Segundo a Resenha Mensal da EPE, o consumo de eletricidade somou 46.063 GWh em setembro de 2025, queda de 0,8% na comparação anual. O mercado livre segue em expansão, enquanto apenas a classe residencial registrou alta.
O consumo de energia elétrica no Brasil voltou a recuar em setembro de 2025, somando 46.063 GWh, o que representa redução de 0,8% em relação ao mesmo mês de 2024. Os dados integram a Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica, divulgada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Esta é a segunda queda consecutiva registrada no consumo nacional e a quinta retração ao longo do ano.
A queda reflete o desempenho mais fraco das classes industrial e comercial, que apresentaram reduções de 1,5% e 1,7%, respectivamente. O consumo na categoria “outros” também caiu 1,5%. Apenas o setor residencial apresentou crescimento, com alta de 1,0%, impulsionado por temperaturas mais elevadas e pelo uso intensificado de equipamentos de refrigeração.
No acumulado de 12 meses, o consumo nacional totalizou 562.846 GWh, o que ainda representa alta de 0,7% em relação ao mesmo período anterior, indicando uma estabilidade moderada da demanda de energia no país.
Cenário regional: Centro-Oeste lidera crescimento
A análise por região revela um comportamento heterogêneo do consumo. O Centro-Oeste foi o destaque, com crescimento de 2,2% em setembro, resultado associado à expansão agrícola e ao aumento da conectividade industrial. As regiões Norte (+1,6%) e Nordeste (+0,2%) também registraram crescimento, embora em ritmo mais moderado.
Por outro lado, as regiões Sul (-0,6%) e Sudeste (-2,1%) puxaram a média nacional para baixo. O Sudeste, principal polo industrial e de serviços do país, apresentou queda expressiva, reflexo de uma atividade econômica mais contida e de ajustes no consumo corporativo diante de custos energéticos e condições macroeconômicas mais restritivas.
Mercado livre de energia mantém ritmo forte de expansão
Apesar da retração no consumo agregado, o mercado livre de energia elétrica manteve trajetória de crescimento. Em setembro, o ambiente livre respondeu por 45,9% do consumo nacional, com 21.143 GWh consumidos, alta de 4,4% frente ao mesmo mês de 2024.
O número de consumidores também disparou: crescimento de 41,4% em relação ao ano anterior, reflexo direto da abertura total do mercado para o Grupo A (alta tensão), implementada em janeiro de 2024 pela Portaria MME nº 50/2022. Essa medida ampliou significativamente as possibilidades de migração para o Ambiente de Contratação Livre (ACL), impulsionando a competição e a flexibilidade contratual.
O Centro-Oeste voltou a se destacar, com crescimento de 11,6% no consumo e um aumento de 65,7% no número de consumidores livres, o maior avanço regional do país.
Mercado regulado sente os efeitos da migração de consumidores
Enquanto isso, o mercado regulado das distribuidoras, responsável por 54,1% do consumo nacional (24.920 GWh), apresentou queda de 4,7% em setembro de 2025, mesmo com crescimento de 1,4% no número de consumidores.
A retração no consumo cativo é consequência direta do movimento de migração para o mercado livre, uma tendência que se intensificou após a flexibilização das regras e o surgimento de novas ofertas de energia renovável com preços competitivos.
Entre as regiões, o Centro-Oeste teve a menor queda no consumo regulado (-2,0%), enquanto o Nordeste liderou o aumento no número de consumidores cativos (+2,2%), evidenciando uma distribuição desigual do ritmo de adesão ao mercado livre pelo país.
EPE destaca papel da informação para o setor elétrico
A Resenha do Mercado de Energia Elétrica, publicada mensalmente pela EPE, tem se consolidado como fonte estratégica de análise para empresas, investidores e formuladores de políticas públicas do setor. O relatório detalha os principais indicadores de consumo, por classe e região, oferecendo uma visão abrangente sobre o comportamento da demanda elétrica no país.
Além do documento técnico, a EPE também divulga o Podcast da Resenha, no qual especialistas comentam os resultados mensais e contextualizam as tendências de consumo e geração. Essa iniciativa visa aproximar o público técnico e empresarial das discussões energéticas, contribuindo para decisões mais informadas em um cenário de transição e modernização do setor elétrico brasileiro.
Transição energética e eficiência no radar
A estabilidade do consumo e o avanço do mercado livre reforçam o novo paradigma energético brasileiro, em que eficiência, sustentabilidade e liberdade de escolha se tornam prioridades. A expansão das fontes renováveis e a maior participação de consumidores corporativos no ACL estão remodelando o perfil da demanda, tornando-a mais descentralizada e competitiva.
Com a abertura total do mercado livre e o crescimento dos PPAs corporativos, o país avança para um modelo mais dinâmico, em que o consumo energético é cada vez mais estratégico e orientado pela eficiência econômica e ambiental.



