Certames A-1, A-2 e A-3 reforçam segurança do Sistema Interligado Nacional, ampliam a competitividade e consolidam a estratégia de desindexação tarifária no Ambiente Regulado
Os Leilões de Energia Existente A-1, A-2 e A-3, realizados em novembro de 2025 pelo Ministério de Minas e Energia (MME), encerram o ano com um balanço robusto para o planejamento elétrico nacional. Juntos, os certames movimentaram R$ 6,48 bilhões em contratos de fornecimento de energia elétrica para o período de 2026 a 2029, além de projetarem uma economia total de R$ 1,18 bilhão para os consumidores brasileiros no Ambiente de Contratação Regulada (ACR).
Voltados à contratação de energia proveniente de usinas já em operação, os leilões de energia existente desempenham papel estratégico no setor elétrico ao assegurar o atendimento das distribuidoras, reduzir riscos de suprimento e fortalecer a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). Em um contexto de transição energética, crescimento da demanda e maior complexidade operativa do sistema, os resultados reforçam a relevância desses certames como instrumento de modicidade tarifária e estabilidade regulatória.
Energia existente como pilar da segurança elétrica
Diferentemente dos leilões de novos empreendimentos, os leilões de energia existente contratam ativos já amortizados ou em operação comercial, o que tende a resultar em preços mais competitivos e menor exposição a riscos de implantação. Essa característica ficou evidente nos deságios expressivos observados, especialmente no leilão A-1.
Além disso, todos os contratos firmados nos certames de 2025 adotaram a modalidade por quantidade, sem atualização monetária ao longo da vigência. Essa escolha reforça a diretriz do governo de desindexação das tarifas no ACR, uma medida considerada fundamental para aumentar a previsibilidade de custos para consumidores e distribuidoras, além de reduzir pressões inflacionárias no setor elétrico.
Leilão A-1: maior impacto econômico para o consumidor
No Leilão A-1, voltado ao suprimento entre 2026 e 2027, o preço médio de contratação ficou em R$ 205,74/MWh, representando um deságio de 26,52% em relação ao preço-teto de R$ 280/MWh estabelecido pelo MME.
O certame contratou 600,40 MW médios, o equivalente a mais de 10,5 milhões de MWh ao longo do período contratual. O desconto obtido nesse leilão isoladamente gerou uma economia estimada de R$ 781,12 milhões para os consumidores regulados, tornando-o o principal responsável pelo resultado global positivo dos certames.
O desempenho do A-1 reflete a elevada competição entre os agentes vendedores e a atratividade de contratos de curto prazo para ativos existentes, além de sinalizar condições favoráveis de oferta no sistema.
A-2 amplia competitividade e reforça planejamento de médio prazo
Já o Leilão A-2, destinado ao atendimento entre 2027 e 2028, registrou um preço médio de R$ 205,40/MWh, com deságio de 14,42% frente ao preço máximo estabelecido.
Nesse certame, foram contratados 631,40 MW médios, garantindo uma economia adicional de R$ 383,30 milhões aos consumidores. O resultado reforça a importância do A-2 como instrumento de planejamento de médio prazo, permitindo que as distribuidoras ajustem seus portfólios de contratação com antecedência adequada, reduzindo riscos de exposição ao mercado de curto prazo.
A-3 mantém preços estáveis e complementa o portfólio das distribuidoras
No Leilão A-3, com suprimento previsto entre 2028 e 2029, o preço médio alcançou R$ 212,88/MWh, com deságio de 0,99%. Embora o desconto tenha sido mais modesto, o certame cumpriu seu papel ao contratar 546,80 MW médios, assegurando uma economia de R$ 20,36 milhões.
O resultado do A-3 indica um ambiente de maior equilíbrio entre oferta e demanda para prazos mais longos, além de refletir as expectativas dos agentes quanto à evolução dos custos e à dinâmica futura do sistema elétrico.
Neutralidade tecnológica e eficiência regulatória
Os resultados dos leilões de energia existente em 2025 também reafirmam o compromisso do modelo brasileiro com a neutralidade tecnológica, ao permitir a participação de todas as fontes de geração elegíveis, desde que atendam aos requisitos regulatórios. Esse desenho amplia a concorrência, favorece preços mais baixos e contribui para a eficiência alocativa do sistema.
Em um ano marcado por debates sobre modernização do setor, transição energética e revisão de subsídios, os certames consolidam a estratégia do Governo Federal de utilizar os leilões como instrumento central para garantir competitividade, modicidade tarifária e segurança no abastecimento de energia elétrica.
Ao encerrar 2025 com resultados expressivos, os Leilões de Energia Existente reforçam sua relevância como ferramenta de política pública e sinalizam um ambiente regulatório que busca equilíbrio entre previsibilidade para os agentes e benefícios concretos para o consumidor final.



