Avanço previsto supera em mais de 23% a expansão registrada em 2025 e reforça protagonismo das fontes renováveis na capacidade instalada do país
O horizonte de crescimento da matriz elétrica brasileira em 2026 aponta para um ritmo mais acelerado de expansão da oferta de geração. Segundo projeção da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o país deverá adicionar 9.142 megawatts (MW) de potência instalada ao longo do próximo ano, consolidando uma trajetória de fortalecimento do parque gerador nacional, com destaque para as fontes renováveis.
A estimativa representa um crescimento de 23,4% em relação ao desempenho registrado em 2025, quando o sistema elétrico brasileiro incorporou 7.403,54 MW. Os dados constam do Relatório de Acompanhamento da Expansão da Oferta de Geração de Energia Elétrica (Ralie), instrumento utilizado pela ANEEL para monitorar a entrada em operação de novos empreendimentos de geração no país.
O avanço projetado para 2026 ocorre em um contexto de aumento estrutural da demanda por energia, impulsionado pela eletrificação de setores da economia, pelo crescimento de atividades intensivas em consumo energético, como data centers e indústria, e pela necessidade de garantir segurança energética em um ambiente climático cada vez mais desafiador.
Fontes renováveis lideraram a expansão em 2025
O desempenho de 2025 reforça a tendência de protagonismo das fontes renováveis na expansão da matriz elétrica brasileira. Ao longo do ano, 136 usinas entraram em operação comercial, refletindo a diversificação do parque gerador e a consolidação de tecnologias já maduras no país.
Do total instalado, a energia solar fotovoltaica respondeu pela maior parcela em número de empreendimentos, com a entrada em operação de 63 usinas, somando 2.815,84 MW. Na sequência, vieram as usinas termelétricas, com 15 novos empreendimentos totalizando 2.505,77 MW, seguidas pela fonte eólica, com 43 usinas e acréscimo de 1.825,90 MW.
A expansão também contou com a contribuição de fontes hídricas de menor porte. Em 2025, entraram em operação 11 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), com 199,34 MW, além de uma usina hidrelétrica de 50 MW e três centrais geradoras hidrelétricas (CGHs), que adicionaram 6,70 MW ao sistema.
Esse conjunto de dados evidencia que, apesar do avanço das fontes intermitentes, a expansão da matriz segue apoiada em um portfólio diversificado, capaz de atender às necessidades de confiabilidade e flexibilidade do sistema elétrico nacional.
Expansão geograficamente distribuída
Outro ponto relevante destacado pelo relatório da ANEEL é a capilaridade da expansão da geração elétrica em 2025. Ao longo do ano, 17 estados brasileiros passaram a sediar novas usinas em operação comercial, demonstrando a interiorização dos investimentos e a ampliação da infraestrutura energética em diferentes regiões do país.
O Rio de Janeiro liderou o ranking de expansão, com 1.681,07 MW adicionados à matriz, seguido pela Bahia, com 1.371,59 MW, e por Minas Gerais, que registrou incremento de 1.294,75 MW. Esses estados concentraram projetos de diferentes fontes, refletindo estratégias regionais de aproveitamento do potencial energético disponível.
O mês de dezembro foi particularmente relevante para a Bahia, que se destacou com a entrada em operação de nove usinas, totalizando 359,89 MW. O Rio Grande do Norte ocupou a segunda posição no período, com 184,50 MW adicionados, mantendo sua relevância histórica no segmento eólico.
Capacidade instalada ultrapassa 215 GW
Com os novos empreendimentos incorporados ao sistema, o Brasil iniciou o ano com uma capacidade total de 215.936,9 MW de potência fiscalizada, de acordo com dados do Sistema de Informações de Geração da ANEEL (SIGA). A base de dados, atualizada diariamente, consolida informações sobre usinas em operação e empreendimentos outorgados em fase de construção.
Do total da potência instalada em operação, 84,63% têm origem em fontes renováveis, o que reforça a posição do Brasil como uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo. Esse perfil tem sido um diferencial competitivo para o país, tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico, especialmente em um cenário global de transição energética e descarbonização.
Transparência e acompanhamento da expansão
Para ampliar o acesso às informações sobre a evolução da oferta de geração, a ANEEL disponibiliza o painel Ralie, ferramenta interativa que reúne dados detalhados sobre a expansão da matriz elétrica brasileira. O sistema permite consultas por ano, região, tipo de fonte e estágio de implantação dos empreendimentos, oferecendo maior transparência ao processo de fiscalização.
As informações são atualizadas mensalmente, com base em inspeções in loco realizadas nas obras das centrais geradoras e nos dados do Relatório de Acompanhamento de Empreendimentos de Geração de Energia Elétrica (Rapeel). O cruzamento dessas informações possibilita uma análise minuciosa do avanço físico e regulatório dos projetos, contribuindo para o planejamento setorial e para a previsibilidade do mercado.
Com a perspectiva de crescimento de 9,1 GW em 2026, o setor elétrico brasileiro entra em um novo ciclo de expansão, no qual a integração entre geração renovável, transmissão robusta e inteligência regulatória será decisiva para garantir segurança energética, modicidade tarifária e sustentabilidade de longo prazo.



