Do ponto de vista econômico, o H2Lab é visto como uma oportunidade concreta de inserção do Ceará na nova economia verde, com impactos diretos sobre qualificação profissional, estímulo à inovação, criação de novos negócios e fortalecimento de um ecossistema tecnológico associado às energias limpas.

Liderança estadual e articulação institucional

Durante a formalização do acordo, o secretário do Desenvolvimento Econômico, Domingos Filho, ressaltou o papel da liderança política do estado na viabilização da parceria. O gestor atribuiu o avanço à estratégia adotada pelo governo estadual para posicionar o Ceará como referência nacional em sustentabilidade e inovação energética.

“Esta conquista é fruto da visão estratégica do governador Elmano de Freitas, que tem trabalhado incansavelmente para posicionar o Ceará na vanguarda da economia verde. Esse projeto atende ao interesse do Estado em fomentar a nova cadeia de energias renováveis, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento sustentável e para a geração de ocupações qualificadas”, afirmou o secretário.

Pela ENBPar, o diretor-presidente Marlos Costa destacou a relevância institucional do acordo e o potencial do ambiente cearense para a implantação de projetos estruturantes em energia limpa.

“Celebramos com entusiasmo a assinatura deste memorando de entendimento com o Governo do Ceará. A ENBPar reconhece a disposição e o compromisso do estado em liderar essa agenda, oferecendo um ambiente favorável para a execução deste projeto piloto. Essa sinergia entre as partes envolvidas é fundamental para transformarmos o potencial energético brasileiro em realidade tecnológica e social”, disse o executivo.

Hidrogênio como vetor estratégico nacional

A iniciativa também foi destacada pela diretoria da Itaipu Binacional, que tem ampliado sua atuação em projetos de inovação e transição energética para além da geração hidrelétrica.

Para o diretor-geral brasileiro da empresa, Enio Verri, a parceria representa uma convergência entre centros de excelência e políticas públicas voltadas ao futuro energético do país.

“Trata-se de uma grande parceria. A SDE com a Itaipu Parquetec tratando de uma parceria para, lá no Ceará, junto com estudantes, acadêmicos e pesquisadores, trabalhar o hidrogênio que é o combustível do futuro. O mundo todo está de olho nessa tecnologia que está avançada aqui em Itaipu e também no Ceará. Juntando, vamos contribuir para o desenvolvimento dos nossos estados e do nosso país”, afirmou.

Na avaliação do diretor superintendente da Itaipu Parquetec, professor Irineu Colombo, o projeto reforça o papel da instituição como referência nacional na rota tecnológica do hidrogênio verde.

“A Itaipu Parquetec acumula mais de 10 anos de experiência em pesquisa, testes e no domínio de toda a rota do hidrogênio verde, da produção ao armazenamento e às aplicações energéticas. O interesse do Estado do Ceará no uso dessas plantas para geração local de energia reforça nosso papel como centro de competência e referência nacional no setor, com reconhecimento em projetos estratégicos e parcerias voltadas ao desenvolvimento industrial”, afirmou.

Ceará na rota da economia do hidrogênio

Com a formalização do memorando, o Ceará avança na construção de uma estratégia de longo prazo para se inserir de forma competitiva na economia do hidrogênio verde, alinhando políticas públicas, capacitação tecnológica e articulação com instituições federais e centros de pesquisa.

A iniciativa dialoga com o potencial natural do estado, especialmente em geração solar e eólica, e com a agenda nacional de descarbonização, que enxerga o hidrogênio como peça-chave para a redução de emissões em setores de difícil eletrificação, como transporte pesado, indústria química e siderurgia.

Ao apostar em uma planta piloto com forte componente educacional e tecnológico, o Ceará busca não apenas atrair investimentos, mas construir competências locais e protagonismo em uma das frentes mais estratégicas da transição energética global.

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