Iniciativa conecta produtores à geração de créditos de carbono, transformando conservação da floresta em renda e desenvolvimento sustentável para comunidades tradicionais
O Sebrae, em parceria com a Equipe de Conservação da Amazônia (Ecam), lançou nesta quinta-feira (16), durante o Sebrae Conecta Economia Verde, em Belterra (PA), o Projeto Carbono Social. Voltado para agricultores familiares e comunidades tradicionais da Amazônia, o programa piloto tem como objetivo transformar a preservação ambiental em oportunidade de renda, conectando pequenos produtores ao mercado voluntário de carbono e a mecanismos de financiamento climático.
A fase inicial do projeto, que começou em julho de 2025, envolve 150 agricultores familiares em Santarém (PA), abrangendo 15 mil hectares, dos quais 8,5 mil hectares estão sob manejo sustentável, sistemas agroflorestais e florestas conservadas. O projeto prevê mapeamento das cadeias produtivas, capacitação técnica e mecanismos para que os produtores tenham acesso direto à receita gerada pela venda de créditos de carbono, com parte dos recursos sendo reinvestida nas próprias comunidades.
O valor do carbono social
Durante o evento de lançamento, o presidente nacional do Sebrae, Décio Lima, ressaltou a importância socioeconômica da iniciativa. Ele destacou que o projeto vai além da compensação ambiental, oferecendo benefícios concretos às comunidades que protegem o bioma.
“O carbono social é mais do que um ativo ambiental: é uma nova rota de desenvolvimento inclusivo, que reconhece e remunera quem cuida da floresta e do solo”, afirmou Décio Lima.
Para o diretor técnico nacional do Sebrae, Bruno Quick, o Carbono Social funciona como uma ponte entre preservação e compensação de emissões, transformando práticas sustentáveis em benefícios econômicos tangíveis para as comunidades.
“O carbono social transforma boas práticas de produção em benefícios econômicos concretos para as comunidades. A partir dos resultados do piloto, queremos escalar o modelo para outros territórios da Amazônia e biomas do país, ampliando a geração de créditos com impacto social positivo”, destacou Quick.
Parceria estratégica com a Ecam
O diretor técnico da Ecam, Fábio Rodrigues, enfatizou o papel da parceria com o Sebrae na criação de oportunidades reais para agricultores familiares e comunidades tradicionais. Ele destacou que o modelo já funciona em duas regiões brasileiras, sul da Bahia e sul do Paraná, com produtores sendo efetivamente remunerados pelos serviços prestados.
“Com o apoio do Sebrae, estamos criando oportunidades reais para que agricultores familiares e comunidades tradicionais possam transformar práticas sustentáveis em novas fontes de renda”, disse Rodrigues.
A colaboração com a Ecam e a metodologia da ReSeed permite mensurar carbono e impacto social de forma rastreável, combinando indicadores ambientais com métricas de renda, gênero e bem-estar comunitário.
Como funciona a geração de créditos de Carbono Social
O projeto adota um processo estruturado e transparente para transformar hectares preservados em créditos de carbono:
- Mapeamento das propriedades e análise do que está preservado.
- Medidas de estoque de carbono e capacidade de absorção da vegetação, com dados de campo e imagens de satélite.
- Validação e rastreabilidade digital por meio da plataforma da ReSeed.
- Transformação do carbono registrado em créditos certificados, prontos para o mercado.
- Receita direta aos agricultores e comunidades, incentivando ainda mais o manejo sustentável.
Esse modelo cria um ciclo de sustentabilidade e desenvolvimento local, promovendo uma economia de baixo carbono com impacto social mensurável.
Destaque internacional e próximos passos
O lançamento do Carbono Social precede sua apresentação no evento Corporate Investments into Forestry & Biodiversity, em Londres, considerado um dos principais fóruns globais sobre investimentos em florestas e biodiversidade. A iniciativa amazônica ganha visibilidade internacional, reforçando o potencial brasileiro de soluções climáticas e econômicas para a transição a uma economia sustentável.
O Sebrae planeja expandir o projeto para outros territórios amazônicos e biomas brasileiros, consolidando um modelo replicável de carbono inclusivo, rastreável e socialmente responsável.



