Historiador da física e gestor experiente assume comando do principal órgão de pesquisa do país, com foco na retomada das políticas científicas e no fortalecimento institucional
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) formalizou, nesta sexta-feira (5), a nomeação do físico e historiador da ciência Olival Freire Junior como novo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ele substituirá Ricardo Galvão, eleito deputado federal e responsável por conduzir a reestruturação institucional do órgão desde 2023.
A escolha representa um movimento de continuidade técnica e reforça a estratégia do governo federal de fortalecer o sistema nacional de pesquisa, em um cenário em que a demanda por inovação, infraestrutura científica e programas estruturantes cresce em ritmo acelerado, inclusive para setores como energia, transição energética, digitalização industrial e tecnologias avançadas.
Perfil acadêmico robusto e trajetória institucional consolidada
Freire Junior ocupava, até então, a Diretoria Científica do CNPq, função estratégica responsável pela interlocução com pesquisadores, universidades e agências parceiras. Sua formação combina física, história e análise epistemológica da ciência, elementos que, segundo especialistas do setor, reforçam sua capacidade de liderar o órgão em um momento de reconstrução de políticas públicas de longa duração.
Ele é formado em Física pela UFBA, mestre em Ensino de Física pela USP e doutor em História Social pela mesma instituição. Sua trajetória inclui atuação como pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFBA (2014–2019), onde coordenou o processo de internacionalização da universidade, além de participações em conselhos científicos nacionais e internacionais.
Ministra destaca capacidade técnica e missão estratégica
Ao anunciar a nomeação, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, enfatizou que o novo presidente chega ao cargo com forte credibilidade e preparo técnico. “O professor Olival reúne todas as qualificações necessárias para a importante missão de liderar o CNPq e engrandecer ainda mais o fomento à pesquisa científica e tecnológica no Brasil”.
A declaração se insere em um contexto de recuperação orçamentária do MCTI e do CNPq, que voltaram a operar programas estruturantes como o fomento universal, bolsas de produtividade e linhas temáticas voltadas a tecnologias críticas, energia, clima e inovação industrial.
Posse reforça continuidade da atual política científica
Em discurso após a nomeação, Olival contextualizou a importância de manter a agenda de reconstrução do órgão, destacando a linha de atuação iniciada com a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023.
“Essa indicação expressa um compromisso de continuidade, buscando aprimoramentos, mas dando continuidade a uma gestão que vem sendo desenvolvida desde a eleição do presidente Lula. Vamos à luta, a ciência voltou e deve continuar sendo um fundamento da elaboração das políticas públicas no nosso país”, afirmou o novo presidente do CNPq.
O posicionamento reforça que sua gestão deverá manter os pilares estabelecidos nos últimos dois anos: recomposição de bolsas, ampliação de chamadas públicas, retomada de programas estratégicos e fortalecimento da base científica nacional.
Produção acadêmica e reconhecimento internacional
O novo presidente do CNPq é amplamente reconhecido no meio acadêmico por sua contribuição à história e epistemologia da física. Seu trabalho inclui:
- organização, em 2021, do handbook sobre história das interpretações da mecânica quântica, publicado pela Oxford University Press;
- publicação, em 2020, da biografia do físico David Bohm pela editora Springer;
- coedição, em 2011, do livro Teoria quântica: estudos históricos e implicações culturais, vencedor do Prêmio Jabuti.
Sua atuação em entidades internacionais, como a History of Science Society, a Commission on the History of Physics e a Sociedade Brasileira de História da Ciência, reforça o alinhamento entre sua trajetória e a missão do CNPq de ampliar a internacionalização da produção científica brasileira.
CNPq em fase de reconstrução sistêmica
A nomeação ocorre em um momento estratégico para o país. Desde 2023, o CNPq trabalha na reestruturação de chamadas públicas em áreas tecnológicas críticas, políticas de formação avançada, mecanismos de avaliação e fomento, e integração entre ciência, inovação e setores econômicos estratégicos.
Para o setor elétrico e energético, em particular, essa reorientação reforça a expectativa de ampliação de pesquisas em temas como transição energética, sistemas elétricos inteligentes, armazenamento, hidrogênio de baixo carbono e infraestrutura crítica.
Com a chegada de Olival Freire Junior, a expectativa é de continuidade, aprofundamento e qualificação desse ciclo.



