PUCRS e Petrobras lançam Atlas de CCUS para acelerar projetos de descarbonização no Brasil

Documento sistematiza dados da Plataforma GIS CCUS Brasil e mapeia regiões com maior potencial geológico para armazenamento de CO2, servindo como guia para investidores e reguladores

O ecossistema de transição energética brasileiro recebeu, nesta quarta-feira (7), um reforço técnico fundamental para a viabilização de projetos de baixo carbono. O Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR) da PUCRS, em cooperação com a Petrobras, apresentou o Atlas de Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono (CCUS): Explorando o Potencial do Brasil. O documento preenche uma lacuna crítica na organização de dados geológicos e industriais, consolidando-se como o principal repositório para decisões estratégicas em setores de difícil descarbonização (hard-to-abate).

O lançamento ocorre em um momento de amadurecimento do arcabouço regulatório no país, onde o CCUS deixa de ser uma solução teórica para se tornar um pilar complementar às fontes renováveis. Enquanto o Brasil avança na eletrificação verde, indústrias de cimento, siderurgia e fertilizantes, além do próprio segmento de óleo e gás, encontram no Atlas a base técnica necessária para planejar o sequestro permanente de emissões.

Inteligência Geográfica e Decisão Estratégica

O diferencial da iniciativa é a integração com a Plataforma GIS CCUS Brasil, que organiza informações geoespaciais sobre reservatórios geológicos e fontes emissoras. Ao estruturar esses dados, o Atlas oferece uma visão clara das sinergias entre infraestruturas existentes e áreas de potencial armazenamento, fator decisivo para o cálculo de viabilidade econômica e logística de projetos de infraestrutura compartilhada (hubs de carbono).

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A ferramenta digital, hospedada no site do IPR, permite que gestores públicos, instituições financeiras e desenvolvedores de projetos acessem mapas de favorabilidade técnica e proteção radiológica/segurança nuclear, quando aplicável. Essa transparência é essencial para o cumprimento de critérios ESG e para a atração de capital internacional voltado a ativos de transição.

CCUS como Vetor de Transição Justa

A tecnologia de CCUS envolve a captura do CO₂ diretamente no processo produtivo ou na atmosfera, seguida pelo seu transporte e injeção em formações geológicas seguras ou utilização em novos ciclos industriais. O Atlas destaca que o Brasil possui vantagens competitivas ímpares: uma vasta base de dados sísmicos e de poços oriunda do setor de óleo e gás, além de reservatórios com alta capacidade de injetividade.

A parceria entre a academia e a Petrobras reforça o papel da ciência aplicada na solução de gargalos climáticos. A estatal, que já opera projetos de CCUS em águas ultraprofundas (Reinjeção de CO2 no Pré-Sal), utiliza a parceria para expandir o conhecimento técnico para aplicações terrestres (onshore), visando a sustentabilidade operacional de longo prazo e o apoio à formulação de políticas nacionais.

Referência Técnica e Reconhecimento

O rigor metodológico do projeto já havia sido reconhecido pelo mercado ao ser finalista do Prêmio ANP em duas edições. Agora, com a publicação integral, o Atlas se torna a referência para o debate sobre o Marco Legal do CCUS no Congresso Nacional, oferecendo aos legisladores um panorama real das capacidades nacionais.

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O Atlas de Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono está disponível em formato digital e plataforma interativa no portal do IPR-PUCRS, servindo como o novo “mapa da mina” para a economia de baixo carbono no Brasil, conciliando a segurança energética com o compromisso ambiental assumido pelo país no cenário global.

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