Acordo técnico inaugura nova fase de modernização regulatória e capacitação profissional, ampliando o uso sustentável de resíduos e o protagonismo da bioenergia na economia de baixo carbono
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) assinaram, nesta terça-feira (4), um acordo de cooperação técnica que marca um novo capítulo na modernização regulatória, na capacitação profissional e na eficiência ambiental do setor sucroenergético paulista.
O anúncio foi realizado durante o Summit Agenda SP + Verde, evento promovido pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), e consolida o papel estratégico da indústria de cana na transição energética e na economia circular do estado.
O acordo busca fortalecer a segurança jurídica, aprimorar o uso sustentável de resíduos da produção de etanol e açúcar e alinhar as práticas do setor às melhores referências internacionais em gestão ambiental e baixo carbono.
Bioenergia e economia circular: pilares de uma nova matriz energética
O acordo UNICA–Cetesb prevê uma agenda conjunta de atualização técnica e revisão de parâmetros ambientais, com diretrizes que incluem o uso eficiente de vinhaça e águas residuárias, além de normas para a aplicação do Combustível Derivado de Resíduos (CDR) em caldeiras industriais.
Essas medidas reforçam a adoção de práticas de economia circular e incentivam soluções baseadas em biomassa, fortalecendo o papel da indústria sucroenergética como um vetor de energia renovável e de reaproveitamento produtivo de subprodutos agrícolas.
O presidente da UNICA, Evandro Gussi, destacou que o setor vem ampliando sua contribuição para o desenvolvimento sustentável e para a matriz energética nacional.
“A produção sustentável de energia renovável pela cadeia sucroenergética tem ganhado novos contornos, com a ampliação dos energéticos extraídos da biomassa e a intensificação de práticas de economia circular, com o uso da vinhaça, da torta de filtro e, no futuro, o aproveitamento de resíduos de outros setores”, afirmou Gussi.
Com essa iniciativa, o estado de São Paulo, responsável por cerca de 60% da produção de etanol e açúcar do país, reforça sua posição de líder global em bioenergia e sustentabilidade industrial.
Capacitação técnica e modernização regulatória
Além das diretrizes ambientais, o acordo avança de forma decisiva na formação e qualificação técnica dos profissionais do setor. A Escola Superior da Cetesb, em parceria com a UNICA, lançará um curso de capacitação em licenciamento ambiental, voltado para engenheiros, gestores e técnicos das usinas e empresas associadas.
A primeira turma deve reunir mais de 80 profissionais, refletindo o forte interesse do mercado em se atualizar frente às novas exigências ambientais e operacionais.
Para Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA, o programa é um exemplo da maturidade do diálogo técnico entre o setor e o órgão regulador.
“A rápida adesão ao programa reflete a confiança do setor no diálogo técnico com a Cetesb. A capacitação das equipes é fundamental para fortalecer o modelo de desenvolvimento de baixo carbono e impulsionar a transição energética”, afirmou Rodrigues.
O conteúdo do curso incluirá tópicos como licenciamento ambiental moderno, reuso de resíduos industriais, parâmetros de emissões atmosféricas e gestão de recursos hídricos, buscando alinhar o setor sucroenergético aos padrões internacionais de compliance ambiental e ESG.
Cetesb aposta em modelo colaborativo com o setor produtivo
Segundo Thomaz Toledo, diretor-presidente da Cetesb, a parceria inaugura um novo modelo de diálogo entre o órgão licenciador e o setor produtivo, voltado à eficiência e à sustentabilidade.
“O setor sucroenergético é uma peça-chave na transição energética do estado de São Paulo. Essa parceria é um marco no diálogo entre a Cetesb e a indústria, para que possamos estabelecer mecanismos mais modernos, seguros e alinhados com as práticas internacionais de economia circular”, destacou Toledo.
A Cetesb, que tem sido referência nacional em governança ambiental, pretende usar a cooperação com a UNICA como modelo replicável para outros setores industriais — especialmente aqueles que também geram subprodutos com potencial energético e de reuso.
Governança e acompanhamento técnico do acordo
Com vigência inicial de 12 meses, o acordo contará com um Comitê Técnico de Cooperação, formado por especialistas da UNICA e da Cetesb. O grupo será responsável por supervisionar as entregas, propor planos de trabalho e monitorar resultados ambientais e operacionais.
A expectativa é que, ao final do primeiro ciclo, sejam publicadas novas diretrizes de licenciamento ambiental voltadas para a valorização de resíduos e a redução das emissões setoriais, além de guias técnicos para aplicação de biomassa e CDR em processos produtivos.



