Nova estrutura, prevista para iniciar operações no primeiro trimestre de 2026, centralizará gestão energética, negociará energia renovável e créditos de carbono, fortalecendo a sustentabilidade e a eficiência operacional da companhia
A Motiva, uma das maiores empresas de infraestrutura de mobilidade do Brasil, anunciou a criação de sua própria comercializadora de energia elétrica, em uma iniciativa estratégica para reduzir custos operacionais e acelerar a transição para uma matriz 100% renovável. A operação está prevista para entrar em funcionamento até o final do primeiro trimestre de 2026, após aprovação pelos órgãos reguladores do setor elétrico.
Atualmente, a Motiva é uma das 50 maiores consumidoras de eletricidade do país, sendo a segunda maior na Região Metropolitana de São Paulo, e o custo de energia representa uma das principais despesas da companhia. A nova comercializadora permitirá centralizar a gestão energética das concessões de rodovias, metrôs, trens, VLT e aeroportos, ampliando a capacidade de negociação no mercado livre de energia e otimizando o balanço entre oferta e demanda dos ativos.
O vice-presidente de Inovação, Tecnologia, Sustentabilidade e Riscos da Motiva, Pedro Sutter, contextualiza a iniciativa. “Ao longo dos últimos dois anos, temos evoluído de forma significativa em nossa estratégia de energia, conciliando sustentabilidade e redução de custos operacionais. Fruto destes movimentos, alcançamos já em 2024 a nossa meta de termos todos os nossos ativos abastecidos apenas com energia limpa, antecipando em um ano o cumprimento desta meta. A comercializadora vem consolidar os nossos esforços para que a nossa matriz elétrica continue sendo 100% baseada em fontes renováveis.”
Redução de custos e aquisição de energia renovável
A Motiva já atingiu redução de 17% no custo do kWh, resultado de investimentos em geração própria de energia, migração de ativos para o mercado livre e contratos vinculados a certificados de energia renovável (I-RECs).
Além da compra e venda de energia, a comercializadora será responsável pela operacionalização da aquisição de I-RECs e créditos de carbono, instrumentos que permitem à companhia neutralizar suas emissões de escopos 1 e 2, consolidando a política interna de abastecimento de energia proveniente de fontes solar, eólica e hidrelétrica.
Apoio à descarbonização dos fornecedores
A iniciativa também terá impacto direto sobre os fornecedores da Motiva, oferecendo condições comerciais vantajosas para aquisição de energia renovável. O gerente-executivo de Energia da Motiva, Diego Martins, detalha:
“Pelo tamanho e capilaridade das operações da Motiva, temos um grande ecossistema de fornecedores. Com a comercializadora, iremos fortalecer o relacionamento comercial com estes parceiros, dentro de uma estratégia de fidelização, ao mesmo tempo em que poderemos explorar o potencial de novas oportunidades que este relacionamento nos gera. Sem dúvida, teremos condições de contribuir com a jornada de descarbonização dos nossos fornecedores e ajudá-los a diminuir os seus gastos com energia elétrica.”
A estrutura da comercializadora permitirá analisar o balanço energético dos fornecedores, identificar oportunidades de redução da conta de energia, apoiar na migração para o mercado livre e oferecer serviços de eficiência energética, com apoio das áreas de engenharia da companhia.
Investimentos estratégicos em energia limpa
Nos últimos anos, a Motiva implementou avançadas iniciativas em sua matriz energética. Um marco dessa estratégia foi a sociedade com a Neoenergia em três parques do Complexo Eólico Oitis, no Piauí. Essa parceria se deu na modalidade de autoprodução por equiparação e tem como objetivo abastecer as operações da Motiva Trilhos no Estado de São Paulo, fornecendo energia limpa para as linhas 4, 5 e 17 (metrô) e linhas 8 e 9 (trens) da ViaMobilidade. Ao todo, a energia proveniente dessas usinas eólicas responde hoje por 65% da demanda energética total da Companhia.
A empresa também firmou contrato de 10 anos com a EDP, no modelo de geração distribuída compartilhada, fornecendo 1.460 MWh por ano ao Sistema Anhanguera-Bandeirantes, atendendo 58 unidades consumidoras, como praças de pedágio e pontos de apoio em rodovias. Além disso, mantém 18 usinas próprias de geração distribuída em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Sustentabilidade e metas de neutralidade de carbono
A Motiva já atingiu a meta de abastecimento 100% renovável em todos os ativos, zerando as emissões do escopo 2. A empresa é a primeira do setor de infraestrutura de mobilidade do país a ter suas metas aprovadas pelo SBTi, comprometendo-se a reduzir 59% das emissões de CO₂ nos escopos 1 e 2 e 27% no escopo 3 até 2033, com base no ano de 2019.
O fortalecimento da estratégia de energia também contribui para a eficiência operacional, com projeção de reduzir a relação Opex (Caixa) / Receita Líquida para 28% em 2035, ante 40% nos últimos doze meses.



