AXIA Energia avança na transição energética da Amazônia com instalação de usinas solares em unidades do Exército

Projetos em Tefé e São Gabriel da Cachoeira incluem sistemas BESS e devem reduzir emissões, custos e dependência de diesel em bases isoladas

A AXIA Energia vai executar dois projetos estratégicos de transição energética em unidades do Exército Brasileiro na Amazônia, com a instalação de usinas solares integradas a sistemas de armazenamento por baterias (BESS). As iniciativas contemplam organizações militares em Tefé e São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, regiões que não estão conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e que dependem majoritariamente de geração térmica a óleo diesel.

Os investimentos somam cerca de R$ 9,5 milhões, provenientes da Conta de Desenvolvimento da Amazônia Legal (CDAL), e incluem parceria com a Baterias Moura, responsável pela concepção, integração e implantação dos sistemas de armazenamento. A AXIA ficará a cargo da engenharia consultiva e do desenvolvimento técnico até o nível executivo.

Os projetos integram o esforço federal para reduzir o uso de combustíveis fósseis em sistemas isolados, ao mesmo tempo em que fortalecem a presença do Estado em áreas remotas, onde questões logísticas, ambientais e de segurança nacional estão diretamente ligadas à confiabilidade energética.

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Transição energética em áreas remotas

As unidades militares contempladas enfrentam elevados custos logísticos para o transporte de diesel, alto risco operacional decorrente de serviços termelétricos intermitentes e desafios ambientais associados às emissões de CO₂. A adoção de sistemas fotovoltaicos combinados a baterias aparece como solução para mitigar essas vulnerabilidades.

A AXIA Energia ressalta que os projetos integram compromissos assumidos pela companhia desde sua capitalização, que incluem o repasse anual de recursos para programas de desenvolvimento regional sob coordenação dos ministérios de Minas e Energia (MME) e da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR).

O diretor de Engenharia e Implantação de Fundos Regionais da AXIA Energia, Domingos Andreatta, destacou o caráter estratégico e sustentável da iniciativa. Ele frisou que o projeto, conduzido no âmbito do Comitê Gestor do Pró-Amazônia Legal, é uma peça chave no compromisso da empresa em promover um futuro energético mais justo.

“Este projeto, apresentado e conduzido pela AXIA Energia no âmbito do Comitê Gestor do Pró-Amazônia Legal, reafirma o nosso compromisso com a sustentabilidade e o futuro energético do Brasil. Colaborar para levar energia limpa para sistemas isolados na Amazônia é um passo fundamental para um futuro mais verde e justo”, destacou Andreatta.

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Tefé: maior custo de geração isolada do país

A 16ª Brigada de Infantaria de Selva, em Tefé, receberá um sistema solar de 503,25 kWp. Trata-se atualmente da unidade com maior custo de geração isolada do Brasil e segunda pior em perdas no sistema.

O projeto, que receberá aporte de aproximadamente R$ 5,4 milhões, estima evitar quase 11 mil toneladas de CO₂ em até 15 anos. No mesmo período, o Exército projeta benefício de R$ 23 milhões à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), fundo que subsidia a geração térmica em sistemas isolados.

São Gabriel da Cachoeira: reforço à infraestrutura de fronteira

No Comando de Fronteira Rio Negro – 5º Batalhão de Infantaria de Selva, em São Gabriel da Cachoeira, o sistema terá capacidade instalada de 382 kWp. As estimativas apontam para uma redução de cerca de 8 mil toneladas de CO₂ e benefício de R$ 16 milhões à CCC ao longo de 15 anos.

Essas unidades são fundamentais para as operações de proteção de fronteiras, coordenação de pelotões especiais e apoio às comunidades indígenas e ribeirinhas. A segurança energética é vista como elemento crítico para manter esse conjunto de operações, especialmente em localidades de difícil acesso.

Infraestrutura, logística e impacto regional

Segundo diretrizes do Comando Militar da Amazônia (CMA), a transição energética das bases militares representa alívio logístico significativo, reduzindo o transporte de combustível por vias aéreas, fluviais e terrestres. Além disso, fortalece a autonomia operacional das organizações militares, garantindo fontes estáveis para comunicação, sistemas de vigilância, refrigeração de medicamentos, mobilização tática e outras funções essenciais.

A presença de uma infraestrutura energética mais robusta também gera impacto positivo para as populações locais, uma vez que a operação contínua das unidades militares garante apoio emergencial, segurança e integração territorial.

Implantação, manutenção e tecnologia BESS

O Exército será responsável pela manutenção dos sistemas após a implantação. Já a Baterias Moura fornecerá os equipamentos, executará as obras e realizará o comissionamento, calibrando arquitetura, controle e operação de acordo com o perfil de carga das unidades e as condições climáticas amazônicas.

Antes de detalhar os resultados projetados, a Moura destacou o papel estratégico do sistema BESS (Battery Energy Storage Systems) para garantir segurança e independência em localidades remotas. Em complemento técnico, o gerente de negócios de armazenamento de energia da empresa, Adalberto Campello, forneceu as expectativas financeiras e ambientais do projeto.

“O resultado esperado é maior segurança e independência energética para as unidades não conectadas ao SIN, apoio direto à soberania energética e a redução total, com as duas tecnologias, de até 19 mil toneladas de CO₂ em emissões e R$ 39 milhões em benefício associado à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), ao longo de todo o ciclo do projeto”, afirma Campello.

O cronograma prevê seis meses de desenvolvimento e até 18 meses para implantação dos sistemas.

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