Usina Ipiranga Bioenergia Mococa II entra em operação e reforça matriz renovável do Brasil

Movida a bagaço de cana, nova termelétrica paulista investe R$ 60 milhões e adiciona 25 MW ao sistema elétrico nacional dentro do Novo PAC

O setor de bioenergia brasileiro segue em expansão com a entrada em operação comercial da Usina Termelétrica (UTE) Ipiranga Bioenergia Mococa II, localizada em Mococa (SP). O empreendimento, que passou a operar no dia 1º de outubro, adiciona 25 megawatts (MW) de capacidade instalada ao sistema elétrico nacional, fortalecendo a matriz energética renovável do país e a interiorização da geração elétrica.

Com investimento estimado em R$ 60 milhões, a usina faz parte do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), iniciativa do Governo Federal que busca estimular obras de infraestrutura, incluindo geração de energia limpa e sustentável. O projeto foi viabilizado por meio do 36º Leilão de Energia Nova, que prevê início de suprimento a partir de janeiro de 2026.

Energia limpa a partir do bagaço da cana-de-açúcar

A UTE Ipiranga Bioenergia Mococa II utiliza como combustível o bagaço de cana-de-açúcar, subproduto obtido do próprio processo industrial das usinas do grupo empreendedor. Essa escolha reforça o papel da biomassa como vetor estratégico na transição energética brasileira, especialmente no interior paulista, onde o setor sucroenergético tem forte presença econômica.

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A biomassa, nesse caso, representa uma solução eficiente de valorização de resíduos agrícolas, reduzindo a dependência de fontes fósseis e contribuindo para a descarbonização da geração elétrica. Além disso, o uso de insumos locais fortalece a economia regional e reduz custos logísticos de transporte de combustível.

A bioeletricidade proveniente da cana-de-açúcar é hoje uma das fontes renováveis com maior potencial de expansão no Brasil. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o setor poderia dobrar sua capacidade instalada até 2030, ajudando o país a avançar em metas de sustentabilidade e segurança energética.

Infraestrutura moderna e conexão ao sistema elétrico nacional

Para integrar-se ao Sistema Interligado Nacional (SIN), a UTE Mococa II foi equipada com tecnologia de ponta em conversão e transmissão elétrica. A estrutura inclui uma subestação elevadora de 13,8/138 quilovolt (kV), instalada junto à central geradora, e uma linha de conexão exclusiva até a Subestação Mococa 5.

Essa infraestrutura permite que a energia gerada a partir da queima controlada do bagaço seja injetada na rede elétrica com eficiência e confiabilidade, reforçando o fornecimento energético na região e contribuindo para o equilíbrio da oferta nacional.

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O projeto também demonstra o potencial das usinas de biomassa como soluções de geração descentralizada, um modelo cada vez mais valorizado por garantir resiliência ao sistema elétrico e estimular o desenvolvimento econômico de municípios de médio porte.

Licenciamento ambiental e sustentabilidade

O licenciamento ambiental da usina foi conduzido pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), que emitiu todas as Licenças de Operação (LO) necessárias. A aprovação reforça o compromisso do setor de bioenergia com as boas práticas ambientais e a conformidade regulatória, essenciais para a viabilidade e credibilidade de projetos do tipo.

A biomassa é reconhecida por seu baixo impacto ambiental quando comparada a combustíveis fósseis, e seu ciclo fechado de carbono, em que o CO₂ liberado na geração é compensado pela absorção durante o crescimento da cana, contribui para metas de emissões líquidas zero.

O uso responsável de resíduos agrícolas como combustível também estimula práticas de economia circular e gestão eficiente de recursos, pontos centrais nas políticas energéticas e ambientais contemporâneas.

Bioenergia e o papel do Novo PAC na expansão renovável

A entrada em operação da UTE Mococa II representa mais do que a entrega de um novo empreendimento: é um símbolo da retomada dos investimentos em infraestrutura verde sob o Novo PAC. O programa federal prevê aportes bilionários em energia renovável, transmissão e sustentabilidade, consolidando o Brasil como referência global em transição energética.

A aposta em projetos como o de Mococa evidencia a capacidade do país de aliar inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento econômico regional. Com a ampliação da bioeletricidade, o Brasil reforça sua posição entre as maiores potências mundiais em energia limpa, enquanto fortalece sua segurança energética frente a picos de demanda e variações climáticas.

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