Resultado é impactado por retração no mercado cativo, menor volume de energia transportada e redução de margens na comercialização, enquanto receita líquida avança no período
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) divulgou seus resultados referentes ao terceiro trimestre de 2025 com forte retração na linha final do balanço. O lucro líquido caiu 75,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 797 milhões. O movimento reflete um trimestre marcado pela diminuição do mercado cativo, redução no volume de energia transportada pela distribuidora Cemig D e pressão sobre margens em comercialização e geração, fatores que também influenciaram o desempenho operacional medido pelo Ebitda ajustado.
O Ebitda ajustado alcançou R$ 1,47 bilhão no trimestre, queda de 16,2% na comparação anual. O número ficou abaixo da projeção média dos analistas consultados pela IBES/LSEG, que apontava para R$ 1,7 bilhão. Apesar disso, a companhia apresentou crescimento de 4,64% na receita líquida, que somou R$ 10,6 bilhões entre julho e setembro.
A seguir, uma análise detalhada dos resultados e dos fatores estruturais que pressionaram o desempenho da elétrica mineira.
Pressão operacional reduz Ebitda ajustado, apesar do crescimento da receita
O principal indicador operacional da companhia, o Ebitda ajustado, registrou retração relevante no trimestre. A Cemig atribuiu o desempenho a três fatores centrais:
- redução do mercado cativo de energia,
- menor quantidade de energia transportada pela distribuidora, e
- compressão de margens na comercialização e na geração.
Esses elementos consolidaram um trimestre mais desafiador para o grupo, que vem ampliando investimentos em modernização, expansão da rede de distribuição e digitalização das operações, mas ainda enfrenta o impacto da migração de consumidores para o mercado livre.
Mercado cativo e energia transportada: dinâmica da migração para o ACL pesa nos números
O mercado cativo da Cemig segue em trajetória de retração, acompanhando o movimento nacional de aumento da migração de cargas para o Ambiente de Contratação Livre (ACL). Esse fenômeno tem reduzido a quantidade de energia faturada no mercado regulado e, consequentemente, pressionado a receita operacional e o Ebitda da distribuidora.
Da mesma forma, o volume de energia transportada pela Cemig D apresentou queda, refletindo tanto a migração de grandes consumidores quanto oscilações conjunturais de demanda. A menor utilização das redes impacta a receita com tarifas de uso e reduz o desempenho do segmento, que historicamente responde pela maior parte do resultado recorrente da empresa.
Comercialização e geração enfrentam redução de margens
Outro vetor de pressão no trimestre veio da área de comercialização de energia, que apresentou margem menor em função da volatilidade dos preços de curto prazo e da dinâmica mais competitiva do mercado livre. Cenários recentes de redução do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) e maior oferta de contratos têm comprimido spreads e exigido estratégias mais conservadoras das comercializadoras.
No segmento de geração, o recuo do Ebitda refletiu a combinação entre menor disponibilidade hidrológica em determinados períodos e ajustes de portfólio que impactaram a rentabilidade consolidada. Esses movimentos adicionaram mais pressão ao resultado operacional.
Receita líquida cresce, mas insuficiente para neutralizar retração no lucro
Apesar da queda expressiva no lucro e no Ebitda, a receita líquida da Cemig cresceu 4,64% no trimestre, alcançando R$ 10,6 bilhões. O avanço reflete reajustes tarifários aplicados na distribuição, maior receita em projetos estruturantes e recomposição de itens regulatórios.
Contudo, o aumento de receita não foi suficiente para compensar integralmente a queda nas margens e o desempenho mais fraco nos principais segmentos operacionais.
Perspectivas: desafios persistem, mas investimentos seguem robustos
A Cemig mantém um plano de investimentos robusto até 2025, com foco em digitalização, modernização da rede de distribuição, expansão da capacidade de geração distribuída e reforço da infraestrutura elétrica para atender ao crescimento das cargas e à transição energética.
Mesmo diante de um trimestre marcado por pressão operacional, a empresa segue entre as principais utilities brasileiras em termos de rentabilidade, escala e qualidade de ativos. Contudo, o cenário de migração acelerada para o mercado livre e a volatilidade das margens de comercialização exigem ajustes contínuos de estratégia.
O desempenho dos próximos trimestres dependerá da recomposição das margens, da eficiência operacional e da capacidade de a empresa capturar valor em segmentos mais dinâmicos, como geração distribuída, serviços de energia e soluções para clientes corporativos.



