Norte e Nordeste seguem em alta, enquanto Sudeste/Centro-Oeste registra maior retração mensal; ONS atribui resultado a fatores climáticos e calendário
A carga de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN) registrou queda de 1,5% em setembro de 2025, alcançando 80.022 MWmed, de acordo com o Boletim Mensal de Carga divulgado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Apesar da retração no dado mensal, o indicador mantém trajetória de crescimento no horizonte ampliado: no acumulado dos últimos 12 meses, houve alta de 1,7% em comparação com o período imediatamente anterior.
A oscilação reforça o comportamento mais moderado do consumo de energia ao longo do segundo semestre, em um contexto marcado por temperaturas dentro da média histórica, feriado prolongado e dinâmica industrial heterogênea entre os subsistemas.
Análise regional: Norte e Nordeste avançam; Sudeste/Centro-Oeste concentra retração
Os dados por subsistema revelam o descolamento regional do comportamento da carga, padrão que tem se intensificado desde 2023, impulsionado tanto por fatores estruturais quanto conjunturais.
O subsistema Norte apresentou o maior avanço relativo, com alta de 4,6%, totalizando 8.835 MWmed. O resultado reflete a continuidade de expansão industrial em polos intensivos em energia, especialmente nos estados do Pará e Amazonas, além do efeito climático mais ameno na região.
No Nordeste, a carga cresceu 2,2%, alcançando 13.396 MWmed, puxada por atividades do setor de serviços e pela retomada de segmentos industriais nos estados litorâneos. A região mantém trajetória consistente de aumento, influenciada também pela ampliação da geração renovável, que reduz custos marginais e estimula consumo empresarial.
Em movimento oposto, o Sudeste/Centro-Oeste, subsistema responsável por quase metade do consumo nacional, registrou a maior queda: retração de 3,9%, com 44.896 MWmed. A redução está diretamente associada ao desempenho mais moderado da indústria paulista e mineira, além da influência climática de temperaturas mais baixas que o padrão histórico.
O subsistema Sul apresentou leve recuo de 0,5%, totalizando 12.895 MWmed, comportamento que segue alinhado à recomposição hidrológica observada no segundo semestre, com impacto sobre o uso de climatização e processos industriais.
Ao observar o acumulado dos últimos 12 meses, entretanto, o cenário é mais homogêneo: todas as regiões registram expansão. O Norte lidera com 6%, seguido pelo Sul (3,2%), Nordeste (1,7%) e Sudeste/Centro-Oeste (0,6%). A convergência indica que o resultado de setembro é mais associado a um ponto fora da curva do que a uma mudança estrutural das tendências de consumo.
Fatores climáticos e calendário explicam parte relevante da retração
O ONS destaca, no boletim, que o comportamento da carga foi fortemente influenciado por variáveis meteorológicas. Em setembro, as temperaturas máximas ficaram em torno da média ou abaixo da média histórica em grande parte das capitais dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Norte, justamente as regiões de maior intensidade de demanda por refrigeração e climatização.
Além disso, houve precipitação acima da média no centro-sul do Amazonas, o que também contribui para reduzir a necessidade de resfriamento em ambientes residenciais e comerciais.
Outro ponto citado no relatório é o impacto do feriado da Independência (7 de setembro), que em 2025 ocorreu no primeiro domingo do mês. A combinação entre feriado nacional, fim de semana e temperaturas mais amenas reduz de forma expressiva a carga industrial e comercial, efeito sazonal conhecido e monitorado pelo operador.
Longo prazo preserva tendência positiva para o consumo de energia
Especialistas apontam que, embora o dado tenha registrado queda no recorte mensal, o avanço de 1,7% no acumulado de 12 meses reflete um mercado de energia que segue crescendo de forma alinhada à expansão econômica e demográfica.
O resultado também preserva a coerência das projeções estruturais do setor elétrico, que apontam aumento gradual da carga nos próximos anos, especialmente com a retomada de investimentos industriais e a digitalização crescente de setores produtivos.
Essa avaliação é compartilhada por agentes do mercado, que enxergam os dados de setembro como um movimento conjuntural. O próprio ONS ressalta que o comportamento de carga é naturalmente sensível a condições climáticas, calendários e à variabilidade de curto prazo do consumo econômico.



