Reconhecimento internacional reforça eficiência operacional, redução de impactos ambientais e integração da agenda ESG à gestão do Operador Nacional do Sistema
Em um momento em que a sustentabilidade deixa de ser um diferencial reputacional para se tornar um requisito estrutural do setor elétrico, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) renovou a Certificação LEED v4.1 O+M: Existing Buildings, no nível Gold, para o seu Escritório Central, localizado no Rio de Janeiro. A conquista, obtida em novembro, reafirma o compromisso da entidade com eficiência no uso de recursos, redução de impactos ambientais e valorização do ambiente interno, alinhando a gestão predial às exigências de um sistema elétrico cada vez mais complexo e pressionado por critérios ambientais, sociais e de governança (ESG).
A renovação do selo internacional ocorre três anos após o ONS alcançar o mesmo nível de certificação em 2022, demonstrando que as práticas sustentáveis não foram pontuais, mas incorporadas de forma contínua à operação e à manutenção do edifício. Em um setor onde confiabilidade, planejamento e eficiência são valores centrais, a manutenção do padrão Gold sinaliza coerência entre o discurso institucional e a prática cotidiana.
Sustentabilidade como extensão da eficiência operacional
A certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) é um dos principais referenciais globais para edificações sustentáveis. No caso do ONS, a renovação ocorreu na categoria Operação e Manutenção (O+M), voltada a edifícios existentes, o que exige comprovação contínua de desempenho em áreas como eficiência energética, uso racional da água, qualidade do ar interior, gestão de materiais, inovação e localização.
Mais do que um reconhecimento arquitetônico, o selo dialoga diretamente com a missão do operador do Sistema Interligado Nacional (SIN) de promover eficiência sistêmica, confiabilidade e otimização de recursos. A lógica que orienta a operação do sistema elétrico, reduzir perdas, maximizar desempenho e garantir segurança, encontra paralelo direto na gestão sustentável das instalações físicas da instituição.
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, enxerga na renovação da certificação um componente essencial da eficiência operacional buscada pela entidade. Ao explicar a relevância do selo, Rea enfatizou que a responsabilidade socioambiental está intrinsecamente ligada à missão técnica do Operador, servindo como referência de boas práticas para todo o setor elétrico.
“A renovação da Certificação LEED GOLD é um marco que reforça nosso compromisso com a sustentabilidade e a eficiência operacional. Esse resultado demonstra que o ONS integra responsabilidade socioambiental às suas atividades, contribuindo para um futuro mais sustentável para o setor elétrico e para a sociedade.”
A declaração explicita a visão de que sustentabilidade não é um eixo isolado, mas parte integrante da governança e da eficiência institucional.
Benefícios tangíveis e gestão de longo prazo
Um dos diferenciais da certificação LEED O+M é a exigência de resultados mensuráveis. No caso do edifício do ONS, a manutenção do nível Gold está associada a redução de custos operacionais, especialmente por meio do uso eficiente de energia e água, além de ganhos relacionados à qualidade do ambiente interno.
Ambientes com melhor qualidade do ar, conforto térmico e iluminação adequada impactam diretamente a saúde, o bem-estar e a produtividade dos colaboradores, fator relevante para uma instituição que opera em regime contínuo e com elevado nível de responsabilidade técnica. A valorização do imóvel e a redução da pegada de carbono completam o conjunto de benefícios associados à certificação.
Esse aspecto foi reforçado por Elisa Bastos, diretora de Assuntos Corporativos do ONS, ao destacar o significado prático do reconhecimento. “Essa certificação mostra que sustentabilidade gera resultados concretos: menos desperdício, mais eficiência e ambientes que favorecem saúde e produtividade. É assim que transformamos boas práticas em benefícios reais para quem trabalha aqui.”
A fala evidencia uma abordagem pragmática da agenda ESG, afastando-a de um viés meramente institucional e aproximando-a de ganhos operacionais e humanos.
Critérios rigorosos e padrão internacional
Para alcançar e manter a certificação LEED, o edifício precisa atender a critérios rigorosos distribuídos em diferentes categorias, como eficiência energética, gestão hídrica, qualidade ambiental interna, materiais e recursos, inovação e localização. A pontuação obtida define o nível de reconhecimento, que pode variar entre Certified, Silver, Gold e Platinum.
A versão LEED v4.1, adotada na renovação, incorpora métricas mais atualizadas e alinhadas aos desafios contemporâneos, como monitoramento de desempenho real, uso de dados operacionais e melhoria contínua. Isso torna a certificação ainda mais exigente e relevante do ponto de vista técnico.
Exemplo institucional em um setor estratégico
Ao renovar a certificação LEED Gold em 2025, o ONS reforça sua posição como referência institucional em sustentabilidade aplicada, em um setor estratégico para a transição energética brasileira. A iniciativa dialoga com a crescente pressão por práticas ESG consistentes, não apenas em agentes de geração e transmissão, mas também em entidades responsáveis pela coordenação e planejamento do sistema elétrico.
Em um contexto de expansão das fontes renováveis, digitalização da operação e maior complexidade do SIN, a sustentabilidade da infraestrutura física e organizacional do operador ganha relevância adicional. Mais do que um selo, a certificação sinaliza maturidade institucional e compromisso com uma visão de longo prazo para o setor elétrico brasileiro.



