Projeto BeeVolt da EDP alia energia solar, preservação de abelhas e capacitação comunitária em Roseira (SP)

Iniciativa agrivoltaica completa um ano com 48 colmeias, gera renda e fortalece a biodiversidade local, integrando sustentabilidade ambiental e inclusão social

O projeto BeeVolt, desenvolvido pela EDP em parceria com a startup Bee2Be e a ONG Orientavida, completa um ano de atividades neste mês, coincidindo com o Dia Nacional de Preservação das Abelhas. A iniciativa agrivoltaica combina geração de energia solar com agricultura sustentável, utilizando as áreas da usina solar para abrigar colmeias de abelhas nativas sem ferrão.

O projeto começou com 20 enxames, cada um contendo cerca de 600 abelhas, e atualmente já contabiliza 48 colmeias, com previsão de atingir 100 até abril de 2026. Além de proteger espécies ameaçadas, o BeeVolt oferece capacitação e geração de renda para a comunidade local, promovendo educação ambiental e sustentabilidade socioeconômica.

Abelhas Mandaçaia: polinização e equilíbrio ecológico

O foco do projeto é a abelha nativa Mandaçaia (Melipona quadrifasciata anthidioides), espécie sem ferrão ameaçada de extinção. Consideradas principais agentes polinizadores, essas abelhas são responsáveis por cerca de 80% da reprodução das plantas da região de Roseira (SP), incluindo Guapuruvu, Angico, Timburí, Uvaia, Pitangueiras, Jabuticabeiras, Araçá e Assa-peixe. Estima-se que aproximadamente 630 hectares já tenham sido polinizados pelo projeto desde seu início.

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Vitor Costa, fundador da Bee2Be, reforça a importância ambiental da iniciativa. “Em tempos de mudanças climáticas, as abelhas tornam-se ainda mais relevantes. Como polinizadoras, garantem a regeneração de espécies vegetais nativas e fortalecem os ecossistemas. É por isso que esta colaboração com a EDP é tão valiosa: ao integrar a criação de abelhas sem ferrão às usinas solares, promovemos um efeito construtivo sobre o meio ambiente e o entorno social.”

Capacitação comunitária e geração de renda

O projeto também foca na inclusão social e capacitação. Em março de 2025, sete pessoas da região foram treinadas em meliponicultura, manejo de colônias, confecção de ninhos-isca, biologia das abelhas sem ferrão e legislação sobre meliponários. Entre os participantes, estavam mulheres em situação de vulnerabilidade social e indivíduos neurodivergentes.

Quatro colmeias foram direcionadas à ONG Orientavida, onde atualmente já existem nove enxames. A expectativa é que, nos próximos meses, a comunidade comece a gerar renda por meio da venda de mel e geoprópolis, fortalecendo a economia local.

Dominic Schmal, diretor de ESG da EDP na América do Sul, comenta. “O projeto une preservação ambiental e transformação social, reforçando o compromisso da empresa com o desenvolvimento das comunidades onde está presente e com a transição energética justa. Trata-se de uma usina solar que beneficia a comunidade em diferentes esferas, seja por meio da geração de energia renovável, da proteção e incremento à biodiversidade da região e, também, pela conscientização, educação ambiental e geração de renda.”

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Usina solar social: energia renovável para famílias

O BeeVolt está instalado na Usina Solar de Roseira, inaugurada em fevereiro de 2024 com capacidade de 75 kW, suficiente para abastecer cerca de 154 famílias na Favela dos Sonhos, em Ferraz de Vasconcelos (SP), por meio de crédito na conta de energia.

Entre março de 2024 e agosto de 2025, as famílias economizaram mais de R$ 110 mil, com investimento da EDP superior a R$ 500 mil, em parceria com a ONG Gerando Falcões.

Alinhamento global e replicabilidade

O BeeVolt integra o programa global Y.E.S. (You Empower Society), que abrange mais de 500 projetos de responsabilidade social da EDP em diversos países. Projetos semelhantes já são realizados em Portugal, como o Solar Solidário no bairro da Cova da Moura, em Lisboa, que fornece energia solar e eletrodomésticos eficientes a famílias em situação de vulnerabilidade.

A iniciativa demonstra como a energia solar pode gerar impactos além da eletricidade, integrando sustentabilidade ambiental, educação e geração de renda, servindo como modelo de replicabilidade para outras comunidades no Brasil e no mundo.

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