Setor registra salto expressivo e consolida tendência de modernização das frotas empresariais, impulsionado por redução de custos, metas ESG e novas montadoras no país
O mercado brasileiro de veículos eletrificados segue em expansão acelerada e já começa a transformar o transporte comercial urbano. De janeiro a setembro de 2025, foram emplacados 1.642 veículos comerciais leves elétricos e híbridos plug-in, um aumento de 51% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registrados 1.086 emplacamentos, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
O crescimento é ainda mais expressivo quando se observa a curva de dois anos: 271% de avanço desde 2023, quando apenas 442 unidades haviam sido vendidas. O resultado reflete a consolidação da eletrificação das frotas corporativas, tendência que ganha força entre empresas de logística, distribuição e serviços que buscam eficiência energética e compromisso ambiental.
“A eletrificação das frotas corporativas começa a ganhar escala”
Para o presidente da ABVE, Ricardo Bastos, a mudança de paradigma já é perceptível dentro do ambiente empresarial. “A eletrificação das frotas corporativas começa a ganhar escala”, afirmou. “Essa é uma das principais tendências da mobilidade sustentável no país, e isso ficará cada vez mais nítido nos próximos meses.”
Ele complementa que o movimento não é apenas uma questão de inovação tecnológica, mas também de estratégia de negócios. “A mobilidade elétrica já começou a fazer parte das estratégias empresariais direcionadas à modernização de frotas e ao fortalecimento de cadeias logísticas mais limpas e inteligentes.”
De acordo com Bastos, a combinação de incentivos regulatórios, metas ambientais e novos modelos de negócio tem impulsionado essa transformação.
Eficiência e sustentabilidade atraem empresas
A adesão crescente aos comerciais leves eletrificados está fortemente ligada ao aumento da eficiência operacional e à redução dos custos com combustível e manutenção. Além disso, o movimento reforça as metas de ESG (Environmental, Social and Governance), que se tornaram parâmetro de competitividade entre corporações.
Um exemplo dessa articulação entre iniciativa privada e sustentabilidade é o programa e-Fast Brasil, liderado pelo WRI Brasil e apoiado pela ABVE. A iniciativa reúne empresas, montadoras, operadores logísticos e gestores públicos para fomentar soluções de mobilidade de carga descarbonizada nas cidades brasileiras.
A ABVE atua no projeto fornecendo dados, estudos e conexões estratégicas com o setor, contribuindo para acelerar a transição energética nas frotas corporativas.
Setembro mantém ritmo forte e amplia confiança do consumidor
O mês de setembro confirmou a trajetória de crescimento do mercado. Foram 21.515 veículos leves eletrificados emplacados (somando automóveis, SUVs e comerciais leves), uma alta de 6,4% em relação a agosto e de 62% frente a setembro de 2024.
O resultado foi impulsionado pela ampliação da oferta de modelos, pela melhoria da infraestrutura de recarga e pela maior confiança do consumidor nas tecnologias elétricas e híbridas. A participação de mercado dos eletrificados atingiu 9,3% das vendas totais de veículos leves, consolidando um novo patamar para o setor automotivo brasileiro.
Entre janeiro e setembro, 147.602 veículos eletrificados foram comercializados, crescimento de 20,4% na comparação anual.
Plug-in dominam mercado e novas montadoras ampliam competição
Os veículos plug-in (BEV e PHEV) representaram 76% das vendas de eletrificados no período, com 120.644 unidades. Esse grupo apresentou alta de 40% sobre o ano anterior, consolidando o predomínio das tecnologias com recarga externa.
A chegada de novas montadoras como Omoda Jaecoo, GAC, Geely e Zeekr, além da ampliação de portfólios por fabricantes tradicionais, como a General Motors, que lançou o Spark elétrico, vem aumentando a competição e democratizando o acesso à mobilidade elétrica.
Em setembro, os híbridos plug-in (PHEV) lideraram as vendas com 8.194 unidades (38%), seguidos pelos elétricos puros (BEV) com 8.169 unidades (38%). Já os híbridos convencionais e flex (HEV e HEV Flex) responderam por 24% das vendas, mantendo relevância em regiões com infraestrutura de recarga ainda em desenvolvimento.
Sudeste lidera, mas Nordeste e Centro-Oeste mostram força
A geografia da eletromobilidade no Brasil segue liderada pela região Sudeste, com 46,8% das vendas, impulsionada principalmente por São Paulo, que sozinho respondeu por quase um terço dos emplacamentos (31,8%).
No entanto, o avanço mais notável ocorre nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, que já somam 30% das vendas nacionais. Esse movimento reflete a interiorização da eletromobilidade, com novos polos de consumo em cidades como Brasília, Salvador e Goiânia.
Mobilidade elétrica corporativa: um caminho sem volta
Com o salto dos comerciais leves eletrificados, o Brasil se posiciona em um ponto de inflexão. O setor automotivo deixa de tratar a eletrificação como nicho e passa a enxergá-la como vetor estratégico de produtividade e inovação.
A tendência é que a renovação das frotas corporativas continue ganhando tração, acompanhada por incentivos estaduais, programas de recarga e parcerias público-privadas. Em um cenário de crescente pressão por sustentabilidade e eficiência, as empresas que aderem à eletrificação não apenas reduzem custos, mas também fortalecem sua imagem e competitividade.



