MIDR intensifica monitoramento de reservatórios estratégicos para garantir segurança hídrica em São Paulo e Rio de Janeiro

Acompanhamento permanente da ANA sobre os sistemas Cantareira e Paraíba do Sul permite antecipar cenários críticos, orientar decisões técnicas e reduzir riscos de desabastecimento em dois dos maiores mercados consumidores do país

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) mantém monitoramento contínuo dos principais reservatórios responsáveis pelo abastecimento dos grandes centros urbanos brasileiros, com foco especial nos sistemas Cantareira, em São Paulo, e Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro. A ação é conduzida por meio da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e tem como objetivo antecipar cenários de escassez, subsidiar decisões técnicas e garantir que o uso da água siga regras previamente estabelecidas para períodos de estiagem.

A iniciativa ganha relevância em um contexto de maior pressão sobre os recursos hídricos, impulsionada pela combinação entre crescimento da demanda urbana, variabilidade climática e dependência estrutural de reservatórios para o abastecimento de regiões metropolitanas que concentram milhões de consumidores residenciais e industriais.

Atuação da União ocorre de forma regulatória

Pela legislação brasileira, os serviços de saneamento básico, como captação, tratamento e distribuição de água, são de responsabilidade direta dos estados e municípios. A atuação da União ocorre de forma indireta, com foco na regulação e no acompanhamento da chamada água bruta, isto é, o recurso disponível nos rios e reservatórios antes do tratamento realizado pelas companhias de saneamento.

- Advertisement -

Nesse escopo, a ANA estabelece regras para a operação de reservatórios localizados em rios federais, aqueles que atravessam mais de um estado, e acompanha indicadores técnicos como nível dos reservatórios, volume armazenado e vazões. Os dados são públicos e funcionam como base para decisões preventivas e para o planejamento da operação dos sistemas.

Sistema Cantareira segue em faixa de restrição

O Sistema Cantareira permanece como um dos mais críticos e estratégicos do país. Responsável pelo abastecimento de cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo, além de municípios das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, o complexo é formado por cinco reservatórios interligados e, desde 2018, conta com a conexão com o reservatório de Jaguari, no Rio Paraíba do Sul.

Após a crise hídrica de 2014 e 2015, a operação do sistema passou a seguir regras mais rígidas, definidas por faixas de operação conforme o volume armazenado. O objetivo é trazer previsibilidade e permitir ajustes graduais no uso da água, evitando decisões emergenciais em momentos de estresse hídrico.

A gestão é feita de forma conjunta pela ANA e pela Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas), com acompanhamento diário dos dados. Atualmente, o Cantareira opera na Faixa 4 – Restrição, conforme a Resolução Conjunta nº 925, de 29 de maio de 2017.

- Advertisement -

A diretora-presidente interina da ANA, Ana Carolina Argolo, destaca o papel técnico do monitoramento na condução das decisões operacionais. “As instituições acompanham os dados de níveis, vazões e armazenamento do manancial de modo a subsidiar decisões operativas. As agências reforçam a importância da adoção de medidas operacionais de gestão da demanda pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) no âmbito dos serviços de abastecimento de água, assim como recomendam a adoção de medidas pelos demais usuários para preservar o volume de água nos reservatórios”, afirma.

Paraíba do Sul abastece 11 milhões de pessoas

No Rio de Janeiro, o principal foco do acompanhamento da ANA é o Sistema do Rio Paraíba do Sul, responsável pelo fornecimento de água para cerca de 11 milhões de pessoas, incluindo os sistemas Guandu e Ribeirão das Lajes, essenciais para o abastecimento da Região Metropolitana do Grande Rio.

O chamado Reservatório Equivalente do Paraíba do Sul é considerado o maior manancial fluminense e envolve uma gestão compartilhada entre a União e os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Para organizar esse uso múltiplo, a ANA atua junto aos órgãos estaduais por meio de regras que definem a operação dos reservatórios e das estruturas de transposição de água, buscando conciliar abastecimento urbano, preservação ambiental e segurança hídrica.

Níveis atuais acendem sinal de alerta

Os dados mais recentes indicam que o volume útil do Sistema Cantareira está em 22,16%, enquanto o Reservatório Equivalente do Paraíba do Sul opera com 38,92% de armazenamento. Para efeito de comparação, no dia 30 de janeiro do ano passado, o Cantareira registrava 51,68%, e o Paraíba do Sul, 68,21%.

A queda expressiva nos níveis reforça a importância do monitoramento permanente e da adoção de medidas preventivas, especialmente em sistemas que atendem regiões densamente povoadas e altamente dependentes de infraestrutura hídrica centralizada.

Transparência e dados como base da gestão

A atuação integrada entre MIDR, ANA e órgãos estaduais é considerada essencial, uma vez que os dois sistemas envolvem diferentes entes federativos e impactam diretamente milhões de consumidores. A gestão se baseia em planejamento, cooperação institucional e uso intensivo de dados técnicos atualizados diariamente.

A ANA disponibiliza essas informações em painéis públicos de monitoramento, o que amplia a transparência e permite que gestores, especialistas do setor elétrico e de saneamento, além da sociedade, acompanhem em tempo real a situação dos principais reservatórios do país.

Do ponto de vista estrutural, o trabalho desenvolvido pelo MIDR e pela ANA tem como foco a prevenção, o planejamento e a segurança hídrica, fortalecendo a capacidade do Brasil de enfrentar períodos de seca e eventos climáticos extremos, dentro das competências definidas pela legislação e com impacto direto sobre a resiliência energética e urbana.

Destaques da Semana

Artigos

Últimas Notícias