Parceria inédita busca reduzir a dependência do diesel e ampliar o uso de fontes renováveis em sistemas isolados da Amazônia Legal, com foco em energia solar, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas
O Banco da Amazônia (BASA) está prestes a concluir uma operação de crédito de US$ 100 milhões com o Banco Mundial voltada à transição energética na Amazônia Legal. O financiamento, que contará com garantia soberana da República Federativa do Brasil, representa um dos maiores aportes já realizados na região para reduzir os custos de energia e substituir combustíveis fósseis por fontes renováveis.
O projeto, denominado Aceleração da Transição Energética na Amazônia, tem como objetivo promover o desenvolvimento sustentável e ampliar o acesso à energia limpa em áreas ainda não conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A iniciativa busca integrar sistemas isolados, garantir maior eficiência energética e reduzir a dependência do diesel, combustível que ainda responde pela maior parte da geração elétrica em diversas localidades amazônicas.
Fontes renováveis e soluções híbridas serão prioridade
De acordo com o BASA, os recursos do financiamento serão direcionados a projetos de energia solar, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), biomassa e soluções híbridas, como sistemas que combinam diesel, painéis solares e baterias de armazenamento.
A estratégia reflete uma tendência crescente de diversificação da matriz elétrica regional, estimulando o uso de tecnologias que conciliam segurança energética, sustentabilidade ambiental e inclusão social.
Esses investimentos devem contribuir não apenas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, mas também para diminuir o custo médio da energia em comunidades que hoje dependem de geradores a diesel, operação onerosa e altamente poluente, sustentada por subsídios federais via Conta de Consumo de Combustíveis (CCC).
Etapas do projeto e cooperação técnica com o Banco Mundial
O acordo com o Banco Mundial já recebeu aprovação da diretoria da instituição financeira internacional e está em fase final de formalização com o governo brasileiro e o Banco da Amazônia.
Durante a fase preparatória, o BASA recebeu US$ 500 mil em recursos não reembolsáveis destinados à assistência técnica para estruturação do projeto. Esses fundos permitiram o desenho das linhas de crédito, o mapeamento dos potenciais beneficiários e a avaliação dos impactos ambientais e sociais associados às novas infraestruturas energéticas.
Além do financiamento principal, o pacote prevê US$ 2,75 milhões adicionais voltados ao fortalecimento da capacidade técnica do Banco da Amazônia. Esse montante será utilizado em programas de capacitação de jovens, mulheres e minorias no setor de energia limpa, no desenvolvimento de novos produtos financeiros verdes e no aperfeiçoamento do monitoramento e avaliação de projetos financiados pela instituição.
Transição energética como vetor de desenvolvimento regional
A operação insere-se em um contexto mais amplo de valorização da Amazônia Legal como vetor estratégico da transição energética brasileira. A região abriga vasto potencial para a geração de energia solar, hídrica e de biomassa, mas ainda enfrenta grandes desafios de acesso, infraestrutura e regulação.
Com o novo programa, o BASA busca impulsionar o desenvolvimento local e fomentar cadeias produtivas sustentáveis, alinhando-se às metas de neutralidade de carbono e aos compromissos do Brasil no Acordo de Paris.
Especialistas do setor avaliam que o projeto pode funcionar como modelo replicável para outras regiões de difícil acesso no país, demonstrando como o financiamento verde e a cooperação internacional podem acelerar a descarbonização da matriz elétrica.
Além disso, o programa reforça o papel do Banco da Amazônia como instrumento de política pública, ampliando sua atuação como agente de crédito para iniciativas de baixo carbono, em sintonia com as diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Banco Central, que vêm estimulando a finança sustentável como eixo estruturante da política energética nacional.
Inclusão e inovação como pilares da estratégia
Um dos diferenciais do projeto é o enfoque na inclusão social e de gênero. O Banco Mundial e o BASA pretendem utilizar parte dos recursos para formar mão de obra local e estimular o empreendedorismo feminino e indígena em cadeias relacionadas à energia limpa.
Essas ações serão articuladas com o desenvolvimento de novos produtos financeiros verdes, voltados para pequenos empreendedores, cooperativas e governos locais interessados em implantar soluções sustentáveis. A meta é criar um ecossistema regional de energia limpa, combinando financiamento acessível, capacitação técnica e inovação tecnológica.
Perspectivas e próximos passos
A expectativa é que a formalização da operação ocorra até o início de 2026, com desembolsos escalonados ao longo dos anos seguintes. A partir da assinatura, o Banco da Amazônia deverá publicar editais específicos de financiamento, priorizando projetos em comunidades isoladas e áreas de alta vulnerabilidade energética.
A cooperação com o Banco Mundial marca uma nova fase da política de crédito verde na Amazônia, reforçando a visão de que a transição energética é também uma oportunidade de inclusão social e desenvolvimento econômico sustentável.



