Ferramenta lançada por Sebrae, MEMP, OEI e BNDES durante a COP30 aposta em pré-enquadramento automático de projetos, capacitação climática e conexão com bancos para acelerar a economia de baixo carbono
A agenda de financiamento verde para pequenos negócios ganhou uma nova ferramenta capaz de alterar o ritmo da inclusão produtiva e da transição climática no Brasil. Durante a COP30, realizada em Belém, o Sebrae, o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), a Organização de Estados Ibero-americanos (OEI) e o BNDES lançaram a Plataforma Empreender Clima, um hub digital concebido para reduzir barreiras históricas no acesso de micro e pequenos empreendedores ao crédito climático.
A iniciativa integra capacitação técnica, mapeamento do ecossistema climático, catálogo de linhas de financiamento, incluindo o Fundo Clima, principal fonte de recursos climáticos públicos do país, e um sistema inédito de pré-enquadramento automático de projetos, projetado para aproximar pequenos empreendedores das instituições financeiras credenciadas.
Com o lançamento, o governo e os parceiros esperam ampliar a capilaridade do financiamento sustentável, fortalecer a economia de baixo carbono no nível local e reduzir dificuldades que tradicionalmente afastam pequenos negócios de instrumentos financeiros verdes.
Ferramenta reúne pré-enquadramento, formação climática e integração com bancos
O principal diferencial técnico da Plataforma Empreender Clima é o sistema de pré-enquadramento automático, um mecanismo que orienta o empreendedor desde a formatação da proposta até a geração de um PDF finalizado, compatível com os critérios exigidos pelas linhas do Fundo Clima. Esse documento pode ser enviado diretamente às instituições financeiras participantes, reduzindo etapas e acelerando o processo de análise.
Até o momento, Bradesco, BDMG, BRDE, Banrisul e Desenbahia aderiram ao ecossistema, permitindo que o crédito verde avance de maneira mais homogênea por diferentes regiões do país.
Ao lançar a Plataforma Empreender Clima, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou a ferramenta como um motor de desenvolvimento sustentável e fez a seguinte análise sobre seu impacto econômico.
“A Plataforma Empreender Clima vai fortalecer a economia brasileira. Ela estimula a atividade empreendedora, amplia a geração de empregos e cria mais oportunidades de renda para a população”, destaca Alckmin.
Capacitação climática e foco em vulnerabilidade produtiva
Além de destravar o acesso ao crédito, a plataforma oferece cursos, trilhas formativas e conteúdos voltados à qualificação técnica dos pequenos negócios em práticas de baixo carbono. A solução também será integrada ao Projeto Pró-Catadores, ampliando o alcance de formação e financiamento para profissionais do setor de resíduos sólidos, um segmento crucial para a economia circular.
Ao comentar sobre a importância da nova ferramenta, o presidente do Sebrae, Décio Lima, destacou o papel da Plataforma Empreender Clima na construção de resiliência econômica para as micro e pequenas empresas frente aos impactos climáticos.
“As micro e pequenas empresas são a força viva da economia brasileira e também as mais vulneráveis aos impactos climáticos. Esta é uma resposta concreta, estruturada e histórica”, reforçou Décio.
A afirmação se articula com a necessidade crescente de preparar empreendedores para riscos associados a eventos extremos, variações de energia, interrupções logísticas e mudanças regulatórias.
Crédito mais barato e incentivo à formalização de pequenos negócios
Um dos elementos centrais da política pública anunciada é o objetivo de reduzir drasticamente o custo do crédito para pequenos empreendedores, especialmente aqueles que hoje enfrentam taxas superiores a 30% ao ano.
Márcio França, ministro do MEMP, destacou a Plataforma Empreender Clima como um marco, enfatizando seu efeito transformador ao democratizar o acesso às linhas verdes do Fundo Clima
“A Plataforma Empreender Clima é um dos maiores legados desta COP. Ela leva crédito acessível a quem hoje paga até 30% ao ano. Com taxas próximas de 4%, damos aos pequenos negócios a chance real de crescer, se formalizar e gerar emprego. É uma virada histórica”, afirmou França.
A fala reforça que a medida tem potencial não apenas para expandir investimentos em sustentabilidade, mas também para estimular a formalização, hoje um dos maiores desafios estruturais das micro e pequenas empresas brasileiras.
BNDES amplia oferta de recursos climáticos e aposta em assistente virtual
O BNDES, gestor do Fundo Clima desde 2011, apresentou novos dados sobre a escala da política de financiamento verde no país. De acordo com a instituição, o volume disponível para financiamentos ambientais saltou de R$ 1 bilhão em 2023 para R$ 20 bilhões em 2024, um aumento sem precedentes na capacidade de indução de investimentos sustentáveis.
Ao comentar sobre as operações da plataforma, a chefe do Departamento de Operações do banco, Camila Costa, ressaltou o papel da inovação tecnológica para facilitar o acesso ao crédito.
“A grande novidade é o assistente virtual que apoia os pequenos na elaboração de projetos aptos a serem apresentados à rede de bancos parceiros. É uma jornada que vamos trilhar com muita força, garantindo assessoria técnica e ampliando o acesso ao crédito”, comentou Camila.
Financiamento verde precisa alcançar o “Brasil real”, diz OEI
A dimensão social da agenda climática também foi enfatizada pela Organização de Estados Ibero-americanos. O chefe de representação da OEI no Brasil, Rodrigo Rossi, abordou o desafio de levar o financiamento verde para regiões periféricas, áreas rurais e territórios economicamente marginalizados.
“A transformação climática não pode ficar restrita, precisa alcançar quem empreende nos territórios e sustenta a base produtiva. Isso exige formação, capacitação e instrumentos para os pequenos”, conclui Rossi.
A OEI já discute com os parceiros a expansão da plataforma para novas cadeias produtivas, como bioeconomia, agroflorestas e manejo sustentável, setores estratégicos na transição ecológica brasileira.
Integração com o Acredita Sustentabilidade fecha ciclo de apoio
A Plataforma Empreender Clima será integrada ao Acredita Sustentabilidade, programa do Sebrae também lançado na COP30, ampliando ainda mais o alcance das políticas de fomento climático. A integração cria uma jornada completa: diagnóstico, capacitação, elaboração do projeto, pré-enquadramento e acesso ao crédito.
Com isso, empreendedores poderão financiar ações em eficiência energética, gestão de resíduos, economia circular, tecnologias de baixo carbono e inovação sustentável.
O objetivo é fortalecer uma base produtiva resiliente, capaz de competir globalmente em um cenário econômico cada vez mais orientado pela descarbonização.



