Ação técnica na Subestação Oriximiná (PA) busca corrigir falhas em linhas de transmissão que causaram perturbações em 2025 e garantir mais estabilidade no fornecimento de energia à Região Norte
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) realizou, na última semana de outubro, uma importante ação de fiscalização em campo na Subestação Oriximiná, localizada no Pará. O objetivo é investigar falhas em linhas de transmissão que, ao longo de 2025, causaram perturbações na interligação entre o sistema elétrico de Manaus e o Sistema Interligado Nacional (SIN), estrutura que conecta praticamente todo o país em uma única malha de energia.
A operação faz parte de uma estratégia mais ampla da ANEEL para aumentar a confiabilidade do sistema elétrico brasileiro, especialmente em regiões com histórico recente de instabilidade. A interligação Norte–Sudeste, responsável por garantir o fluxo energético entre sistemas regionais, é essencial para a segurança do suprimento de energia na Amazônia.
Identificação das causas dos desligamentos no sistema Norte
Durante a ação, a equipe técnica da ANEEL realizou uma inspeção detalhada nos equipamentos sob concessão da Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE), incluindo as linhas de transmissão 500 kV Oriximiná, Jurupari C1 e C2 e a Subestação Oriximiná.
Os técnicos também analisaram as perturbações registradas na linha de 230 kV Manaus, Lechuga, operada pela Energisa Amazonas, verificando aspectos de operação, manutenção e desempenho das proteções.
O trabalho em campo envolveu medições de impedância de pé de torre, que servem para avaliar o sistema de aterramento das torres de transmissão, um dos elementos críticos para a segurança e estabilidade elétrica. Foram ainda examinadas falhas de atuação de relés de proteção e a gestão da operação dos agentes responsáveis pelas instalações.
Segundo a ANEEL, o objetivo da inspeção é minimizar os riscos de novos desligamentos forçados, que podem afetar o suprimento elétrico e comprometer a continuidade do fornecimento na Região Norte. O trabalho técnico busca identificar falhas estruturais e propor correções antes que elas gerem impactos mais amplos no sistema interligado.
Contexto: desafios do fornecimento na Amazônia
A Região Norte enfrenta um desafio singular no setor elétrico brasileiro: grandes distâncias, difícil acesso às subestações e forte dependência de linhas de transmissão que atravessam áreas remotas da floresta.
Nos últimos anos, eventos de perturbação no SIN envolvendo a interligação de Manaus com o restante do país mostraram a vulnerabilidade dessas estruturas. Qualquer falha nas linhas de 500 kV ou 230 kV pode gerar efeitos em cascata, resultando em desligamentos de carga e prejuízos à estabilidade do sistema regional.
Por isso, as ações de campo da ANEEL não se limitam a uma inspeção pontual, fazem parte de um programa contínuo de fiscalização preventiva e gestão do risco operacional. O foco está na melhoria dos procedimentos de manutenção das concessionárias e na adoção de boas práticas de engenharia elétrica que aumentem a resiliência das redes de transmissão.
Colaboração com agentes e foco em eficiência
A ANEEL também destaca que as atividades de fiscalização são conduzidas em colaboração direta com os agentes do setor, como transmissoras e distribuidoras, reforçando o caráter técnico e propositivo da atuação regulatória.
Ao analisar as falhas de proteção e aterramento, os técnicos da Agência não apenas apontam irregularidades, mas também orientam melhorias e definem prazos para a correção de problemas críticos. Essa abordagem colaborativa é essencial para que as empresas ajustem seus planos de manutenção sem comprometer a operação contínua do sistema.
Garantia de estabilidade e segurança energética
A inspeção em Oriximiná reforça o compromisso da ANEEL com a segurança e confiabilidade do Sistema Interligado Nacional. Ao agir preventivamente em regiões estratégicas, a Agência busca evitar interrupções que poderiam impactar consumidores residenciais, industriais e comerciais na Região Norte.
O trabalho técnico também contribui para postergar investimentos emergenciais, ao permitir que eventuais substituições de equipamentos ocorram de forma planejada e eficiente. Em última instância, o esforço beneficia toda a cadeia do setor elétrico, dos operadores às concessionárias e, sobretudo, os consumidores.
Próximos passos e continuidade das ações
Após a etapa de campo, a ANEEL deve consolidar um relatório técnico detalhado com os resultados das inspeções, apontando as causas das perturbações e as medidas corretivas recomendadas. O documento também servirá de base para futuras fiscalizações em outras subestações da Região Norte, que permanecerão sob monitoramento contínuo.
Essas ações reforçam o papel da Agência como garantidora da estabilidade do fornecimento elétrico nacional, especialmente em áreas de interligação sensíveis para o SIN.



