Portaria estabelece a UGOR, órgão subordinado à Presidência com a missão de articular conexões entre governo, sociedade civil e o setor tecnológico
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), autarquia vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), oficializou nesta terça-feira (3) a criação de uma nova estrutura de inteligência política e institucional: a Unidade de Governança de Relações Institucionais (UGOR). A medida, estabelecida via Diário Oficial da União, visa centralizar e profissionalizar o diálogo da autarquia com os diversos entes federativos e a sociedade civil organizada.
A criação da unidade ocorre em um momento estratégico para o setor nuclear brasileiro, que busca retomar o protagonismo em pautas como a transição energética, a segurança de suprimento e a expansão de aplicações da tecnologia nuclear na medicina e na indústria. Sob a subordinação direta da Presidência da CNEN, a UGOR terá a função de atuar como o braço diplomático da instituição em frentes que exigem construção de consensos e interlocução política.
Articulação e imagem institucional
De acordo com o texto da Portaria nº 23, de 2 de fevereiro de 2026, a UGOR não terá apenas um papel administrativo, mas sim uma função propositiva na arena pública. O objetivo do governo é que o órgão possa influenciar decisões e promover a imagem institucional da Comissão junto a governos e entidades nacionais e internacionais.
Ao definir as atribuições da nova estrutura no Diário Oficial da União, o Presidente da CNEN, Francisco Rondinelli Junior, formalizou as competências que regerão a atuação da unidade no que tange à sua representatividade:
“Art. 2º Compete a UGOR representar a CNEN, quando solicitada, e construir conexões estratégicas com governos, entidades e a sociedade civil, influenciando decisões e promovendo a imagem institucional.”
O papel da CNEN na segurança tecnológica nacional
Fundada em 1956, a CNEN é a autoridade responsável por garantir o uso seguro e pacífico da energia nuclear no Brasil. Além de sua função regulatória, a autarquia é o motor de desenvolvimento de tecnologias correlatas de alto impacto social. Com sede no Rio de Janeiro e presença física em cinco estados, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco, além de um centro de desenvolvimento no Distrito Federal, a autarquia possui uma capilaridade que exige uma governança institucional robusta.
O MCTI ressalta que a missão da autarquia permanece focada no desenvolvimento tecnológico, mas a criação da UGOR sinaliza uma abertura maior para a transparência e para o debate público sobre a segurança nuclear. Em um cenário de crescente complexidade regulatória, a nova unidade surge como o ponto focal para evitar gargalos de comunicação entre os órgãos técnicos e os decisores políticos em Brasília.



