ISA ENERGIA BRASIL coloca em operação primeiro projeto FACTS do tipo M-SSSC no sistema elétrico nacional

Tecnologia inédita no Brasil amplia flexibilidade operativa, reduz gargalos na transmissão e inaugura novo capítulo na modernização da rede elétrica

O sistema elétrico brasileiro deu mais um passo relevante rumo à modernização da infraestrutura de transmissão. A ISA ENERGIA BRASIL obteve o Termo de Liberação Definitivo (TLD) do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para iniciar a operação do primeiro projeto do País com tecnologia FACTS (Flexible Alternating Current Transmission Systems) do tipo M-SSSC (Static Synchronous Series Compensator). A solução foi energizada na Subestação Ribeirão Preto (SP), nos módulos de conexão das linhas de transmissão Ribeirão Preto – Porto Ferreira C-1 e C-2, ambas em 138 kV.

Trata-se de uma inovação inédita no sistema elétrico nacional, com potencial para transformar a forma como o País lida com congestionamentos na rede de transmissão, ao ampliar a flexibilidade operativa e otimizar o uso de ativos já existentes. Em um cenário marcado por crescimento da carga, expansão acelerada de fontes renováveis e desafios crescentes para a implantação de novas linhas, a entrada em operação do projeto representa um avanço estratégico.

FACTS e o novo papel da transmissão no setor elétrico

Os sistemas FACTS vêm sendo adotados em mercados internacionais como uma alternativa tecnológica à expansão física da rede, permitindo maior controle sobre o fluxo de potência e aumentando a estabilidade do sistema. No Brasil, a implementação do M-SSSC inaugura uma nova etapa na utilização dessas soluções, até então restritas a estudos e aplicações pontuais.

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Ao explicar o funcionamento da tecnologia, o diretor-executivo de Projetos da ISA ENERGIA BRASIL, Dayron Urrego, contextualiza seu papel no sistema elétrico. “A tecnologia FACTS funciona como um sistema de controle de potência modular e flexível, capaz de redistribuir o fluxo de energia dos circuitos mais carregados para aqueles com menor utilização, tornando-se uma solução eficiente para lidar com problemas de congestionamento em linhas de transmissão”, afirma.

A fala sintetiza a principal contribuição da tecnologia: não se trata de aumentar a capacidade física da rede, mas de utilizar melhor o que já existe, com ganhos diretos em confiabilidade e eficiência.

Projeto aprovado pela ANEEL e implantação em duas fases

A solução apresentada pela ISA ENERGIA BRASIL foi aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) em 18 de setembro de 2024 e estruturada para ser implementada em duas fases distintas no Estado de São Paulo. A primeira fase, de caráter conjuntural e temporário, já está em operação na Subestação Ribeirão Preto e atende a uma necessidade emergencial da região, fortemente influenciada pela demanda industrial.

A segunda fase, estrutural e permanente, está prevista para 2027 e será instalada nas subestações Votuporanga e São José do Rio Preto, consolidando a solução como parte definitiva da malha de transmissão regional. Essa estratégia permite aliviar o sistema no curto prazo, enquanto obras estruturantes de maior porte são executadas, acelerando o desenvolvimento econômico local sem comprometer a segurança elétrica.

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O investimento estimado é de R$ 75 milhões na primeira fase, em Ribeirão Preto, com um custo adicional de R$ 15 milhões referente ao transporte e à instalação definitiva dos equipamentos na etapa estrutural.

Flexibilidade operativa e redução de impactos ambientais

Além dos benefícios técnicos, a adoção da tecnologia FACTS traz vantagens relevantes do ponto de vista ambiental e regulatório. Como os equipamentos podem ser instalados dentro de subestações já existentes, a solução reduz significativamente a necessidade de novas intervenções em áreas sensíveis, desapropriações e licenciamentos complexos, um dos principais gargalos para a expansão da transmissão no Brasil.

Ao detalhar esse aspecto, Dayron Urrego utiliza uma analogia para ilustrar o funcionamento da tecnologia e seus impactos. “Essa solução, que funciona como uma espécie de aplicativo de navegação de trânsito inteligente, que sempre aponta para o caminho mais livre, redirecionando o fluxo de energia para rotas menos congestionadas. Além disso, permite uma implantação mais ágil e com impacto ambiental reduzido, uma vez que pode ser instalada dentro das subestações já existentes. Essa característica contribui para elevar a segurança, a resiliência e a flexibilidade do sistema elétrico, trazendo benefícios tanto imediatos quanto de longo prazo”, conclui o executivo.

A comparação ajuda a traduzir um conceito técnico complexo em um ganho operacional claro: mais inteligência na operação da rede, com menor custo socioambiental.

Reconhecimento regulatório e impacto econômico

A energização do projeto, enquadrado como uma obra de reforço, habilitou o recebimento de uma Receita Anual Permitida (RAP) adicional de R$ 12 milhões para a ISA ENERGIA BRASIL. O reconhecimento regulatório reforça a percepção de que soluções baseadas em tecnologia e flexibilidade tendem a ganhar espaço no planejamento da transmissão, especialmente diante das restrições crescentes à expansão convencional.

Mais do que um projeto isolado, o M-SSSC de Ribeirão Preto sinaliza uma mudança de paradigma: o futuro da transmissão passa não apenas por novos quilômetros de linhas, mas por inteligência, digitalização e controle avançado do fluxo de energia.

Um precedente para o sistema elétrico brasileiro

A entrada em operação do primeiro FACTS do tipo M-SSSC no Brasil cria um precedente relevante para o setor elétrico nacional. Em um contexto de transição energética, com maior participação de fontes intermitentes e pressão por eficiência sistêmica, soluções como essa tendem a ganhar protagonismo no planejamento da rede.

Para agentes, reguladores e formuladores de políticas públicas, o projeto da ISA ENERGIA BRASIL reforça a necessidade de repensar o papel da transmissão, incorporando tecnologias capazes de ampliar a capacidade operacional do sistema sem depender exclusivamente de obras lineares de grande porte.

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