Parceria entre Norte Energia e Fundação Guamá vai integrar energia solar e armazenamento em supercapacitores à operação da maior hidrelétrica 100% nacional, abrindo caminho para uma nova era de estabilidade e eficiência no Sistema Interligado Nacional
A UHE Belo Monte, um dos principais pilares da segurança energética do Brasil, será o centro de um projeto pioneiro que pode transformar a forma como o país gerencia a estabilidade de sua matriz elétrica. A Norte Energia, concessionária responsável pela usina, em parceria com a Fundação Guamá, lança o Sistema Inteligente de Gestão de Aproveitamento Energético, uma solução inédita voltada à regulação de frequência do Sistema Interligado Nacional (SIN), um dos desafios mais complexos da operação elétrica em um cenário de transição energética.
O projeto será implantado no Complexo Hidrelétrico Belo Monte, no Pará, e integrará geração solar fotovoltaica e armazenamento de energia em supercapacitores, uma tecnologia de carregamento ultrarrápido, com a geração hidrelétrica. A ideia é permitir que fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, possam contribuir de forma coordenada para a estabilidade da frequência elétrica, um fator essencial para evitar falhas no fornecimento e preservar o desempenho dos equipamentos de geração.
Investimento de R$ 11 milhões em tecnologia e sustentabilidade
Com investimento de cerca de R$ 11 milhões, o projeto-piloto contempla a instalação de uma usina solar nas dependências da hidrelétrica Belo Monte, o desenvolvimento de um sistema de monitoramento online, um banco de supercapacitores e uma plataforma computacional voltada a operadores. Todo o sistema será integrado à operação da hidrelétrica, criando uma estrutura inteligente de gestão energética com foco na eficiência e na segurança do SIN.
De acordo com Andreia Antloga do Nascimento, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) da Norte Energia, o projeto reflete o compromisso da companhia com a inovação e a sustentabilidade.
“Nosso compromisso é com o pioneirismo no setor e com o desenvolvimento de soluções que garantam a segurança e a qualidade do fornecimento de energia para o país”, enfatiza Nascimento. Ele ainda complementou:“A parceria com a Fundação Guamá nos permitirá aliar a sustentabilidade, por meio do uso de fontes renováveis e do armazenamento rápido, à eficiência operacional de uma usina tão estratégica como Belo Monte”.
Supercapacitores e energia solar: a nova fronteira da regulação de frequência
A regulação de frequência é um dos principais desafios da atual matriz elétrica brasileira. Com a crescente inserção de fontes intermitentes, como a solar e a eólica, que dependem de condições climáticas, a manutenção da estabilidade elétrica tornou-se mais complexa. Tradicionalmente, essa função recai sobre as hidrelétricas, o que gera maior desgaste dos equipamentos e custos operacionais elevados.
O novo sistema proposto por Norte Energia e Fundação Guamá busca redefinir esse modelo, utilizando supercapacitores como elemento-chave. Diferente das baterias convencionais, os supercapacitores armazenam e liberam energia em frações de segundo, respondendo rapidamente às variações de frequência no sistema elétrico.
“O projeto é muito inovador e vai ser um marco na regulação de frequência da geração hidráulica de grande porte com as fontes intermitentes, fotovoltaica e eólica, entrando em massa no sistema elétrico nacional”, afirma Emília Tostes, coordenadora do Ceamazon, centro de excelência vinculado à Universidade Federal do Pará e responsável pela execução da pesquisa.
Amazônia como polo de inovação energética
O projeto é conduzido pela Fundação de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Sustentável Guamá, por meio do Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia (Ceamazon), que atua no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, o primeiro parque tecnológico em operação na Amazônia Brasileira.
Além de representar um avanço tecnológico, a iniciativa valoriza o potencial da região amazônica como polo de inovação em energia limpa e sustentável. A parceria entre academia e setor elétrico cria um ambiente propício para o desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas à transição energética, conectando conhecimento científico, infraestrutura e impacto social.
Resultados esperados e legado para o setor elétrico
O Sistema Inteligente de Gestão de Aproveitamento Energético deverá gerar um vasto conjunto de dados técnicos e científicos capazes de subsidiar políticas públicas, novas pesquisas e soluções replicáveis em outras usinas brasileiras. Além de aprimorar a estabilidade do SIN, o projeto abre espaço para a criação de plataformas digitais de controle inteligente, que podem ser aplicadas em redes elétricas de diferentes portes.
O resultado esperado é duplo: garantir maior eficiência operacional às hidrelétricas e contribuir para a consolidação da matriz elétrica de baixo carbono, alinhada aos compromissos climáticos e às metas de descarbonização do país.
Mais do que um avanço tecnológico, a iniciativa marca uma nova fase da integração entre inovação e sustentabilidade no setor elétrico brasileiro, com a Amazônia no centro das soluções que moldarão o futuro da energia limpa.



