Desaceleração dos preços internacionais de gás e petróleo reduz pressão inflacionária sobre o setor energético da região; tendência contrasta com leve alta nos países da OCDE
A inflação mensal de energia na América Latina e no Caribe (ALC) registrou 0% em agosto de 2025, marcando o menor patamar do ano e refletindo uma estabilização significativa nos preços de eletricidade e combustíveis na região. O resultado ocorre após um movimento de desaceleração global nos índices internacionais de energia, em especial nos mercados de gás natural e petróleo, que apresentaram quedas expressivas no mês.
Segundo o levantamento regional feito pela OLADE, metade dos 20 países analisados registrou variações negativas nos preços de energia, o que indica redução nas tarifas e nos custos associados à geração e distribuição. Em julho, a inflação mensal do setor havia sido de 0,31%, enquanto a inflação geral da região caiu de 0,31% para 0,19% no mesmo período, alcançando também o menor valor de 2025 até o momento.
Desaceleração anual indica trégua nos preços de energia
A inflação anual de energia na América Latina e no Caribe caiu pelo terceiro mês consecutivo, evidenciando a tendência de moderação dos custos no setor. Em agosto de 2025, o índice ficou em 0,77%, bem abaixo dos 3,36% registrados no mesmo mês do ano anterior.
Essa trajetória contrasta com o comportamento da inflação geral anual, que subiu de 3,45% em julho para 3,64% em agosto, impulsionada por aumentos em outros setores da economia.
A queda no índice energético é explicada principalmente pela redução dos preços internacionais do gás natural, petróleo e carvão, somada à estabilidade das tarifas de energia elétrica em grande parte dos países latino-americanos. A integração de renováveis na matriz elétrica regional, que reduz a dependência de combustíveis fósseis, também contribui para amortecer choques externos de preços.
Gás natural lidera queda entre commodities energéticas
Os três principais índices internacionais de preços de energia, petróleo, gás e carvão, recuaram em agosto, segundo a análise. O destaque foi o gás natural, cujo preço global caiu 6,7% no mês, seguido pelo petróleo tipo WTI, com retração de 5,16%.
Essa tendência de queda foi decisiva para conter a inflação energética na ALC, especialmente em países com matrizes energéticas híbridas, onde o custo da eletricidade ainda é sensível às variações nos combustíveis fósseis.
Em diversas economias da região, como Brasil, México, Colômbia e Chile, o gás natural tem peso relevante tanto na geração elétrica quanto no transporte e na indústria. A redução dos preços internacionais, portanto, reverberou diretamente nos custos internos, aliviando a pressão sobre consumidores e empresas.
Paridade inédita entre ALC e OCDE em inflação de energia
Pela primeira vez em cinco meses, os níveis de inflação anual do setor energético na ALC e nos países da OCDE se aproximaram, ambos situando-se em torno de 0,7% em agosto de 2025.
Nos países desenvolvidos, a inflação anual de energia subiu de 0,34% em julho para 0,7% em agosto, revertendo uma tendência de baixa. Já na América Latina e Caribe, o indicador caiu de 1,01% para 0,77%, o que evidencia resiliência regional diante da volatilidade global de preços.
Apesar dessa convergência momentânea, a estrutura de custos entre as duas regiões continua distinta. Enquanto na OCDE a variação está mais associada ao gás natural liquefeito (GNL) e à sazonalidade climática, nos países latino-americanos o impacto é diluído por tarifas reguladas, contratos de longo prazo e maior participação de fontes renováveis na geração elétrica.
Energia mais barata, mas desafios persistem
A queda na inflação energética representa um alívio momentâneo para consumidores e governos da América Latina, sobretudo em um contexto de desaceleração econômica e incertezas no mercado global de commodities.
No entanto, analistas alertam que o cenário pode ser temporário. A demanda por gás natural tende a crescer com a aproximação do inverno no hemisfério norte, o que pode provocar uma reversão dos preços internacionais nos próximos meses. Além disso, tensões geopolíticas e flutuações cambiais permanecem como riscos relevantes para a estabilidade inflacionária do setor.
A redução recente, porém, reforça a importância das políticas de diversificação energética. O avanço de usinas solares, eólicas e hidrelétricas, somado a programas de eficiência, tem ajudado os países da região a blindar suas economias contra a volatilidade externa — um ponto cada vez mais estratégico na transição energética latino-americana.


