Chamada pública integra o programa Floresta Viva, que já mobilizou mais de R$ 470 milhões e amplia a revitalização de bacias estratégicas para o setor elétrico
Durante a COP30, realizada em Belém (PA), a AXIA Energia e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram dois novos editais que somam R$ 30 milhões destinados à restauração ecológica e à revitalização de recursos hídricos. Os editais integram a iniciativa Floresta Viva, programa que já mobiliza mais de R$ 470 milhões em projetos de recomposição de vegetação nativa e recuperação de bacias hidrográficas em todo o país.
A nova rodada de investimentos contempla 96 municípios nos estados de Goiás, Minas Gerais e Pernambuco, com prioridade para áreas críticas do ponto de vista hídrico e ambiental. O movimento reforça a sinergia entre políticas de restauração florestal, desenvolvimento regional e segurança hídrica, elementos estratégicos para a operação do setor elétrico brasileiro, especialmente no contexto de usinas hidrelétricas e transmissão.
Edital Águas do Paranaíba direciona R$ 20 milhões para recomposição florestal em bacia crítica para o setor elétrico
O principal edital lançado, Águas do Paranaíba, reúne R$ 20 milhões, sendo metade financiada pelo BNDES e metade aportada pela Conta do Programa de Revitalização dos Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas da Área de Influência dos Reservatórios das Usinas Hidrelétricas no Sudeste da AXIA Energia (CPR-Furnas). A iniciativa tem como foco a recuperação da Bacia do Rio Paranaíba, que cruza 61 municípios entre Goiás e Minas Gerais e desempenha papel fundamental na formação do Rio Paraná, um dos principais eixos hídricos do país.
Os editais são voltados a instituições sem fins lucrativos, cooperativas e organizações civis há pelo menos dois anos constituídas, ampliando a capilaridade e o engajamento territorial no campo da restauração ecológica.
Ao comentar o lançamento, o vice-presidente de Regulação, Institucional e Mercado da AXIA Energia, Rodrigo Limp, contextualizou o impacto da iniciativa para a segurança hídrica e a resiliência ambiental da região.
“Ao unir esforços com o Novo PAC e o BNDES, conseguimos dobrar o impacto positivo dessa iniciativa, ampliando a escala da restauração ecológica justamente em regiões estratégicas para a segurança hídrica. A recuperação de áreas com espécies nativas não só contribui para a biodiversidade, mas também melhora a qualidade do solo e a recarga dos aquíferos, beneficiando diretamente as bacias hidrográficas onde operamos.”
Além da recomposição florestal, o edital prevê o fortalecimento da cadeia produtiva da restauração, com foco em capacitação profissional para coleta de sementes, produção de mudas, plantio, monitoramento e manejo adaptativo. O envolvimento de comunidades locais é apontado como elemento central para garantir legitimidade, permanência e geração de renda associada às iniciativas de campo.
Restauro florestal como política de Estado: BNDES reforça ambição nacional
Durante o anúncio, a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou que a estratégia de restauração vai além da captura de carbono e deve se consolidar como política estruturante de desenvolvimento socioambiental.
“A nossa ambição é que o Brasil passe a ser referência mundial em restauro florestal. Restauro de alta integridade. Não estamos falando só de carbono, estamos falando de fato de recuperação das nossas florestas, de reconstrução das florestas com geração de emprego e renda. Não estamos só trabalhando com uma ação pontual e focada. Nós queremos que essa agenda se torne estratégica, não só econômica, mas de reconstrução do conjunto dos nossos biomas.”
O posicionamento reforça a abordagem ampliada do Floresta Viva, que integra metas ambientais, econômicas e sociais em diferentes biomas. Segundo o BNDES, a recuperação de áreas degradadas e matas ciliares está diretamente associada à redução da vulnerabilidade hídrica, mitigação de eventos extremos, manutenção de vazões e estabilidade da operação do sistema elétrico nacional.
Governança e coordenação institucional reforçam prioridade hídrica
A seleção dos projetos será conduzida pelo Comitê Gestor da CPR-Furnas, que envolve o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Ministério de Minas e Energia (MME) e é presidido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
O secretário executivo da CPR-Furnas e secretário nacional de Segurança Hídrica, Giuseppe Serra Seca Vieira, destacou o alinhamento do edital às políticas federais em curso e sua grande sinergia com programas de revitalização de bacias.
“A ação aprovada apresenta grande sinergia com o Programa Nacional de Revitalização de Bacias Hidrográficas, além de atender as diretrizes do Programa de Revitalização dos Recursos Hídricos da CPR – Furnas. Ademais, oferece uma alternativa inovadora para ampliar as ações de restauração e revitalização dos recursos hídricos por meio do estabelecimento desta parceria entre dois instrumentos de reforço desta agenda ambiental tão importante para a resiliência hídrica do país.”
AXIA reforça compromisso socioambiental após capitalização
Desde sua privatização, a AXIA Energia passou a cumprir compromissos legais ligados a programas de desenvolvimento regional e ações ambientais. A companhia, maior geradora 100% renovável do Hemisfério Sul, com 81 usinas e participação de 17% da capacidade de geração nacional, tem ampliado investimentos em revitalização hídrica e sustentabilidade como diretriz estratégica.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, reforçou o impacto social e ambiental dos editais, reafirmando o compromisso da instituição com a revitalização hídrica e a geração de empregos verdes.
“Com esta nova chamada do Floresta Viva com a AXIA Energia, o BNDES reafirma seu compromisso com a revitalização dos rios por meio de ações de recuperação hídrica. Essas iniciativas não somente fortalecem a resiliência dos ecossistemas frente a secas e enchentes, promovendo segurança hídrica e sustentabilidade ambiental, mas também criam renda na cadeia produtiva e empregos verdes.”
FUNBIO destaca relevância do Paranaíba e fortalecimento da cadeia da restauração
O FUNBIO (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade), parceiro gestor da primeira fase do programa, reforçou a importância estratégica do novo edital, com o superintendente de Programas, Manoel Serrão, destacando o papel do Rio Paranaíba.
“O Rio Paranaíba exerce papel estratégico na formação do Rio Paraná, atravessando áreas essenciais do bioma Cerrado. Com este edital, o programa Floresta Viva pretende fortalecer a cadeia da restauração ecológica e fomentar alternativas socioeconômicas sustentáveis para os moradores de uma região-chave para a conservação ambiental e a segurança hídrica do país.”
Floresta Viva: R$ 470 milhões já mobilizados e nova fase de expansão
Criado para apoiar projetos de restauração ecológica com espécies nativas e sistemas agroflorestais (SAFs), o Floresta Viva já mobilizou R$ 470 milhões, metade oriunda do Fundo Socioambiental do BNDES. O programa já conta com 15 editais, incluindo três novos anunciados na COP30.
A iniciativa recebeu o Prêmio Alide 2024, reconhecimento internacional pelo modelo inovador de gestão compartilhada e parceria entre atores públicos e privados.
Em sua nova fase, Floresta Viva 2025, o BNDES alocou R$ 100 milhões iniciais voltados aos biomas Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica, com expectativa de alcançar R$ 250 milhões com novos parceiros.



