Energisa lança FlexLab e aposta em inovação aberta para acelerar o mercado de flexibilidade energética no Brasil

Plataforma busca soluções para resposta da demanda, usinas virtuais e novos modelos tarifários, com projetos testados em ambiente real e apoio de recursos da Aneel

A Energisa deu mais um passo estratégico na agenda de modernização do setor elétrico ao lançar o FlexLab, sua nova plataforma de inovação aberta voltada ao desenvolvimento do mercado de flexibilidade energética no Brasil. A iniciativa abre, entre 21 de janeiro e 25 de fevereiro, um edital para seleção de projetos de startups, universidades, centros de pesquisa, institutos de ciência e tecnologia e empresas da indústria interessados em criar soluções capazes de responder de forma dinâmica às variações de oferta e demanda de energia.

O programa nasce em um momento crítico para a evolução do sistema elétrico nacional. Com a expansão acelerada da geração distribuída, a crescente eletrificação de cargas, a entrada de armazenamento e a digitalização das redes, a flexibilidade passa a ser vista como um dos principais pilares para garantir segurança operacional, eficiência econômica e integração de fontes renováveis. Na prática, trata-se da capacidade de ajustar consumo, geração e armazenamento em tempo quase real, reduzindo picos, evitando sobrecargas e otimizando o uso dos ativos de rede.

Flexibilidade como eixo central da transição energética

Diferentemente de chamadas tradicionais de inovação, que normalmente partem de demandas pontuais e escopos fechados, o FlexLab foi estruturado a partir de um macrotema estratégico: a flexibilidade elétrica. O objetivo é explorar novos modelos de controle, previsão, agregação e coordenação inteligente de recursos energéticos distribuídos, criando evidências técnicas, regulatórias e econômicas que possam subsidiar a evolução do setor elétrico rumo a um sistema mais digital, descentralizado e participativo.

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O edital, disponível no site oficial do programa, prevê que as propostas possam resultar não apenas em produtos e serviços, mas também em novos modelos tarifários, soluções regulatórias e formatos inovadores de negócio. A expectativa da Energisa é selecionar entre cinco e dez projetos, que serão desenvolvidos ou testados em ambiente real, com acesso à infraestrutura dos laboratórios da companhia.

Seis frentes estratégicas para testar o futuro da rede

O escopo do FlexLab está organizado em seis frentes principais, que refletem os desafios mais relevantes da operação de redes modernas:

  • gerenciamento inteligente de cargas com redução automática em picos de consumo;
  • coordenação de múltiplos recursos energéticos distribuídos;
  • usinas virtuais que combinem geração, armazenamento e cargas flexíveis;
  • modelos tarifários dinâmicos e incentivos à flexibilidade;
  • previsão de geração e demanda para otimização operacional;
  • plataforma aberta de dados e APIs para fomentar a inovação no setor energético.

Esses eixos dialogam diretamente com discussões regulatórias em curso no Brasil, como a abertura do mercado, a digitalização da distribuição, a remuneração por serviços ancilares e o papel do consumidor como agente ativo do sistema elétrico.

Inovação aberta como estratégia corporativa

Ao apresentar oficialmente o programa, a diretora de Inovação da Energisa, Letícia Dantas, destacou que o FlexLab foi concebido como uma ferramenta estruturante para acelerar a modernização do setor.

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Segundo a executiva, a criação da plataforma responde à necessidade de articular tecnologia, modelos de negócio e regulação em um mesmo ambiente experimental. “Com o FlexLab, queremos acelerar produtos tecnológicos, modelos de negócio e regulatórios rumo a modernização do setor elétrico. Para isso, precisamos identificar, selecionar e testar soluções inovadoras que contribuam para o desenvolvimento da flexibilidade elétrica”, afirma Letícia.

Na sequência, ao contextualizar o papel da inovação aberta, ela reforça que a flexibilidade será um dos temas centrais da distribuição nos próximos anos. “A flexibilidade é fundamental para o futuro da distribuição de energia, e a inovação aberta é a melhor alternativa para encontrar novas ideias e soluções, ampliando as chances de responder a desafios específicos”, completa.

Tecnologias, dados e interoperabilidade no centro das propostas

Além do caráter experimental, a Energisa estabeleceu diretrizes técnicas claras para orientar os projetos. De acordo com Letícia Dantas, as soluções devem considerar desde arquiteturas digitais e métodos de previsão até sistemas de gestão da flexibilidade, sempre observando critérios como interoperabilidade, segurança operacional e proteção de dados.

“Tecnologias, modelos de negócio, arquiteturas digitais, métodos de previsão e sistemas de gestão de flexibilidade são alguns dos caminhos possíveis para responder de forma inteligente às variações de geração, consumo e condições de operação, de maneira eficiente, confiável e sustentável”, afirma a executiva.

A fala traduz uma visão alinhada às melhores práticas internacionais, nas quais a flexibilidade deixa de ser apenas um recurso técnico e passa a ser tratada como um ativo econômico, capaz de gerar valor tanto para as distribuidoras quanto para consumidores e agregadores de recursos energéticos.

Testes em ambiente real e recursos de P&D da Aneel

Um dos diferenciais do FlexLab é a possibilidade de desenvolvimento e validação das soluções em ambiente operacional real, utilizando dois laboratórios da Energisa: um em Uberlândia (MG) e outro em Palmas (TO). Embora os parceiros não precisem estar presencialmente nesses locais em tempo integral, terão acesso à infraestrutura física e digital para testes e experimentações.

O financiamento dos projetos poderá combinar recursos próprios da empresa e verbas de Pesquisa e Desenvolvimento da Aneel, reforçando o caráter regulatório e institucional da iniciativa. Esse modelo permite reduzir riscos tecnológicos e acelerar a curva de aprendizado, tanto para a companhia quanto para os proponentes.

O processo de seleção inclui inscrição online, verificação de requisitos, sessões de pitch técnico, etapa de refinamento das propostas e construção do plano de trabalho. Os projetos escolhidos serão anunciados em junho de 2026.

Critérios e lógica de ecossistema

A Energisa também sinalizou que o processo não seguirá uma lógica puramente competitiva. Os critérios envolvem aderência temática, mérito técnico, grau de inovação, maturidade tecnológica, potencial de impacto nos indicadores da empresa, capacidade da equipe, viabilidade de execução, escalabilidade, modelo de negócio, prontidão regulatória e aspectos de sustentabilidade e compliance.

Ao comentar esse formato, Letícia Dantas esclarece que a empresa pretende estimular um ecossistema colaborativo. “Não se trata de um processo competitivo tradicional. Por isso, podemos selecionar mais de uma proposta para desenvolvimento simultâneo, inclusive dentro de um mesmo eixo temático, desde que atendam aos requisitos e estejam alinhadas aos interesses estratégicos da Energisa”, conclui.

Flexibilidade como ativo estratégico do setor elétrico

Na prática, o lançamento do FlexLab posiciona a Energisa como uma das distribuidoras mais ativas na agenda de flexibilidade energética no Brasil, tema que tende a ganhar protagonismo com a consolidação das redes inteligentes, a expansão do armazenamento e a entrada massiva de geração distribuída.

Mais do que um programa de inovação, a iniciativa funciona como um laboratório regulatório e tecnológico para testar, em escala real, os modelos que podem definir o futuro da distribuição. Em um setor cada vez mais complexo e digitalizado, a flexibilidade deixa de ser apenas uma resposta técnica e passa a ser um dos principais vetores de competitividade, eficiência e sustentabilidade do sistema elétrico nacional.

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