Biometano ganha força e coloca o Brasil no centro da transição energética global às vésperas da COP30

Usina de Jambeiro (SP), operada pela UTGR, se destaca como a primeira planta 100% autossustentável do país, produzindo biometano em larga escala e fortalecendo a posição brasileira no mercado internacional de energia limpa.

Com a COP30 se aproximando e a transição energética no centro das discussões globais, o Brasil dá passos decisivos rumo a uma economia mais sustentável. Entre as fontes que ganham protagonismo, o biometano desponta como uma das mais promissoras, transformando resíduos em energia renovável, com impacto direto na descarbonização da indústria, transporte e geração elétrica.

Nesse cenário, a Unidade de Tratamento e Gestão de Resíduos (UTGR), localizada em Jambeiro (SP), tornou-se um marco tecnológico e ambiental. O empreendimento, parte do Grupo Multilixo, consolidou-se como a primeira usina 100% autossustentável do Brasil, operando sem consumo de energia externa e traduzindo na prática os avanços que o país pode apresentar ao mundo na COP30, que será realizada em Belém (PA).

Da gestão de resíduos à produção de energia limpa

A planta de Jambeiro completou dois anos de operação em maio e já é considerada referência em inovação e economia circular. Com um gerador próprio de 1,2 MW e produção superior a 10 milhões de metros cúbicos de biometano por ano, a usina abastece indústrias da região de São José dos Campos, além de contribuir para a redução de cerca de 170 mil toneladas anuais de CO₂.

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A autossuficiência energética da unidade reforça a viabilidade técnica e econômica do modelo, em que resíduos sólidos urbanos são transformados em biogás e posteriormente purificados em biometano, combustível renovável com alto poder energético e baixo impacto ambiental.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Biogás (ABiogás), o país deve saltar da atual produção de 1 milhão para 7 milhões de metros cúbicos diários até 2029, o que colocará o Brasil entre os principais produtores globais. O número de usinas triplicou em apenas dois anos, de 6, em 2022, para 20 em 2024, e a expectativa é chegar a 90 unidades até o fim da década.

Em 2024, a UTGR registrou crescimento expressivo de produção, com previsão de aumento de 20% em 2025, consolidando sua liderança no mercado de biometano.

Biometano e COP30: o Brasil no centro do debate global

Às vésperas da COP30, o biometano surge como uma das vitrines mais estratégicas da política climática brasileira, combinando inovação, economia circular e descarbonização. O Diretor de Estratégia e Inovação do Grupo Multilixo, Lucas Urias, destaca o papel central que o combustível terá na conferência de Belém.

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“Estamos vivendo um momento chave. A COP30 vai colocar o Brasil em evidência, e o biometano é uma das maiores vitrines que temos para mostrar como a correta gestão de resíduos pode ser uma solução de energia limpa e de descarbonização real”, afirma Urias.

O executivo ressalta ainda que o modelo adotado em Jambeiro serve de prova de conceito para o futuro da mobilidade e da energia urbana. “A nossa própria frota de caminhões, que opera com biometano produzido na UTGR, é um exemplo claro de como concretizar a economia circular. O potencial do biometano no Brasil é capaz de suprir até 80% das frotas pesadas de veículos, além de atender demandas industriais e de geração de energia”.

Inovação que gera impacto ambiental e econômico

Além de pioneira, a UTGR é um modelo de integração entre tecnologia, sustentabilidade e eficiência operacional. Os números impressionam:

  • Primeira usina 100% autossustentável do Brasil
  • Capacidade de produção: 30 mil m³/dia de biometano
  • Mais de 10 milhões de m³/ano, equivalente ao consumo de energia de milhares de residências
  • Redução de 170 mil toneladas de CO₂ por ano
  • Geração de Créditos de Carbono e fornecimento direto para indústrias do Vale do Paraíba
  • Abastecimento da frota própria da Multilixo com biometano

Essa combinação de fatores coloca o biometano como uma solução tecnicamente madura e ambientalmente estratégica, capaz de contribuir para as metas brasileiras de neutralidade de carbono até 2050.

Biometano: energia limpa, desenvolvimento local e protagonismo global

A expansão do biometano representa não apenas uma oportunidade ambiental, mas também um vetor de desenvolvimento regional e econômico. A geração descentralizada de energia limpa fortalece a segurança do suprimento, reduz a dependência de combustíveis fósseis e cria novos polos de emprego e tecnologia.

No contexto internacional, o Brasil tem potencial para se tornar um dos principais exportadores de biometano e hidrogênio verde derivados de resíduos, aproveitando sua base agrícola e o avanço das políticas de descarbonização.

À medida que a COP30 se aproxima, projetos como o da UTGR de Jambeiro demonstram que o país não apenas possui recursos, mas também know-how tecnológico e empresarial para liderar a agenda de energia limpa e circular.

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