ONS detalha Plano Emergencial de Gestão de Excedentes em workshop com distribuidoras

Encontro virtual reuniu cerca de 180 agentes para apresentar medidas excepcionais aprovadas pela Aneel e reforçar a transparência na operação do SIN em cenários de sobreoferta

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou nesta segunda-feira (24/11) os detalhes do Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição durante um workshop online que reuniu aproximadamente 180 representantes de distribuidoras diretamente envolvidas no processo.

A iniciativa ocorre poucos dias após a aprovação formal do plano pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em 18 de novembro de 2025, e integra uma estratégia de transparência e preparação do setor para cenários de sobreoferta, cada vez mais frequentes diante da expansão acelerada das fontes renováveis e da geração distribuída (GD).

Contexto: por que o Plano Emergencial se tornou necessário

Nos últimos anos, o Sistema Interligado Nacional (SIN) tem enfrentado situações de excedente de energia, especialmente em regiões com forte crescimento da GD solar. Em determinados momentos, a produção na rede de distribuição pode superar a capacidade de absorção da carga local, obrigando o ONS a adotar medidas operativas para manter a estabilidade do sistema.

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Em ciclos recentes, o Operador já havia emitido alertas sobre a necessidade de protocolos específicos para momentos em que não é mais possível reduzir a geração centralizada, que historicamente é o primeiro recurso utilizado para adequar a oferta à demanda. A aprovação deste plano emergencial pela Aneel estabelece bases formais para a atuação coordenada entre ONS e distribuidoras.

ONS destaca importância de regras claras em cenários emergenciais

Na abertura do evento, o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, destacou o caráter estratégico do encontro e o papel das distribuidoras no processo. Rea contextualizou que o workshop não se limitou à apresentação técnica do plano, mas serviu como instrumento de escuta ativa do setor.

“Mais do que uma reunião com as empresas diretamente envolvidas, foi uma chance de reiterar que nestas situações emergenciais precisamos ter procedimentos, regras e normativos para que os comandos do operador sejam realizados de forma assertiva. Esse é mais um passo decisivo para que avancemos com a integração das fontes renováveis e possamos garantir que a expansão da geração distribuída no Brasil ocorra com segurança em benefício de todos os consumidores”, disse Rea.

A fala do diretor-geral reforça uma preocupação crescente entre agentes de planejamento e operação: a necessidade de alinhar a expansão renovável com mecanismos robustos de controle, evitando riscos de instabilidade em horários de baixa demanda ou elevada produção solar.

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Medidas preventivas e transparência como pilares

Também durante a abertura, o diretor de Operação do ONS, Christiano Vieira, enfatizou que o plano possui caráter preventivo, não punitivo, e busca garantir condições seguras de operação em todo o SIN. Vieira lembrou que o objetivo central é assegurar que a sobreoferta momentânea não se transforme em riscos sistêmicos.

“A entrega do plano reforça nosso compromisso com a ampla transparência. O plano emergencial estrutura um conjunto de ações e a opção de suspensão da geração, como consta no plano, só será implementada após o esgotamento dos recursos e alternativas operativas disponíveis na geração centralizada”, destacou Vieira.

A declaração reforça que a suspensão temporária de geração distribuída, medida que tem sido alvo de atenção entre consumidores e integradores, será tratada como último recurso, aplicado somente após a ineficácia das demais ferramentas operativas.

Etapas do processo: como o ONS atuará em cenários de excedente

Durante o workshop, a equipe técnica do ONS detalhou o fluxo de atuação quando houver indicação de produção superior à demanda. As etapas incluem a identificação antecipada de risco de excedente na rede de distribuição, redução máxima da geração centralizada, dentro das limitações de segurança e estabilidade do SIN, Adoção de estratégias operativas alternativas, como redistribuição de carga ou ajustes de fluxo entre regiões e Ação emergencial, se necessário, com possível comando para suspensão temporária da geração distribuída em unidades especificadas.

    Os especialistas ressaltaram que a suspensão, apesar de prevista, tende a ser medida residual e proporcional, com critérios previamente comunicados às distribuidoras e avaliados em tempo real.

    O time técnico respondeu perguntas de diversos agentes, com foco nas responsabilidades operativas, regras de comunicação e integração dos sistemas de supervisão entre distribuidoras e o ONS.

    Medida excepcional para evitar desligamentos em cascata

    Ao longo da sessão, o ONS reforçou que o plano emergencial traz diretrizes fundamentais para evitar problemas sistêmicos graves, como desligamentos em cascata, sobrecargas e instabilidades de frequência, situações que podem afetar consumidores em todo o território nacional.

    O Operador destacou ainda que a gestão do excedente tem se tornado mais complexa com o avanço acelerado da GD solar e que, sem um protocolo claro como o aprovado pela Aneel, eventos de sobreoferta podem comprometer a segurança energética.

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