Mackenzie e Huawei realizam testes inéditos de segurança com baterias de íon-lítio para uso residencial

Ensaios de deflagração com sistemas BESS avaliam riscos térmicos, incêndio e reforçam a importância de normas técnicas para a expansão do armazenamento de energia no Brasil

A expansão dos sistemas de armazenamento de energia com baterias (BESS) no mercado brasileiro acaba de ganhar um importante reforço técnico-científico. Entre os dias 17 e 19 de dezembro, a Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), em parceria com a multinacional Huawei Brasil, realizou uma série de ensaios de segurança com baterias de íon-lítio voltadas ao uso residencial, no âmbito do projeto INOVA-Huawei-Mackenzie.

Os testes, conduzidos pelo grupo de pesquisa de Sistemas Elétricos de Potência da instituição, tiveram como foco a avaliação da deflagração e do comportamento térmico de sistemas comerciais de armazenamento, em um momento em que soluções com baterias ganham protagonismo na integração com geração solar distribuída e no fornecimento de energia para pequenas cargas.

Testes simulam condições extremas de operação

O conjunto de ensaios buscou reproduzir situações críticas às quais os BESS podem ser submetidos em condições reais de operação. Foram avaliados quatro sistemas de armazenamento utilizados no mercado brasileiro, considerando desde o aumento de temperatura nas proximidades das células até o sobrecarregamento forçado dos módulos de bateria.

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Os testes foram coordenados pelo professor Bruno Soares de Lima e desenvolvidos pelos professores e pesquisadores da UPM, que atuaram na instrumentação dos equipamentos e na coleta de dados térmicos e elétricos durante os eventos de estresse.

Além dos aspectos técnicos de desempenho, os ensaios tiveram como objetivo identificar potenciais riscos associados à combustão rápida das baterias, fenômeno conhecido como thermal runaway, um dos principais desafios de segurança no uso de tecnologias baseadas em íon-lítio.

Simulação de incêndio real e atuação dos bombeiros

Na etapa final do projeto, os pesquisadores realizaram uma simulação de incêndio real próximo aos sistemas BESS, com a participação de equipes do Corpo de Bombeiros. A atividade permitiu observar, em ambiente controlado, o comportamento das baterias diante do fogo externo e a eficácia dos métodos de contenção.

Os procedimentos adotados no combate às chamas foram documentados e farão parte de um conjunto de recomendações técnicas voltadas a instaladores, fabricantes, integradores de sistemas fotovoltaicos e órgãos de segurança.

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Segurança como eixo da transição energética

A pesquisa ocorre em um contexto de crescimento acelerado da adoção de sistemas de armazenamento no Brasil, impulsionado pela expansão da geração distribuída, pela busca por maior autonomia energética e pela necessidade de resiliência frente a eventos climáticos extremos.

Ao comentar a relevância dos ensaios, o coordenador dos cursos de Engenharia Elétrica e Engenharia da Computação da UPM, Bruno Soares de Lima, destacou o papel estratégico do tema para o setor elétrico brasileiro.

Segundo o professor, “os resultados dos ensaios são de extrema importância diante do cenário brasileiro atual, em que BESS estão se tornando uma opção de fornecimento de energia em residências e pequenos comércios”.

A fala contextualiza um movimento observado no mercado, em que baterias deixam de ser apenas soluções de nicho e passam a integrar projetos de autoconsumo, backup energético e microrredes, exigindo maior atenção a protocolos de segurança e certificação técnica.

Cooperação universidade-indústria e desenvolvimento tecnológico

Além dos aspectos regulatórios e operacionais, o projeto reforça o papel da cooperação entre universidades e empresas multinacionais na consolidação de um ecossistema de inovação voltado à transição energética.

Ao avaliar os impactos institucionais da iniciativa, Bruno Soares de Lima também ressaltou o compromisso da Escola de Engenharia com a aplicação prática do conhecimento.

“Isso mostra o comprometimento da Escola de Engenharia na cooperação com empresas em projetos atuais que atendam as necessidades da sociedade e promovam o desenvolvimento sustentável de novas tecnologias no território brasileiro”, afirmou o coordenador.

Na prática, os resultados obtidos no projeto INOVA-Huawei-Mackenzie devem contribuir para a construção de normas técnicas, protocolos de instalação e procedimentos de segurança que acompanhem a rápida expansão dos sistemas BESS no país, tornando o armazenamento de energia mais seguro, confiável e alinhado às exigências da transição energética brasileira.

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