Petrobras investirá R$ 6 bilhões para criar a primeira biorrefinaria 100% renovável do Brasil

Conversão da RPR, no Rio Grande do Sul, marca virada estratégica no refino nacional e posiciona a estatal no centro da agenda de combustíveis de baixo carbono

O parque de refino brasileiro está prestes a viver um dos movimentos mais emblemáticos de sua história recente. A Petrobras confirmou que dará início, no segundo semestre de 2025, às obras de conversão integral da Refinaria de Petróleo Riograndense (RPR) em uma biorrefinaria totalmente dedicada ao processamento de cargas renováveis. O projeto, que demandará investimentos da ordem de R$ 6 bilhões, transformará a unidade localizada em Rio Grande (RS) na primeira biorrefinaria 100% renovável do país.

O anúncio foi feito pela presidente da estatal, Magda Chambriard, e insere a Petrobras de forma mais contundente na estratégia global de descarbonização do setor de refino, em linha com o avanço das políticas climáticas, da demanda por combustíveis sustentáveis e das exigências de mercados cada vez mais orientados por critérios ESG. A conversão da RPR integra o plano estratégico da companhia de diversificação do downstream, ampliando a produção de derivados com menor pegada de carbono e maior valor agregado.

Uma refinaria histórica no centro da transição energética

Fundada em 1937, a Refinaria de Petróleo Riograndense é uma das unidades mais antigas em operação no país. Controlada por uma sociedade entre Petrobras, Braskem e Grupo Ultra, a planta sempre teve papel relevante no abastecimento do mercado gaúcho, fornecendo gasolina, óleo diesel, GLP e nafta petroquímica. Agora, passa a ocupar posição central na transição energética brasileira.

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A decisão de converter a RPR em biorrefinaria dialoga com uma tendência observada em diversos mercados internacionais, onde refinarias de menor porte vêm sendo adaptadas para o processamento de biomassas, óleos vegetais e resíduos orgânicos. Esse reposicionamento permite não apenas reduzir emissões, mas também preservar a relevância econômica desses ativos em um cenário de transformação estrutural da matriz energética.

Tecnologia nacional como pilar do projeto

Um dos aspectos mais estratégicos da conversão da RPR é o uso de tecnologia nacional, desenvolvida pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes). Desde o final de 2023, a refinaria vem passando por testes operacionais que validaram a capacidade da planta de processar matérias-primas vegetais e produzir combustíveis sustentáveis e insumos petroquímicos de origem renovável.

Ao contextualizar o avanço do projeto, Magda Chambriard destacou que a iniciativa representa um passo decisivo para a modernização do parque de refino brasileiro. Atualmente, a RPR possui capacidade instalada de 17 mil barris por dia (bpd) de petróleo. Com a conversão, a unidade passará a produzir derivados com pegada de carbono neutra, atendendo a uma demanda crescente por soluções energéticas sustentáveis, especialmente no mercado da Região Sul.

A adoção de tecnologia proprietária também reduz dependências externas, fortalece a engenharia nacional e amplia a capacidade do Brasil de exportar conhecimento em biorrefino e processamento de cargas renováveis.

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Integração com a logística e a indústria naval

O anúncio da conversão da RPR ocorreu em um contexto mais amplo de reposicionamento industrial da Petrobras. A confirmação do projeto foi feita durante a cerimônia de assinatura de contratos da Transpetro com estaleiros nacionais, reforçando a estratégia de integração entre produção de energia, logística e indústria naval.

No mesmo evento, a estatal confirmou investimentos de R$ 2,8 bilhões para a construção de 41 novas embarcações, incluindo cinco navios gaseiros de grande porte. A renovação da frota é vista internamente como um fator crítico para sustentar o novo perfil produtivo da companhia, que deverá movimentar volumes crescentes de biocombustíveis e derivados de baixo carbono nos próximos anos.

A proximidade física entre a RPR e o Polo Naval de Rio Grande reforça a sinergia regional entre refino, bioeconomia e infraestrutura logística, criando um ecossistema industrial alinhado à nova agenda energética.

Biorrefino como alternativa econômica e ambiental

Analistas do setor avaliam que a conversão da Riograndense pode servir de modelo para outras refinarias no Brasil e na América Latina. Em um contexto de margens pressionadas no refino tradicional e de maior exigência regulatória ambiental, o biorrefino surge como uma alternativa capaz de combinar viabilidade econômica, segurança energética e compromisso climático.

Além disso, a produção de combustíveis renováveis tende a fortalecer cadeias produtivas locais, estimular o agronegócio sustentável e ampliar a geração de empregos qualificados. No caso da RPR, a expectativa é que a nova configuração consolide o Rio Grande do Sul como um polo estratégico da bioenergia no país.

Um sinal claro ao mercado

Ao destinar R$ 6 bilhões à conversão da RPR, a Petrobras envia um sinal claro ao mercado: o refino continuará sendo um pilar da companhia, mas sob uma lógica alinhada à transição energética. A iniciativa reforça o papel da estatal como indutora de inovação, usuária de tecnologia nacional e protagonista no desenvolvimento de soluções de baixo carbono em escala industrial.

A transformação da Riograndense em biorrefinaria 100% renovável não apenas redefine o futuro de um ativo histórico, como também reposiciona o Brasil no mapa global dos combustíveis sustentáveis.

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