EPE projeta até R$ 66,5 bilhões em novos leilões de transmissão para 2026 e 2027

Estudos conduzidos pela estatal indicam avanço de projetos em corrente contínua e consolidação da expansão da rede de ultra-alta tensão no país

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado, afirmou nesta sexta-feira (31/10) que o governo prepara uma nova carteira de projetos de transmissão que pode alcançar R$ 66,5 bilhões em investimentos a serem contratados entre 2026 e 2027, caso sejam confirmados pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

A declaração foi feita após a conclusão do Leilão de Transmissão nº 4/2025, o único realizado neste ano, e sinaliza a continuidade do ciclo de grandes obras de infraestrutura elétrica, voltado principalmente para a integração de novas fontes renováveis e o reforço da malha de escoamento de energia.

“A gente tem um pacote de estudos, que estão sendo discutidos com o MME, que indicam que no ano que vem devemos ter R$ 26,5 bilhões de investimento com potenciais de entrar em licitação em 2026. E algo aproximadamente de R$ 40 bilhões para 2027”, afirmou Prado.

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Novos projetos em HVDC ganham destaque

Entre os empreendimentos em estudo, a EPE destaca a inclusão de linhas em corrente contínua (HVDC), tecnologia de ultra-alta tensão que permite transmissão de grandes blocos de energia a longas distâncias com menores perdas elétricas.

Atualmente, o Brasil conta com três sistemas HVDC em operação, conectando as usinas de Itaipu, Belo Monte e o complexo do rio Madeira (Jirau e Santo Antônio) ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Um quarto sistema, voltado para o escoamento da energia eólica e solar do Nordeste, encontra-se em construção.

Segundo Prado, os novos projetos em corrente contínua deverão reforçar o intercâmbio entre regiões e ampliar a capacidade de integração das fontes renováveis, especialmente em áreas de alta geração e baixa demanda local.

Essa tendência acompanha o movimento global de modernização da infraestrutura elétrica e digitalização dos sistemas de controle, abrindo espaço para soluções de transmissão mais flexíveis e resilientes, fundamentais para garantir segurança energética em um contexto de transição para fontes limpas.

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Leilões de 2026 terão duas rodadas, confirma MME

O secretário de Transição Energética e Planejamento do MME, Gustavo Ataíde, confirmou que estão previstos dois leilões de transmissão para 2026. O primeiro, já com os lotes definidos, ocorrerá em março e está em fase de consulta pública na ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

“Esse outro está previsto para o segundo semestre e ainda não estão fechadas todas as obras. Nós temos alguns estudos sendo concluídos até o fim do ano pela EPE que vão trazer obras importantes para esse e futuros leilões”, explicou Ataíde.

De acordo com o MME, o segundo leilão de 2026 incluirá projetos em fase final de análise técnica pela EPE, com destaque para empreendimentos de grande porte voltados ao reforço da rede no Norte e Nordeste e novos corredores de transmissão em 500 kV e 800 kV.

Esses investimentos são considerados estratégicos para garantir o escoamento da geração renovável, sobretudo eólica e solar, e aumentar a robustez da rede frente à expansão da demanda nacional, impulsionada pelo crescimento industrial e pelo avanço de novas cargas, como hidrogênio verde e data centers.

Expansão da transmissão sustenta a transição energética

O planejamento da EPE reforça o papel da transmissão como eixo central da transição energética brasileira. O país tem se consolidado como líder regional na integração de fontes limpas, mas enfrenta o desafio de transportar a energia gerada nos polos renováveis do Nordeste e Norte para os grandes centros de consumo no Sudeste e Sul.

A adoção de linhas em corrente contínua é vista como uma das principais soluções para reduzir gargalos e perdas, ao mesmo tempo em que aumenta a estabilidade do SIN. Além disso, a estratégia da EPE e do MME para 2026 e 2027 inclui a incorporação de tecnologias digitais, sistemas de monitoramento avançado e expansão das subestações automatizadas.

Analistas do setor avaliam que a nova rodada de investimentos prevista pela EPE confirma a continuidade do ciclo de grandes leilões iniciado em 2023, que marcou o retorno dos megaprojetos de transmissão e reaqueceu a cadeia de fornecedores de engenharia, construção e equipamentos de alta tensão.

Perspectiva de longo prazo e segurança de suprimento

Com a expectativa de contratação de mais de R$ 66 bilhões em novos projetos, a expansão da transmissão se consolida como um dos pilares do Plano Decenal de Energia (PDE) e do Planejamento Integrado de Recursos (PIR), ambos coordenados pela EPE.

Esses projetos serão fundamentais para assegurar o equilíbrio do sistema elétrico, em um cenário em que o Brasil se prepara para a universalização do acesso, a eletrificação da economia e o aumento das exportações de energia limpa.

Para o mercado, as sinalizações do MME e da EPE representam previsibilidade e confiança, fatores essenciais para atrair novos investidores e consolidar o país como referência em infraestrutura elétrica sustentável na América Latina.

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