Novo formato reflete modernização institucional e maior eficiência no processo decisório, com queda expressiva no número de processos em tramitação
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a primeira ata de reunião pública não presencial de sua história, marcando um avanço importante no processo de digitalização e eficiência administrativa. A decisão, anunciada nesta semana, reflete uma mudança estratégica na condução das deliberações da autarquia, que regula e fiscaliza o setor elétrico brasileiro.
O novo modelo, que substitui parte das reuniões presenciais por sessões virtuais, foi acompanhado de uma redução significativa no tempo médio de deliberação, que passou de 110 para 80 dias, e da diminuição do estoque de processos de 700 em 2022 para cerca de 300 atualmente.
Eficiência e foco em temas complexos
De acordo com o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, as reuniões presenciais da diretoria colegiada serão mantidas apenas para os casos que exigem maior análise técnica e discussão aprofundada.
“As reuniões presenciais ficarão restritas a processos que exigem maior aprofundamento”, afirmou Feitosa.
Segundo ele, o novo formato foi possível graças à queda expressiva no número de processos acumulados, resultado de um esforço interno de otimização e digitalização de fluxos. A medida, além de acelerar decisões regulatórias, também reduz custos e amplia a transparência das deliberações da agência.
Modernização regulatória e digitalização
A adoção de reuniões não presenciais representa mais um passo da Aneel rumo à modernização de seus mecanismos de governança. Nos últimos anos, a agência tem investido em sistemas eletrônicos, plataformas de dados abertos e automação de processos internos, em linha com as diretrizes do governo federal para transformação digital da administração pública.
Especialistas apontam que a medida pode agilizar o andamento de processos sensíveis ao mercado, como revisões tarifárias, autorizações de empreendimentos e outorgas de geração distribuída, temas que exigem respostas rápidas diante das transformações em curso no setor elétrico.
Além de permitir maior celeridade na tomada de decisão, o novo modelo facilita o acesso de técnicos e representantes de agentes setoriais às discussões da diretoria, uma vez que os encontros virtuais podem ser acompanhados online sem a necessidade de deslocamentos físicos.
Impactos para o setor elétrico
A decisão da Aneel ocorre em um momento de intensa evolução tecnológica e regulatória no setor elétrico brasileiro. Com a expansão do mercado livre de energia, o avanço da geração distribuída solar e a digitalização das redes, a demanda por decisões regulatórias ágeis e precisas tem crescido de forma significativa.
Ao reduzir o tempo médio de análise de processos e ampliar a transparência de suas deliberações, a agência reforça seu papel como ente regulador moderno e responsivo, capaz de acompanhar o ritmo de transformação do sistema elétrico nacional.
O ganho de eficiência é especialmente relevante em temas como licitações de transmissão, revisões de tarifas e autorizações para novos empreendimentos, áreas que impactam diretamente a expansão da infraestrutura e a segurança energética do país.
Governança e previsibilidade
Com a implementação das reuniões não presenciais, a Aneel consolida um modelo de governança híbrido, no qual as sessões quinzenais presenciais serão dedicadas a processos de maior complexidade técnica, enquanto os casos mais simples e administrativos poderão ser deliberados virtualmente.
Essa combinação permite que a diretoria mantenha o foco em análises estruturantes, sem comprometer o ritmo das decisões de rotina. A iniciativa também atende a demandas históricas de previsibilidade regulatória e agilidade, pontos essenciais para investidores e agentes do setor elétrico que dependem das resoluções da Aneel para planejamento de médio e longo prazo.
Um marco na transformação institucional
A aprovação da primeira ata de reunião virtual da Aneel simboliza um marco na trajetória da autarquia, que se consolida como referência em modernização regulatória entre os órgãos do setor público federal.
A mudança não apenas simplifica processos internos, mas também reforça o compromisso da agência com transparência, eficiência e digitalização, pilares fundamentais para o fortalecimento da confiança dos agentes econômicos e da sociedade no modelo regulatório brasileiro.


