Ceará avança em energia solar com audiência da Semace sobre complexo fotovoltaico de R$ 5,5 bilhões em Beberibe

Projeto da EDF EN Brasil prevê 1,5 GW de capacidade instalada, possibilidade de armazenamento por baterias e forte participação da comunidade no licenciamento

O Ceará consolidou um novo avanço no desenvolvimento de grandes projetos de energia renovável com a realização da audiência pública da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) para apresentação e discussão do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Usina Fotovoltaica (UFV) Sol de Beberibe. O empreendimento, da EDF EN do Brasil Participações Ltda., está orçado em R$ 5,5 bilhões e poderá instalar 1,5 GW em capacidade fotovoltaica, com possibilidade de integração a sistemas de armazenamento em baterias.

A reunião, realizada nesta quinta-feira (27) no Ginásio da Escola Municipal Benedito Evaristo Pinheiro, reuniu moradores, representantes de órgãos públicos, técnicos ambientais e agentes do setor. A etapa é parte do processo de Licença Prévia (LP) e tem como objetivo garantir transparência, participação social e base técnica robusta para a análise da viabilidade ambiental.

Audiência pública reforça transparência e participação da comunidade

Durante o encontro, a Semace apresentou aspectos técnicos, sociais e ambientais do projeto, abrindo espaço para manifestações dos moradores do município de Beberibe e de regiões vizinhas. A autarquia destacou que, nesta fase, as contribuições públicas são fundamentais para aprimorar o processo de avaliação.

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Ao abordar o papel da audiência pública no licenciamento, Waslley Pinheiro, gerente de Controle Ambiental da Semace, ressaltou que a participação da sociedade é crucial para a transparência do processo.

“Permite apresentar o projeto à comunidade, esclarecer dúvidas e garantir um processo seguro e transparente”, destacou.

Complexo solar de 1,5 GW poderá incorporar sistema BESS

O EIA/RIMA, elaborado pela MRS Estudos Ambientais Ltda., detalha um dos maiores empreendimentos fotovoltaicos em análise no Ceará. O plano da EDF prevê:

  • 1.500 MW de capacidade instalada
  • 3.360.000 módulos fotovoltaicos
  • Possibilidade de integração com sistemas de armazenamento em baterias (BESS), solução que amplia flexibilidade operativa, melhora o atendimento às curvas de carga e contribui para mitigar a intermitência da geração solar.

O projeto será implementado de forma modular, com etapas de 200 MW e investimento aproximado de R$ 728 milhões por fase. O desenho do empreendimento busca combinar escala, previsibilidade de execução e capacidade de incorporar novas tecnologias à medida que o mercado de armazenamento avança.

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Geração de empregos e priorização de mão de obra local

A EDF EN destacou, durante a audiência, o potencial do projeto para impulsionar economia e geração de renda no Litoral Leste cearense. A estimativa é de 350 empregos durante a fase de implantação e 80 postos permanentes para operação e manutenção

Ao apresentar a estratégia da empresa para desenvolvimento regional, Ana Paula Azi, coordenadora de Prospecção e Desenvolvimento de Projetos da EDF Power Solutions, enfatizou que a companhia prioriza a contratação local.

“Priorizamos a mão de obra local e realizamos capacitação, garantindo que os trabalhadores possam atuar tanto na implantação quanto na operação”, afirmou.

Próximos passos: análise técnica e definição de condicionantes

Com a conclusão da audiência pública, a Semace inicia a consolidação das contribuições recebidas. A equipe técnica avaliará a viabilidade ambiental do empreendimento, impactos identificados no EIA/RIMA, medidas de mitigação e programas ambientais e definição de condicionantes para as próximas etapas do licenciamento.

Somente após essa análise será emitido o parecer sobre a concessão ou não da Licença Prévia.

Reforço à estratégia do Ceará para projetos renováveis de grande porte

O avanço da UFV Sol de Beberibe se soma à estratégia estadual de atração de investimentos em energia solar e eólica, consolidando o Ceará como polo competitivo na transição energética do país. A adoção de sistemas de armazenamento e soluções inteligentes de gestão de energia aproxima o estado de padrões internacionais de modernização da matriz, ampliando sua capacidade de integrar projetos renováveis de grande escala.

Para o setor, o projeto representa não apenas um salto em capacidade instalada, mas também um passo importante para inserção de tecnologias complementares, como BESS, que deverão ganhar protagonismo nos próximos anos, diante da crescente necessidade de flexibilidade e estabilidade operativa no Sistema Interligado Nacional.

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