Associação reforça papel estratégico das biomassas na segurança energética e na descarbonização, em ano marcado pela COP-30
A Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen) defendeu, em sua contribuição à Consulta Pública nº 194 do Ministério de Minas e Energia (MME), a inclusão das usinas termelétricas a biomassa no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026. A proposta surge em um momento crucial para o setor elétrico, às vésperas da COP-30, que será realizada em novembro, em Belém.
Segundo a entidade, a exclusão das biomassas na nota técnica do MME, por ter considerado apenas a geração de energia elétrica a partir do biodiesel, não justifica barrar todas as demais fontes de biomassa. Entre elas estão etanol, bagaço de cana-de-açúcar, B100, biogás, biometano, licor negro, lenha, resíduos florestais, resíduos sólidos urbanos, capim-elefante e casca de arroz.
Biomassa como energia firme e confiável
Na avaliação da Cogen, a reinserção das biomassas no LRCAP é essencial para diversificar a matriz elétrica brasileira com uma fonte que, além de renovável, garante potência firme ao sistema.
“As termelétricas a biomassas fornecem energia elétrica de forma firme, resiliente e confiável ao setor elétrico brasileiro, de forma a já prover potência elétrica ao Sistema Interligado Nacional”, argumenta a associação.
Além de atender às demandas por segurança energética, a Cogen destaca que a fonte contribui para uma política setorial mais consistente, trazendo benefícios à matriz elétrica brasileira.
“Trata-se também de uma fonte de energia renovável, de modo que o fomento ao fornecimento de potência a partir das biomassas traz uma série de benefícios à matriz elétrica e à sociedade brasileiras. A proposta da Cogen procura estimular a consolidação das termelétricas a biomassas nos Leilões de Reserva de Capacidade, desenhando uma política setorial mais focada nesse tipo de termelétrica renovável, com produtos independentes das termelétricas não renováveis”, completa a entidade.
Sinal estratégico antes da COP-30
O presidente executivo da Cogen, Newton Duarte, ressalta que a decisão do governo em incluir as biomassas enviaria um recado importante ao mundo, em ano em que o Brasil sediará a COP-30.
“A valorização da geração de potência elétrica a partir de fontes renováveis é um exemplo concreto de descarbonização do Brasil”, afirma Duarte.
Ele explica que a medida vai além da segurança energética, fortalecendo também a posição estratégica do país no cenário global como referência mundial em bioenergia.
“Além de consolidar a segurança eletroenergética interna com uso de fontes renováveis, algo que é preconizado pelos órgãos de planejamento setorial, essa medida é fundamental para reforçar o papel do país como referência mundial em bioenergia, evitando emissões de gases de efeito estufa, dinamizando a indústria local e estruturando uma oferta de projetos mais próximos à carga”, complementa o executivo.
Flexibilidade operativa e eficiência técnica
Outro ponto defendido pela Cogen diz respeito à inserção de parâmetros de flexibilidade compatíveis com as características das usinas a biomassa. O diretor de Tecnologia e Regulação da associação, Leonardo Caio Filho, explica que o modelo dessas plantas exige condições específicas de operação.
“Tratam-se de unidades geradoras com caldeiras e turbinas a vapor, equipamentos que precisam de rampas de acionamento e desligamento adequadas”, afirma o executivo.
Segundo ele, a definição de regras alinhadas à realidade operacional permitirá ampliar a oferta de potência elétrica proveniente de térmicas a biomassa, garantindo confiabilidade ao sistema sem comprometer a eficiência.
LRCAP 2026 em debate no 9º Fórum Cogen
O 9º Fórum Cogen – Desafios e Oportunidades para o Mercado de Cogeração, marcado para 2 de outubro no Hotel Grand Hyatt São Paulo, terá como um de seus principais temas o LRCAP 2026.
O encontro reunirá empresários, autoridades governamentais e especialistas para debater o futuro da cogeração, da bioenergia e do gás natural. “Nosso objetivo, com esse evento, é reunir empresários, autoridades governamentais e outros agentes do mercado para analisar os desafios e oportunidades dos setores elétrico, de bioenergia e de gás natural. E o LRCAP 2026 tem papel crucial para o futuro energético do País”, afirma Newton Duarte.
O dirigente também destacou o impacto da cogeração com biomassa na gestão hídrica. “Nossa ideia é debater soluções de forma propositiva, visando contribuir com propostas para desenvolver o mercado de cogeração no Brasil, que é uma das formas mais competitivas e eficientes de se produzir energia e poupar água dos reservatórios das hidrelétricas. Cabe ressaltar que a cogeração com as biomassas poupa, em média, 15 pontos percentuais dos reservatórios dos subssistemas SE/CO”, reforça.
A programação do fórum contará ainda com nomes de peso do setor, como Thiago Prado, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), além de líderes empresariais e representantes de associações nacionais e internacionais.
Energia renovável como vetor de competitividade
A defesa da Cogen insere-se em um contexto em que o Brasil busca ampliar a competitividade do setor elétrico e, ao mesmo tempo, reforçar sua liderança global em bioenergia. As biomassas, com potencial para garantir energia firme, flexível e sustentável, podem desempenhar papel decisivo na transição energética do país.
Com o LRCAP 2026, abre-se a oportunidade para alinhar segurança energética, desenvolvimento econômico e compromissos climáticos, em linha com os debates globais que terão palco na COP-30.



