MME e EPE atualizam parâmetros de custos para geração e transmissão no PDE 2035

Novo caderno traz referências inéditas para termelétricas a biocombustíveis, projetos com captura de carbono (CCS), armazenamento em baterias e usinas reversíveis

O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgaram, nesta quarta-feira (26/11), a nova edição do Caderno de Parâmetros de Custos – Geração e Transmissão, documento que subsidia diretamente os estudos do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035. A publicação atualiza estimativas de CAPEX, O&M, custos de combustíveis e referências de investimentos para diferentes tecnologias, consolidando a base de dados utilizada no Modelo de Decisão de Investimento (MDI) da EPE.

A atualização dos parâmetros ocorre em meio à aceleração dos debates sobre segurança energética, incorporação de novas tecnologias e necessidade de expansão do sistema elétrico brasileiro com maior transparência e participação social. Segundo o MME, o documento busca aprimorar a qualidade dos estudos de planejamento, reforçar previsibilidade regulatória e ampliar o diálogo com agentes, investidores e instituições interessadas no desenvolvimento do setor.

Referências inéditas para novas fontes e tecnologias emergentes

O ponto mais relevante desta edição do caderno é a inclusão de referências de custos para tecnologias que não constavam nas versões anteriores, como termelétricas a biocombustíveis e sistemas com captura e armazenamento de carbono (CCS). A inserção reflete o avanço de discussões sobre descarbonização e a necessidade de avaliar modelos de negócio que permitam maior diversificação da matriz.

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O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou o impacto da atualização para políticas públicas voltadas à segurança energética. Antes de sua fala, vale lembrar que o PDE 2035 é o principal instrumento de médio prazo do governo federal para orientar a expansão de geração e transmissão, servindo como referência para investimentos bilionários no setor.

“Os estudos servem de base para formular políticas públicas e orientar decisões relacionadas à segurança energética. Estamos apresentando, pela primeira vez, referências de custos para fontes termelétricas a biocombustíveis e para tecnologias com captura e armazenamento de carbono (CCS), o que demonstra o comprometimento do Brasil com o desenvolvimento e a implementação de novas tecnologias”, destacou Silveira.

Custos atualizados refletem cenários nacionais e internacionais

Os parâmetros de investimento e operação foram revisados com base em amostras nacionais e referências internacionais recentes, garantindo maior aderência às condições reais de mercado. Entre os principais destaques, o caderno apresenta:

  • Armazenamento em baterias: R$ 5.000 a R$ 6.000/kW
  • Hidrelétricas reversíveis: R$ 9.100/kW
  • Eólica onshore: R$ 5.000 a R$ 7.000/kW
  • Solar fotovoltaica: R$ 3.000 a R$ 5.500/kW

A atualização inclui ainda avaliações individualizadas para novas hidrelétricas, considerando as particularidades geográficas, socioambientais e operacionais de cada projeto, uma abordagem essencial para estimar custos de forma realista em empreendimentos de grande porte.

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O documento também apresenta premissas para ampliação de usinas hidrelétricas existentes, destacando a relevância dessa estratégia para atender requisitos de flexibilidade e capacidade, especialmente em um sistema com crescente participação de renováveis variáveis.

Transmissão ganha parâmetros atualizados para grandes interligações

No segmento de transmissão, o caderno traz custos referenciais para expansão das interligações entre regiões do SIN, calculados com base em investimentos típicos em grandes troncos. Os valores consideram tecnologias em corrente alternada (CA) e corrente contínua (CC), conforme as distâncias médias entre subsistemas, informação essencial para estudos de reforços estruturais e novos corredores de transmissão.

A atualização ocorre em um momento de forte expansão do sistema de transmissão brasileiro, impulsionado por leilões recentes e pela necessidade de escoar a crescente geração renovável em estados como Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Transparência e previsibilidade para investidores e agentes

O Caderno de Parâmetros de Custos é um dos insumos mais relevantes para o planejamento energético, influenciando análises de mercado, estudos de viabilidade e decisões estratégicas de investidores. Com dados mais atualizados, a publicação contribui para reduzir assimetrias de informação e aumenta a previsibilidade para os agentes que atuam no desenvolvimento de novos projetos.

Para consultores e executivos do setor, a incorporação de tecnologias emergentes, como CCS e armazenamento, alinha o PDE 2035 às tendências internacionais de transição energética. Além disso, fortalece a capacidade do Brasil de antecipar necessidades do sistema e planejar investimentos de longo prazo com maior precisão.

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