Parceria acadêmica de três anos vai analisar como dados, IA industrial e capital humano podem impulsionar resiliência, sustentabilidade e eficiência operacional em setores como energia, manufatura e data centers
A crescente complexidade dos sistemas industriais, a digitalização acelerada e a necessidade de maior eficiência energética e operacional estão levando empresas globais a repensarem a forma como operam, cooperam e inovam. É nesse contexto que a AVEVA, líder global em software industrial, e a IMD Business School anunciaram um projeto acadêmico de três anos voltado à análise aprofundada do papel da inteligência industrial na construção e no escalonamento de ecossistemas de negócios conectados.
O programa de pesquisa terá como foco identificar tendências emergentes, mapear melhores práticas e compreender os fatores críticos de sucesso que permitem às organizações aumentar sua resiliência, avançar em sustentabilidade e elevar os níveis de eficiência operacional. A iniciativa tem especial relevância para setores intensivos em ativos e energia, como o setor elétrico, a manufatura, o transporte e os data centers, que enfrentam simultaneamente desafios de digitalização, descarbonização e integração de cadeias de valor cada vez mais interdependentes.
Inteligência industrial como base da transformação energética e digital
No centro da pesquisa está o conceito de inteligência industrial, definido como a integração dinâmica de informações baseadas em dados, potencializadas por IA industrial e combinadas ao conhecimento humano. Essa abordagem vem se consolidando como um pilar estratégico para empresas que precisam extrair valor de grandes volumes de dados operacionais, romper silos informacionais e tomar decisões em tempo real.
Para o setor elétrico, em particular, a inteligência industrial tem impacto direto sobre temas como confiabilidade do sistema, otimização de ativos, integração de fontes renováveis, gestão de redes complexas e eficiência no uso da energia. Ao analisar ecossistemas conectados, o projeto busca entender como empresas podem ir além da otimização interna e passar a operar de forma colaborativa, integrando parceiros, fornecedores, clientes e plataformas digitais.
A pesquisa será liderada pelos professores Michael Wade e Mark Greeven, do IMD, e deverá envolver executivos e especialistas de diferentes regiões do mundo, garantindo uma visão prática e aplicada dos desafios enfrentados pelas organizações.
IA, transição energética e novos modelos de negócio
O programa contará com áreas de ênfase específicas que dialogam diretamente com os desafios atuais do setor energético e industrial. Entre os temas centrais estão o papel da Inteligência Artificial na gestão de ecossistemas, a forma como redes globais de comércio podem acelerar a transição energética e a economia circular, além da evolução de novos modelos de negócio orientados por ecossistemas digitais.
Outro eixo relevante da pesquisa será a redefinição das parcerias empresariais na era digital, com foco em conformidade regulatória, governança de dados e gestão de riscos. Em um ambiente cada vez mais regulado e interconectado, compreender como estruturar relações de longo prazo sem comprometer segurança, confiabilidade e transparência tornou-se uma questão estratégica para empresas do setor elétrico e de infraestrutura.
Visão da AVEVA: tecnologia, pessoas e processos no centro da estratégia
Ao detalhar as bases da nova iniciativa, o CEO da AVEVA, Caspar Herzberg, enfatizou que a maturidade digital das indústrias depende de uma compreensão profunda sobre ecossistemas colaborativos. Segundo ele, a parceria com o IMD permitirá aprofundar a compreensão sobre como a inteligência industrial pode ser utilizada de forma estratégica em ecossistemas complexos.
“Ao combinar a sólida experiência técnica da AVEVA ao foco em pesquisa aplicada do IMD, estamos descobrindo como aproveitar a inteligência industrial para enfrentar desafios de negócios de alto nível”, afirma Caspar Herzberg, ao destacar seu entusiasmo em explorar as pessoas, os processos e a tecnologia que impulsionam os ecossistemas de negócios conectados e como eles podem fomentar a transformação e melhorar a produtividade.
O executivo ainda reforça que o programa será baseado em pesquisas originais e abrangentes com executivos e profissionais do setor ao redor do mundo, com o objetivo de gerar insights práticos. “Por meio de pesquisas originais e abrangentes com executivos e profissionais do setor de todo o mundo, essa iniciativa colaborativa revelará os fatores críticos de sucesso que nossos clientes devem priorizar para impulsionar a resiliência, a sustentabilidade e a eficiência operacional.”
IMD aposta em pesquisa aplicada para líderes empresariais
Do lado acadêmico, a IMD vê o projeto como uma oportunidade de traduzir rigor científico em ferramentas práticas para líderes empresariais. Para Stefan Michel, Decano da Faculdade e da Pesquisa do IMD, a velocidade das transformações exige abordagens que conectem teoria e prática de forma direta.
“Com a evolução dos ecossistemas empresariais a um ritmo sem precedentes, os líderes precisam de estruturas práticas fundamentadas na experiência do mundo real. Este projeto de pesquisa combina o rigor acadêmico do IMD à expertise da AVEVA, uma empresa inovadora líder no setor”, destaca Michel.
Ele ressalta que a proposta vai além da produção acadêmica tradicional, buscando impacto direto na tomada de decisão corporativa. Ao integrar uma profunda experiência operacional à abordagem acadêmica, o programa proporcionará uma pesquisa aplicada que aborda diretamente os desafios enfrentados pelos tomadores de decisão: pesquisa de empresas para empresas. “É assim que transformamos as conquistas organizacionais em prática, e não apenas em teoria.”
Impactos esperados para o setor elétrico e industrial
Ao longo dos três anos, o projeto deve gerar estudos, frameworks e recomendações práticas que poderão orientar empresas do setor elétrico na adoção de tecnologias digitais, na integração de cadeias energéticas mais complexas e na construção de ecossistemas resilientes e sustentáveis.
Em um cenário de transição energética acelerada, volatilidade de mercados e crescente pressão por eficiência, a inteligência industrial surge como um diferencial competitivo decisivo.



