Coalizão Nacional pela Transição: Estados-Chave Unem Forças para Alavancar Eólica Offshore e Hidrogênio Verde

Iniciativa cria frente unificada entre Estados para acelerar projetos-piloto de energia eólica no mar e integrar a agenda de hidrogênio verde à transição energética brasileira

O Rio Grande do Sul reforçou seu protagonismo na agenda de energia renovável ao assinar, nesta terça-feira (28/10), a Carta de Coalizão dos Projetos-Piloto de Eólicas Offshore no Brasil, durante evento em São Paulo. O documento formaliza a cooperação entre os governos do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte, em parceria com a ABEEólica, para acelerar o desenvolvimento da indústria nacional de geração eólica no mar e estruturar uma agenda comum de inovação, regulação e sustentabilidade.

A assinatura contou com a presença do governador Eduardo Leite, da presidente da ABEEólica, Elbia Gannoum, da governadora Fátima Bezerra (RN) e do secretário de Energia e Economia do Mar do Rio de Janeiro, Cássio Coelho, que representou o governador Cláudio Castro.

A coalizão estabelece compromissos estratégicos que envolvem pesquisa e desenvolvimento tecnológico, cooperação científica e regulatória, incentivo à inovação industrial e valorização da cultura oceânica. Também prevê o alinhamento com o governo federal para o avanço das regulamentações técnicas e ambientais necessárias à instalação de parques eólicos offshore no país.

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Leite: “A janela da transição energética é agora”

Durante a cerimônia, o governador Eduardo Leite destacou a urgência de o Brasil aproveitar a janela de oportunidade aberta pela transição energética global para consolidar sua liderança em renováveis.

“A transição energética é uma grande oportunidade para o Brasil, mas uma oportunidade que existe enquanto o mundo está em transição. Depois que os países completarem suas matrizes renováveis, ela deixará de ser um diferencial. Por isso precisamos agir agora”, afirmou o governador.

Leite ressaltou que o Rio Grande do Sul já tem cerca de 90% de sua matriz elétrica proveniente de fontes limpas, o que torna o Estado um ambiente privilegiado para atrair investimentos internacionais e fomentar cadeias produtivas de baixo carbono.

“Temos hoje cerca de 90% da nossa geração a partir de fontes renováveis e limpas, o que nos coloca em posição privilegiada para atrair investimentos de empresas comprometidas com a responsabilidade ambiental”, completou.

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RS lidera licenciamento de projetos eólicos offshore

Com uma base consolidada no setor de energia eólica onshore, o Rio Grande do Sul já desponta como o líder nacional em projetos em licenciamento para geração offshore. Entre as iniciativas em destaque está o projeto Aura Sul Wind, a primeira plataforma flutuante de energia eólica offshore do Brasil, que será instalada no Porto de Rio Grande.

O empreendimento é liderado pela japonesa JB Energy e reúne parceiros como Portos RS, Sindienergia-RS, Technomar Engenharia, Blue Aspirations Brazil e UFRGS, com apoio da ABEEólica e do governo federal.

“O projeto-piloto do Rio Grande do Sul será de uma plataforma flutuante, pioneira no país, e nós temos mais de 50 projetos em diferentes estágios de licenciamento, com potencial de geração de 16 gigawatts onshore e mais de 100 gigawatts offshore”, afirmou Leite.

O governador destacou ainda que o Estado reúne infraestrutura portuária consolidada, estabilidade regulatória e ecossistema de inovação para liderar o avanço da energia eólica no mar.

Integração com o hidrogênio verde amplia valor estratégico

A agenda da energia eólica offshore está diretamente conectada à estratégia do Estado para o hidrogênio verde (H₂V), considerado um dos principais vetores da descarbonização global. O governo gaúcho já destina R$ 100 milhões a projetos-piloto de produção de H₂V, fortalecendo a integração entre geração renovável e industrialização limpa.

“O hidrogênio verde é um vetor fundamental para transformar a energia renovável em um modelo energético transportável, capaz de ajudar a descarbonizar outros setores da economia, como a agricultura, por meio da amônia verde. O Rio Grande do Sul já financia com R$ 100 milhões projetos de produção de hidrogênio verde, o que aumenta a demanda por geração eólica e reforça nossa liderança na transição energética”, destacou Leite.

A Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) reforçou que a assinatura da carta está alinhada às diretrizes estaduais de transição energética e ao Programa Estadual do Hidrogênio Verde (H₂V RS), que tem foco na criação de polos de inovação e cadeias produtivas sustentáveis em áreas portuárias.

“O Rio Grande do Sul tem um grande potencial em eólica offshore, com 31 projetos em processo de licenciamento no Ibama. Além disso, o Estado deu início ao Planejamento Espacial Marinho (PEM), uma política de gestão dos usos do mar. Com essa assinatura, o Rio Grande do Sul une forças com os demais Estados que possuem projetos piloto para que a pauta ganhe força nacionalmente, garantindo o reconhecimento como um polo em offshore”, reforçou Marjorie Kauffmann, titular da Sema.

Planejamento espacial e governança climática

A expansão da eólica offshore depende de uma governança integrada entre União e Estados, com foco em planejamento espacial marinho e proteção ambiental. Segundo Leite, a cooperação interestadual e o alinhamento regulatório serão determinantes para viabilizar o novo ciclo de investimentos em infraestrutura energética limpa.

“O planejamento espacial marítimo é uma política nacional que precisa ser bem conduzida e acompanhada de perto pelos Estados, pois vai determinar a convivência entre as diversas possibilidades de uso do mar, inclusive a geração de energia eólica”, afirmou.

O governador destacou ainda a importância de soluções de baixo impacto ambiental, como as plataformas flutuantes, que reduzem interferências e ampliam a eficiência operacional. “Defendemos a melhor convivência entre a geração offshore e a preservação ambiental, inclusive com o uso de plataformas flutuantes, que reduzem o impacto e ajudam no monitoramento ambiental”.

Brasil reforça liderança em energia renovável

A Carta de Coalizão dos Projetos-Piloto de Eólicas Offshore representa um passo decisivo para o Brasil consolidar sua posição como potência em energia limpa, integrando diferentes governos e instituições em torno de um plano nacional para a indústria offshore.

O documento coloca o Rio Grande do Sul no centro de uma nova fronteira tecnológica e industrial, capaz de gerar empregos qualificados, atrair investimentos internacionais e acelerar a descarbonização da economia.

Com essa iniciativa, o Estado reafirma sua condição de protagonista na transição energética, fortalecendo a integração entre energia, inovação e sustentabilidade, pilares essenciais para um Brasil mais competitivo e de baixo carbono.

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