Levantamento revela ranking dos estados com menor custo por watt-pico e reforça tendência de expansão acelerada da geração distribuída no país
O mercado brasileiro de energia solar segue consolidado como um dos mais competitivos do mundo, com custos de instalação em queda e um dos menores períodos de retorno sobre investimento (payback) no segmento residencial. É o que indica uma nova pesquisa da Solfácil, que mostra que o preço médio nacional para implantação de sistemas fotovoltaicos ficou em R$ 2,49 por watt-pico (Wp) no terceiro trimestre do ano, valor que mantém o país entre os mercados mais acessíveis para energia solar distribuída.
Além disso, os estados com menor custo apresentam um payback inferior a 36 meses, resultado que reforça a atratividade da tecnologia para consumidores, integradores e investidores.
Energia solar mantém trajetória de competitividade no Brasil
Segundo o levantamento, mesmo após oscilações nos preços globais de módulos e inversores nos últimos três anos, o Brasil manteve condições de mercado favoráveis, impulsionadas pelo avanço da cadeia de suprimentos, pela maturidade dos integradores e pela expansão do crédito especializado.
Ao comentar o desempenho do setor, o CEO e fundador da Solfácil, Fabio Carrara, destaca que o país vive um dos momentos mais vantajosos da série histórica para quem deseja investir em energia solar.
“O mercado de energia solar continua muito favorável para quem deseja investir. Os preços ainda estão abaixo dos níveis de 12 meses atrás. No Brasil, os sistemas fotovoltaicos são extremamente acessíveis, com payback inferior a três anos. Nenhum outro mercado no mundo oferece um retorno tão rápido”, afirma.
A fala de Carrara reforça a leitura de que o setor brasileiro se beneficia não apenas de preços competitivos, mas também de um ambiente regulatório sólido, ancorado pela Lei 14.300, que estabeleceu regras estáveis para a geração distribuída até 2045.
Norte e Nordeste se destacam como as regiões mais competitivas
A pesquisa da Solfácil aponta que os estados mais baratos para instalar energia solar estão concentrados principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde fatores como maior irradiação solar, estrutura logística regional, competitividade dos integradores e custos operacionais reduzem o preço final dos sistemas residenciais.
O custo mais baixo do país foi registrado no Acre, onde o investimento por watt-pico chega a R$ 2,14/Wp. Em seguida aparecem Rondônia (R$ 2,18/Wp) e Alagoas (R$ 2,30/Wp), completando o grupo de estados mais competitivos.
Ranking dos estados com menor custo (em R$/Wp)
- Acre – R$ 2,14/Wp
- Rondônia – R$ 2,18/Wp
- Alagoas – R$ 2,30/Wp
- Mato Grosso – R$ 2,31/Wp
- Mato Grosso do Sul – R$ 2,32/Wp
- Paraíba – R$ 2,35/Wp
- Piauí – R$ 2,36/Wp
- Amazonas – R$ 2,37/Wp
- Rio Grande do Norte – R$ 2,40/Wp
- Amapá – R$ 2,42/Wp
Com custos que variam entre R$ 2,14 e R$ 2,42 por watt-pico, esses estados apresentam não apenas os preços mais baixos, mas também os melhores indicadores de retorno sobre investimento.
Payback inferior a 3 anos impulsiona adesão de novos consumidores
A combinação de preços mais acessíveis e tarifas de energia elétrica historicamente elevadas em diversas regiões do país tem acelerado a adoção de sistemas fotovoltaicos residenciais. Em estados do Norte e do Nordeste, onde a radiação solar é mais intensa, o payback inferior a três anos representa um diferencial que coloca a energia solar como alternativa imediata para redução de custos.
O payback reduzido é resultado de três fatores principais:
- Custo por watt-pico abaixo da média histórica
- Aumento do consumo residencial e tarifa elevada
- Alta produtividade dos sistemas devido à irradiação mais intensa
A competitividade dos sistemas também favorece o acesso de novas faixas de consumidores, especialmente após a ampliação de modelos de financiamento, como crédito solar, leasing fotovoltaico e programas de assinatura de energia.
Mercado brasileiro segue entre os maiores do mundo
Com mais de 2,2 milhões de sistemas instalados e expansão anual superior a 30%, o Brasil permanece como um dos principais mercados globais de geração distribuída. A tendência, segundo analistas, é que o país se mantenha entre os líderes do setor até 2035, impulsionado pela queda contínua de custos, estabilidade regulatória e condições climáticas favoráveis.
A pesquisa da Solfácil confirma que o movimento de popularização deve continuar, sobretudo à medida que integradores ampliam autonomia tecnológica e consumidores adotam soluções híbridas, como baterias e sistemas de gestão de energia.



