Com investimento bilionário e geração de 2,7 mil empregos, nova unidade vai produzir etanol de milho, ração proteica, óleo vegetal e energia elétrica a partir de biomassa, reforçando a liderança do estado na transição energética
O estado de Goiás avança mais um passo rumo à liderança no setor de bioenergia com o anúncio da nova biorrefinaria da Inpasa, em Rio Verde, no Sudoeste goiano. O empreendimento, avaliado em R$ 2,4 bilhões, foi lançado nesta quinta-feira (30) durante cerimônia que contou com a presença do governador Ronaldo Caiado, marcando o início das obras no Distrito Municipal de Pequenas Empresas (Dimpe).
Com previsão de conclusão até o final de 2026, a planta será a nona unidade da Inpasa no Brasil e deve se tornar um dos maiores complexos integrados de etanol de milho e geração de energia limpa do país. O projeto reforça a estratégia nacional de diversificação da matriz energética e de valorização da produção agroindustrial como vetor de desenvolvimento regional.
Caiado: “Goiás está transformando grãos em energia e renda”
Ao celebrar o investimento, o governador Ronaldo Caiado destacou a relevância da Inpasa para a economia goiana e para o processo de descarbonização do setor energético brasileiro.
“É um orgulho, como governador, receber uma empresa séria, que investe em tecnologia e pesquisa e mostra ao mundo seus avanços na produção de biocombustíveis e energia limpa. Esse tipo de investimento transforma o que o produtor rural faz, gerando renda no município e no estado. É esse o desenvolvimento que priorizamos em Goiás”, afirmou o governador.
O discurso reforçou a política estadual de incentivo à agroindustrialização e ao uso eficiente dos recursos agrícolas. Caiado enfatizou ainda que a diversificação de portfólio da Inpasa, que integra etanol, ração, óleo vegetal e energia elétrica, é um exemplo de como o agronegócio pode gerar valor agregado e inovação dentro da cadeia produtiva.
“O portfólio diversificado demonstra a capacidade do agronegócio de transformar grãos em produtos com maior valor agregado”, completou.
Capacidade produtiva e impacto econômico
Com capacidade anual de processamento de 2 milhões de toneladas de grãos, a nova biorrefinaria vai produzir 1 bilhão de litros de etanol hidratado, 490 mil toneladas de ração proteica, 47 mil toneladas de óleo vegetal e 345 mil GWh de energia elétrica gerada a partir de biomassa.
O impacto socioeconômico será expressivo: 2,7 mil empregos diretos e indiretos devem ser criados, além de 420 vagas na fase de construção, priorizando mão de obra local. A operação fortalecerá a cadeia do milho, ampliará a oferta de energia renovável e consolidará Goiás como referência nacional em biocombustíveis.
De acordo com especialistas do setor, a instalação da nova unidade representa um marco para a economia goiana, que vem atraindo investimentos expressivos em etanol de segunda geração, biometano e produção de energia a partir de resíduos agrícolas. A iniciativa também contribui para a meta nacional de neutralidade de carbono até 2050, integrando agricultura e energia em uma estratégia de crescimento sustentável.
Infraestrutura e logística: os diferenciais de Rio Verde
Segundo o vice-presidente da Inpasa, Gustavo Mariano Oliveira, a escolha de Rio Verde foi baseada em uma combinação de fatores logísticos, produtivos e estratégicos, que tornam a região uma das mais competitivas do país para a produção de etanol de milho.
“Foi uma decisão estratégica da companhia, dado que essa localidade reúne alguns dos fatores mais importantes para a empresa: uma base agrícola sólida, uma localização geográfica privilegiada, com desenvolvimento de infraestrutura para o escoamento de nossos produtos, e é uma região que não para de inovar no campo”, destacou Oliveira.
A cidade é cortada por rotas logísticas relevantes, como a BR-060 e a Ferrovia Norte-Sul, além de estar próxima a polos de produção agrícola e centros de consumo, o que reduz custos operacionais e aumenta a eficiência no transporte de grãos e derivados.
Parceria público-privada e o papel do Estado na atração de investimentos
O prefeito de Rio Verde, Wellington Carrijo, destacou os benefícios econômicos e sociais da chegada da nova biorrefinaria. “A instalação desta biorrefinaria traz para Rio Verde novas oportunidades de emprego, renda e tecnologia, além da capacidade de fortalecer ainda mais o agronegócio goiano e impulsionar o desenvolvimento do Sudoeste do estado”.
Carrijo ressaltou que o projeto da Inpasa é um exemplo de cooperação público-privada, no qual o poder público atua como facilitador de desenvolvimento sustentável, oferecendo infraestrutura, segurança jurídica e incentivos fiscais em sinergia com o setor produtivo.
O secretário de Governo de Rio Verde, Paulo do Vale, reforçou esse ponto ao destacar a importância da política estadual de atração de investimentos industriais. “O governador foi fundamental nesse processo. Desde a missão ao Japão, ele tem trabalhado para atrair indústrias que geram emprego e transformam nossa produção agrícola em riqueza. A chegada da Inpasa é mais uma conquista”.
Bioenergia como vetor de transição e competitividade
O investimento da Inpasa reflete a tendência global de integração entre agroenergia e transição energética, com foco em baixo carbono, economia circular e uso de biomassa como fonte de geração elétrica.
Ao combinar produção de etanol com geração de energia a partir de resíduos agrícolas, o modelo da empresa contribui para o equilíbrio do sistema elétrico, especialmente em regiões de forte presença do agronegócio, como o Centro-Oeste.
A expectativa é que o projeto de Rio Verde inspire novas plantas industriais híbridas, integrando produção de combustíveis renováveis e bioeletricidade, alinhadas à agenda ESG e às metas de descarbonização do transporte e da geração térmica.



