Iniciativa em parceria com a Alvarez & Marsal promete fortalecer o papel institucional do Operador e ampliar a autonomia no desenvolvimento dos modelos que sustentam o planejamento e a operação do SIN
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) deu início, em outubro de 2025, a um dos projetos mais estratégicos de sua história recente: o Redesenho Organizacional para Independência Tecnológica dos Modelos Computacionais Eletroenergéticos. Conduzido em parceria com a consultoria Alvarez & Marsal (A&M), o projeto busca reduzir a dependência de fornecedores externos, fortalecer a governança tecnológica e consolidar uma nova capacidade institucional voltada à inovação, segurança e transparência do Sistema Interligado Nacional (SIN).
A iniciativa é parte de um movimento global de digitalização e modernização dos sistemas elétricos, em que a autonomia tecnológica e a capacidade de inovação interna se tornam elementos centrais para garantir a soberania energética e a eficiência operacional.
Autonomia e inovação no coração da operação do SIN
Os modelos computacionais eletroenergéticos são o cérebro que orienta as decisões do ONS no planejamento, despacho e operação do sistema elétrico. Essas ferramentas englobam desde modelos de otimização e segurança operativa até soluções de simulação e estudos elétricos e energéticos, fundamentais para assegurar o equilíbrio entre geração e consumo e a estabilidade do SIN.
Com o novo projeto, o Operador pretende se capacitar para criar, desenvolver, adaptar e evoluir esses modelos de forma autônoma, transparente e colaborativa, fortalecendo sua capacidade de resposta frente às rápidas transformações do setor.
A proposta vai além do aspecto técnico: representa uma mudança cultural e organizacional profunda, com reflexos diretos em governança, inovação e gestão de conhecimento dentro da instituição.
Redesenho estrutural e governança tecnológica
O projeto, que terá duração estimada de 10 meses, prevê um redesenho organizacional abrangente, com impactos estruturais em diversas áreas do ONS. Entre os pilares da iniciativa estão:
- Criação de mecanismos de governança tecnológica, voltados à transparência e à gestão colaborativa dos modelos computacionais;
- Definição de processos e competências técnicas que garantam maior autonomia do Operador no desenvolvimento e na evolução dos modelos;
- Elaboração de um roadmap de médio prazo (de três a cinco anos), que orientará a consolidação dessa nova capacidade institucional.
Essa agenda estratégica permitirá ao ONS fortalecer sua atuação técnica, ao mesmo tempo em que fomenta a inovação aberta e o diálogo com o ecossistema de energia e tecnologia.
Colaboração e diálogo com o setor
Em uma de suas etapas centrais, o projeto contempla uma fase de escuta e mapeamento do contexto externo, que envolverá reuniões com agentes, instituições e representantes do setor elétrico.
A intenção é ouvir diferentes perspectivas e identificar responsabilidades, articulações e tendências setoriais que possam contribuir para a construção de um ecossistema colaborativo de inovação. Essa abordagem busca garantir que a independência tecnológica do ONS seja acompanhada de integração e compartilhamento de conhecimento com a comunidade técnica e regulatória.
Um passo decisivo rumo à independência tecnológica
A redução da dependência de fornecedores externos de modelos computacionais é vista como um marco para o ONS e para o setor elétrico brasileiro. A iniciativa confere maior autonomia tecnológica, segurança cibernética e agilidade operacional, ao mesmo tempo em que cria condições para inovar com mais velocidade em um ambiente cada vez mais dinâmico e digital.
Ao alinhar tecnologia, governança e inovação, o projeto consolida o compromisso do Operador em contribuir para um Sistema Interligado Nacional mais seguro, transparente, inovador e sustentável.



