Pacotes reforçam expansão do SIN, ampliam capacidade de escoamento das renováveis e marcam nova fase de investimentos estruturantes na infraestrutura elétrica brasileira
O setor elétrico brasileiro se prepara para um ciclo de investimentos robusto em 2026. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou nesta sexta-feira (28/11) que o governo federal realizará dois grandes leilões de transmissão no próximo ano, com expectativa de atrair mais de R$ 25 bilhões. A iniciativa marca uma nova etapa da expansão da malha de transmissão e integra a estratégia do MME para garantir segurança energética, acelerar a transição energética e acompanhar o avanço das fontes renováveis no país.
O anúncio ocorre no momento em que o Brasil celebra a integração de 100% do território ao Sistema Interligado Nacional (SIN), um marco histórico que, segundo Silveira, consolida a “plena segurança energética” do país e viabiliza um planejamento mais eficiente da infraestrutura elétrica.
“Teremos dois grandes leilões em 2026, um em cada semestre. São mais de 25 bilhões de reais em investimentos previstos. É mais expansão, mais segurança e mais desenvolvimento para o sistema elétrico brasileiro”, Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia.
Os pacotes incluem mais de 4.300 km de linhas de transmissão e abrangem quase todas as regiões do país, conectando novas fronteiras de produção, reduzindo gargalos e garantindo capacidade para o avanço contínuo da geração eólica e solar.
Primeiro leilão: R$ 5,7 bilhões e 888 km de linhas em 12 estados
O primeiro certame de 2026 está previsto para março. Segundo o MME, os lotes já passaram pela etapa de modelagem e encontram-se na fase final de consulta pública na Aneel. O investimento estimado é de R$ 5,7 bilhões, distribuídos em 888 km de linhas que atravessam 12 estados (Bahia, Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe).
Os projetos incluem reforços estruturantes considerados prioritários para o aumento da capacidade de escoamento, o atendimento a novos empreendimentos de geração e a ampliação da resiliência do SIN, especialmente em regiões com crescimento acelerado da oferta renovável.
A modelagem inicial prevê subestações e linhas de grande porte, voltadas para mitigar sobrecargas, reforçar conexões interestaduais e apoiar expansão industrial e agrícola em estados-chave.
Segundo leilão: mais de R$ 20 bilhões e 3.500 km de linhas em um certame estratégico
O segundo leilão de transmissão, previsto para o segundo semestre de 2026, deverá movimentar mais de R$ 20 bilhões. Os estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ainda em finalização, indicam um pacote superior a 3.500 km de linhas, incluindo empreendimentos de alta complexidade técnica e grande relevância para o planejamento decenal.
Este certame é considerado estratégico por três razões:
- Atende à expansão renovável prevista para o fim da década, especialmente a nova onda de parques solares e eólicos no Nordeste e Norte.
- Destrava gargalos regionais, ampliando caminhos de escoamento em estados onde o crescimento da geração já se aproxima do limite da infraestrutura existente.
- Eleva a robustez do SIN, preparando o sistema para a digitalização, para fluxos mais dinâmicos e para maior variabilidade de fontes.
Segundo fontes do setor, o pacote tende a repetir a magnitude dos maiores leilões recentes, como o de junho de 2023, que foi o maior da história.
Anúncio ocorre durante nova movimentação da State Grid no Brasil
Silveira fez o anúncio durante cerimônia realizada pela State Grid Brazil Holding (SGBH), que celebrou a assinatura do Contrato de Compra e Venda de Ações da Mantiqueira Energia, em transação envolvendo a Brookfield.
A Mantiqueira Energia opera 13 linhas de transmissão, com mais de 1,3 mil km, conectando 54 municípios de Minas Gerais. A concessão, vigente até 2046, está em operação desde 2022.
A operação reforça o movimento contínuo de expansão da State Grid no país. Desde sua chegada, em 2010, a companhia já direcionou mais de R$ 28 bilhões em investimentos no Brasil, tornando-se uma das maiores transmissoras privadas do sistema.
“O Brasil voltou a ser um solo fértil e seguro para empreendimentos internacionais. Esses investimentos significam que a luz não vai faltar e que a economia continuará rodando a todo vapor”, afirmou Silveira durante o evento.
Além de sinalizar confiança, a movimentação da State Grid dá contexto ao apetite do mercado para os certames previstos para 2026, leilões que tendem a atrair grandes players globais e operadores com foco em ativos de longa duração.
Cenário setorial: expansão das renováveis exige reforço estrutural imediato
O anúncio dos leilões ocorre em um ambiente marcado pelo crescimento acelerado das fontes renováveis em regiões distantes dos grandes centros de carga. Nos últimos anos, a instalação de grandes complexos eólicos e solares no Nordeste e Norte ampliou a necessidade de reforços estruturais para garantir escoamento, mitigação de curtailment e estabilidade do SIN.
O MME destaca que o planejamento envolve mais do que expansão física. O novo ciclo de investimentos:
- moderniza o SIN, ampliando capacidade de controle e resposta;
- promove digitalização e automação, essenciais para lidar com fontes variáveis;
- fortalece a resiliência, reduzindo riscos de sobrecarga e desconexão intempestiva;
- prepara o sistema para maior geração distribuída e baterias, que devem crescer significativamente após 2030.
Especialistas avaliam que os volumes projetados para 2026 mantêm a tendência de grandes leilões observada em 2023 e 2024, quando o planejamento decenal indicou a necessidade de aportes robustos para sustentar a transição energética em curso no país.



