Resenha mensal indica retração de 0,9% em outubro e reforça tendência de desaceleração na demanda; mercado livre avança e já responde por 45,6% do consumo
O consumo nacional de energia elétrica voltou a cair em outubro de 2025, marcando o terceiro recuo consecutivo e reforçando a trajetória de desaceleração observada ao longo do ano. Segundo a mais recente edição da Resenha Mensal de Energia, o consumo registrado foi de 47.561 GWh, queda de 0,9% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado dos últimos 12 meses, porém, ainda há crescimento marginal: alta de 0,3%, totalizando 562.383 GWh.
A tendência destaca o enfraquecimento da demanda em segmentos-chave da economia e o impacto de fatores conjunturais, como desaceleração da atividade comercial e maior eficiência energética. A única exceção foi a indústria, que apresentou desempenho positivo no mês.
Indústria é a única classe com crescimento no consumo de energia
Entre as classes de consumo, a indústria foi o único segmento a registrar alta em outubro, com avanço de 0,5% na comparação interanual. O resultado contrasta com o comportamento das demais classes, que apresentaram retração:
- Residencial: -0,8%
- Comercial: -3,3%
- Outros: -1,6%
A queda no consumo residencial reflete um cenário de estabilidade climática e possível impacto da inflação acumulada sobre o orçamento das famílias. Já o setor comercial mostra desaceleração consistente ao longo do segundo semestre, alinhado ao menor ritmo de expansão econômica.
Norte puxa crescimento regional; Sudeste volta a cair
A análise regional indica dinâmicas distintas dentro do Sistema Interligado Nacional (SIN). O Norte foi o destaque positivo, com crescimento de 2,8%, impulsionado por maior atividade industrial e expansão de novas cargas. O Nordeste (+1,0%) e o Centro-Oeste (+0,8%) também registraram avanço no consumo.
Por outro lado, o Sul (-0,1%) teve ligeira retração, enquanto o Sudeste (-2,9%) apresentou queda mais intensa, influenciado pela redução no consumo comercial e residencial nas principais áreas urbanas.
Outro marco importante de outubro foi o início da operação comercial da interligação de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A integração conclui a conexão de todos os estados brasileiros à rede nacional, encerrando décadas de isolamento elétrico no extremo Norte.
Mercado livre cresce 5,3% e consolida participação de 45,6% do consumo nacional
A abertura de mercado segue influenciando de forma decisiva a dinâmica da demanda. O mercado livre registrou consumo de 21.699 GWh em outubro, equivalente a 45,6% do total nacional. O volume representa crescimento de 5,3% em relação a outubro de 2024, acompanhado de um expressivo aumento de 37,5% no número de consumidores.
O desempenho do ambiente livre também varia regionalmente:
- Norte: maior expansão no consumo (+12,1%)
- Centro-Oeste: alta de 12,0%
- Centro-Oeste: maior salto no número de consumidores livres (+60,0%)
A intensificação da migração de cargas para o ACL segue o movimento iniciado após a abertura para todos os consumidores do grupo A (alta tensão), em janeiro de 2024, conforme estabelecido pela portaria MME nº 50/2022.
Mercado regulado encolhe 5,6% e mantém perda de consumidores
No mercado regulado, o consumo somou 25.862 GWh, equivalente a 54,4% do total nacional. O segmento apresentou queda significativa de 5,6% na comparação anual, ainda que tenha registrado leve aumento de 1,4% no número de consumidores, influenciado sobretudo pela dinâmica demográfica.
A menor retração (-1,7%) foi registrada no Nordeste, enquanto a região Norte apresentou o maior crescimento relativo no número de consumidores cativos (+3,6%).
A perda de consumidores para o mercado livre continua sendo o principal vetor de redução da carga no ambiente regulado, o que tende a pressionar distribuidoras na readequação de contratos e revisão de projeções de demanda.
Queda do consumo e expansão do ACL moldam cenário de 2026
Os dados de outubro confirmam uma tendência de recomposição estrutural no perfil da demanda nacional. A queda no consumo residencial e comercial, acompanhada do crescimento industrial e da forte migração para o ACL, deve influenciar projeções de mercado para 2026, com impactos na contratação, nas distribuidoras e na operação do sistema.
A entrada de Roraima no SIN e o avanço de consumidores livres em todas as regiões reforçam a necessidade de modelos mais flexíveis de planejamento e de atualização regulatória para acompanhar a transição do setor.



