Brasil reforça cooperação com países do Sul Global em minerais estratégicos durante a COP30

MME destaca papel do Sul Global na transição energética e defende desenvolvimento sustentável e industrialização verde como pilares da nova política mineral brasileira

Durante a COP30, realizada em Belém (PA), o Ministério de Minas e Energia (MME) reforçou a importância da cooperação entre países do Sul Global para o fortalecimento da cadeia de minerais estratégicos, fundamentais para a transição energética mundial.

A pauta foi debatida nesta quinta-feira (13/11), durante a mesa-redonda South-South Solidarity in Action: Redefining Critical Minerals for a Shared Future, que contou com a participação de representantes do governo do Zimbábue e de outros países em desenvolvimento.

O evento destacou que o futuro da transição energética depende da capacidade das nações do Sul Global de agregar valor aos seus recursos minerais, promovendo industrialização sustentável, inovação tecnológica e soberania mineral.

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Sul Global como protagonista da transição energética

Representando o MME, o Coordenador-Geral de Minerais Estratégicos e Transição Energética no Setor Mineral, Gustavo Masili, ressaltou que o momento representa uma oportunidade histórica para os países detentores das principais reservas minerais do planeta.

“A transição energética global representa uma grande oportunidade para os países do Sul Global. Somos nós que detemos a maior parte das reservas dos minerais essenciais para tecnologias limpas – baterias, turbinas eólicas, semicondutores, robôs e veículos elétricos. A cooperação Sul-Sul busca fortalecer nossa capacidade de transformação, inovação e industrialização”, disse.

A fala reforça a visão de que o Sul Global, especialmente América Latina e África, é indispensável para o avanço das tecnologias de baixo carbono, que dependem de insumos como lítio, cobre, níquel, cobalto, grafita e terras raras. O desafio, segundo Masili, é transformar a vantagem geológica em valor econômico e tecnológico, rompendo com o modelo histórico de exportação primária.

Política mineral orientada pela sustentabilidade e inovação

Masili também destacou os avanços recentes da política mineral brasileira, que vem sendo redesenhada para conciliar segurança energética, inovação e responsabilidade ambiental. Ele detalhou que o MME trabalha para estruturar toda a cadeia de minerais estratégicos, da pesquisa geológica à industrialização verde, estimulando investimentos em tecnologia, infraestrutura e capacitação profissional.

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“Estamos avançando em uma nova agenda mineral baseada em sustentabilidade, inovação e valorização dos nossos recursos. O MME tem atuado para estruturar toda a cadeia de minerais estratégicos, desde a pesquisa geológica até a fabricação de insumos estratégicos, como ímãs permanentes e baterias. Também estamos promovendo parcerias com países latino-americanos e africanos para troca de conhecimento, desenvolvimento de capacidades e identificação de oportunidades conjuntas em transformação mineral. Acreditamos que a solidariedade e a integração entre os países do Sul Global são essenciais para capturar o verdadeiro valor da transição energética. Temos um desafio em comum: transformar nossa riqueza geológica em riqueza tecnológica, social e ambiental”, afirmou.

A nova política busca integrar inovação, financiamento e sustentabilidade, com foco no desenvolvimento local das cadeias produtivas e na redução das desigualdades regionais. Essa estratégia está alinhada às diretrizes da transição energética justa, que busca assegurar que os benefícios econômicos e sociais da descarbonização sejam amplamente distribuídos.

Cooperação Sul-Sul e soberania mineral

O fortalecimento da cooperação Sul-Sul foi um dos principais pontos defendidos durante o encontro. Essa articulação entre países em desenvolvimento visa promover troca de conhecimento técnico, capacitação profissional, compartilhamento de tecnologias limpas e boas práticas de governança mineral.

O objetivo é construir uma agenda geopolítica cooperativa que garanta autonomia e protagonismo ao Sul Global em um contexto internacional marcado pela crescente demanda por minerais críticos, impulsionada pela expansão de setores como mobilidade elétrica, geração renovável e armazenamento de energia.

O MME defende que essa integração é fundamental para evitar a reprodução de assimetrias históricas nas cadeias de valor e para assegurar que o Brasil e seus parceiros liderem uma nova fase de industrialização verde, baseada em inovação, sustentabilidade e inclusão.

Brasil quer protagonismo na transição energética justa

Ao se posicionar como anfitrião da COP30, o Brasil tem buscado consolidar sua imagem de líder do Sul Global na transição energética justa. No contexto mineral, essa liderança passa pela valorização dos recursos estratégicos nacionais, com responsabilidade socioambiental e compromisso com a neutralidade de carbono.

A nova política mineral brasileira se conecta diretamente à Política Nacional de Transição Energética, que tem como um de seus pilares o fomento à produção sustentável de insumos para energias limpas, com destaque para materiais utilizados em baterias e eletromobilidade.

Papel estratégico dos minerais na transição global

Os minerais críticos e estratégicos são essenciais para a descarbonização da economia, compondo a base tecnológica de painéis solares, turbinas eólicas, veículos elétricos, semicondutores e sistemas de armazenamento de energia.

Nesse cenário, o Sul Global detém mais de 60% das reservas mundiais desses insumos, o que reforça a importância de políticas públicas voltadas à industrialização local e à redução da dependência de importações de produtos de alto valor agregado.

O diálogo Sul-Sul, promovido durante a COP30, reforça o compromisso do Brasil com uma transição energética justa, inclusiva e soberana, baseada na cooperação internacional e no fortalecimento de cadeias produtivas regionais.

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