Copel projeta R$ 13,5 bilhões até 2030 com foco no salto do cooperativismo paranaense

Distribuidora projeta expansão de subestações, redes trifásicas e investimentos de R$ 13,5 bilhões até 2030 para atender avanço das cooperativas, que já consomem quase metade da energia do setor produtivo estadual

A Copel e o Sistema Ocepar deram um passo estratégico para estruturar a expansão da infraestrutura elétrica no Paraná diante do avanço acelerado do cooperativismo, especialmente no setor agroindustrial. Em reunião realizada nesta quarta-feira (21), na sede da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), os presidentes da Copel, Daniel Slaviero, e do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, alinharam ações conjuntas para garantir atendimento técnico, previsibilidade de investimentos e qualidade no fornecimento de energia às cooperativas paranaenses.

O movimento ocorre em um contexto de crescimento expressivo da demanda energética do setor cooperativista, impulsionado pela industrialização de cadeias agroalimentares, pela modernização de plantas produtivas e pela intensificação do uso de tecnologias elétricas em processos de armazenagem, refrigeração, beneficiamento e logística.

Cooperativas concentram parcela relevante do consumo de energia

Atualmente, o Sistema Ocepar reúne 255 cooperativas, das quais 157 são agroindústrias, caracterizadas como grandes consumidoras de energia elétrica. Do total da demanda do setor cooperativista, 49% está concentrada nas cadeias de carne e leite, seguidas pela industrialização de produtos de origem vegetal (33%), recebimento e armazenagem de grãos (15%) e setores administrativos (3%).

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Além do agro, o Sistema Ocepar representa cooperativas de oito ramos distintos: agropecuário, crédito, saúde, transporte, infraestrutura, consumo, trabalho, produção de bens e serviços e seguros, o que amplia ainda mais a complexidade e diversidade das necessidades energéticas envolvidas.

O peso econômico do setor também é expressivo. O faturamento anual das cooperativas paranaenses já supera R$ 200 bilhões, com meta de alcançar R$ 500 bilhões até 2030, segundo projeções da própria Ocepar.

Copel reforça prioridade ao setor produtivo

Ao comentar a parceria, o presidente da Copel destacou o papel estratégico do cooperativismo para o desenvolvimento econômico do Paraná e a necessidade de antecipar investimentos em infraestrutura elétrica.

“O suporte ao setor produtivo paranaense é prioridade da Copel. Estamos juntos do Sistema Ocepar no apoio ao crescimento do cooperativismo paranaense para atender às demandas do setor com a entrega de energia de qualidade”, afirmou Daniel Slaviero.

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A partir desse alinhamento, a distribuidora passará a integrar de forma sistemática as reuniões regionais da Ocepar, com o objetivo de mapear, de forma técnica, onde ocorrerá a expansão das cooperativas e quais serão os impactos sobre a rede elétrica.

Rede trifásica e planejamento territorial da expansão

Entre as principais iniciativas destacadas pela Copel está a ampliação da rede trifásica rural, que já soma 25 mil quilômetros instalados em todas as regiões do Paraná. O acesso à nova infraestrutura conta com incentivo direto da Copel e suporte do governo estadual, que cobre a taxa de juros dos financiamentos necessários para a instalação.

“É fundamental sabermos em que regiões as cooperativas irão crescer para poder apoiar com infraestrutura”, disse Slaviero.

A estratégia inclui a participação da Copel em encontros regionais da Ocepar ao longo do mês de março, começando por Palmeira, nos Campos Gerais, e passando por Francisco Beltrão, Medianeira e Campo Mourão, polos relevantes do agronegócio paranaense.

Investimentos recordes e resiliência da rede

Durante o encontro, o diretor-geral da Copel Distribuição, Marco Antônio Villela de Abreu, apresentou o panorama de investimentos da companhia, destacando 2025 como o maior ciclo de aportes da história da distribuidora.

“Todo o time da Copel Distribuição está à disposição não apenas para participar das reuniões como atender às demandas das cooperativas em nossas bases de campo. Podem contar conosco”.

Segundo Villela, somente em 2025 foram entregues 19 novas subestações, realizadas 95 ampliações e implantados 500 quilômetros de linhas de alta tensão. “Concluímos o maior investimento da história da Copel”, disse.

Eventos climáticos e novos riscos operacionais

Além da expansão da carga, a Copel também enfrenta desafios crescentes relacionados às mudanças climáticas. Villela destacou que, em 2025, o número de eventos climáticos severos foi 66% superior à média histórica.

“Tivemos o ano mais desafiador da história recente em relação à intensidade e frequência de temporais. A média de torres danificadas era de uma por ano. Em 2025, perdemos 21 torres”.

Entre 2020 e 2022, foram registrados 12 grandes eventos climáticos no estado. Já entre 2023 e 2025, esse número subiu para 18 episódios, com impactos severos sobre a rede de distribuição.

Geração distribuída irregular vira preocupação técnica

Outro ponto de atenção destacado pela Copel é a expansão desordenada de sistemas de geração distribuída, especialmente solar, sem projetos homologados pela distribuidora.

“Cerca de 40% dos desligamentos envolvem vegetação e 30% envolvem aumento de carga, com implantação de geração distribuída sem projetos aprovados e sem comunicação prévia à Copel. Quando o projeto correto é seguido, a rede instalada é adequada para atender à carga de energia. A implantação à revelia é fraude e prejudica a todos os clientes, porque sobrecarrega o sistema e gera oscilações”, alertou Villela.

Segundo ele, muitas vezes os próprios consumidores são induzidos ao erro por instaladores, sem conhecimento técnico dos impactos sobre a rede.

Plano de R$ 13,5 bilhões até 2030

Ao final da apresentação, Villela detalhou o plano estratégico da Copel para os próximos cinco anos, que prevê R$ 13,5 bilhões em investimentos até 2030.

“A premissa do nosso plano é atender ao crescimento do Estado, aumentar a eficiência, enfrentar as mudanças climáticas, promover a troca de ativos antigos e atender às exigências de qualidade do consumidor e da Aneel”.

O plano inclui a construção de 50 novas subestações, 88 ampliações, 30 retrofits, 1,2 mil quilômetros de linhas de alta tensão e investimentos robustos em redes de distribuição.

A articulação entre Copel e Ocepar consolida, assim, uma agenda energética estruturante para o Paraná, na qual infraestrutura elétrica deixa de ser apenas suporte operacional e passa a ocupar papel central na competitividade do agronegócio, na industrialização regional e na transição para um sistema elétrico mais resiliente e digitalizado.

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