Estudo lançado no 1º Congresso Brasileiro de Minas e Energia mostra iniciativas estaduais que unem inovação, sustentabilidade e inclusão social, reforçando o papel dos governos locais na descarbonização da matriz energética
A transição energética brasileira, frequentemente associada a grandes políticas nacionais, ganha um novo capítulo com a apresentação do “Levantamento de Projetos e Iniciativas Estaduais voltadas à Transição Energética”, lançado pela FGV Energia, em parceria com o Fórum Nacional dos Secretários de Minas e Energia (FNSME).
O estudo foi divulgado em 22 de setembro de 2025, durante a abertura do 1º Congresso Brasileiro de Minas e Energia (CBME), realizado na Casa da Energia da Eneva, em Brasília. O evento reuniu autoridades, representantes institucionais e especialistas, colocando em evidência o protagonismo dos estados no avanço da agenda energética.
Diversidade de iniciativas e impactos regionais
O levantamento identificou 15 projetos estratégicos conduzidos por governos estaduais. Esses programas dialogam com o Plano Nacional de Energia 2050 (PNE 2050), o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, consolidando-se como referências de inovação e sustentabilidade.
De acordo com os dados, 46,7% das iniciativas estão voltadas às energias renováveis, enquanto 20% apostam no gás natural como vetor de transição. O estudo ainda aponta projetos em áreas como eficiência energética, eletrificação rural, biocombustíveis e mineração sustentável.
Esses programas não se limitam ao viés ambiental: também geram impactos sociais significativos, como inclusão produtiva em comunidades isoladas, qualificação profissional e novas oportunidades de emprego e renda.
Exemplos regionais que inspiram
A abrangência geográfica e temática do levantamento demonstra como os estados buscam soluções adaptadas às suas realidades socioeconômicas. Entre os destaques:
- Norte: o Atlas Solar do Amapá impulsiona o mapeamento do potencial energético da região; já o Amazonas aposta no gás natural para reduzir a dependência de termelétricas no interior.
- Nordeste: o Maranhão investe na biorrefinaria de bambu, Sergipe cria um hub de hidrogênio verde e Pernambuco substitui a lenha por gás natural no polo gesseiro do Araripe, reduzindo a pressão sobre a Caatinga.
- Centro-Oeste: o Ilumina Pantanal, em Mato Grosso do Sul, leva energia solar a famílias em áreas remotas, enquanto Goiás investe na produção de biometano para o setor agroindustrial.
- Sudeste: o Rio de Janeiro aposta em corredores sustentáveis para transporte pesado movido a gás e biometano; São Paulo, por sua vez, fortalece a infraestrutura de gasodutos para biometano em Presidente Prudente.
- Sul: programas como o Paraná Trifásico e o Energia Forte no Campo modernizam a rede elétrica rural, enquanto Santa Catarina promove a competitividade industrial com foco em eficiência energética e fontes limpas.
Um guia estratégico para políticas públicas
Segundo a FGV Energia, o levantamento não tem apenas caráter descritivo, mas também estratégico. O objetivo é servir como instrumento de apoio às políticas públicas, estimulando a replicação de modelos bem-sucedidos em diferentes regiões.
Ao sistematizar essas iniciativas, a instituição reforça seu papel de conectar conhecimento técnico à tomada de decisão, estimulando a cooperação federativa e o engajamento do setor privado.
O estudo mapeou 15 projetos, sendo 3 concluídos, 1 em fase de contratação e 11 em execução. A maior parte deles dialoga diretamente com as metas de neutralidade de carbono e de modernização do setor energético brasileiro.
Um passo além na descarbonização
O relatório apresentado no CBME 2025 confirma que a transição energética no Brasil não é apenas uma diretriz federal, mas também um movimento que se consolida em nível estadual. A diversidade de projetos reforça a busca por soluções regionais, alinhadas tanto às necessidades locais quanto aos compromissos climáticos internacionais.
Com isso, os estados brasileiros se consolidam como protagonistas no desafio de construir uma matriz energética mais limpa, resiliente e inclusiva.



