Brasil reforça protagonismo nuclear em conferência dos BRICS e propõe financiamento via Banco do grupo

Presidente da ABDAN, Celso Cunha, defende expansão de reatores modulares (SMRs), padronização internacional e investimentos que acelerem a meta de 800 GW em energia nuclear até 2025

O Brasil reafirmou seu compromisso com a expansão da energia nuclear durante a BRICS Nuclear Platform Annual Conference, realizada nesta sexta-feira (26) dentro da World Atomic Week. Representando o país, o presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Atividades Nucleares (ABDAN), Celso Cunha, destacou o potencial estratégico da tecnologia para a matriz energética e defendeu novas formas de cooperação internacional.

Segundo Cunha, a participação do Brasil no encontro reforça o alinhamento com as metas do grupo, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, em um momento de crescente busca por fontes limpas, seguras e de baixa emissão de carbono.

Avanços na cadeia de suprimentos e novas tecnologias

Durante seu discurso, Celso Cunha ressaltou que a atuação conjunta dos países do BRICS já trouxe resultados concretos, como o fortalecimento da cadeia de suprimentos nuclear no Brasil e a ampliação de debates estratégicos sobre novas tecnologias.

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“A cooperação entre os países do grupo já resultou no fortalecimento da cadeia de suprimentos nacional e na ampliação de debates estratégicos, especialmente em torno das novas tecnologias, como os Reatores Modulares Pequenos (SMRs)”, afirmou.

Os SMRs são considerados uma das principais apostas para o futuro da energia nuclear. Por serem mais compactos e modulares, permitem implantação mais rápida, flexibilidade operacional e custos reduzidos em comparação às usinas tradicionais, além de maior segurança em seu funcionamento.

Padronização internacional e financiamento via Banco do BRICS

Cunha também defendeu que a produção nuclear siga padrões internacionais, de modo a garantir segurança e eficiência.

“O presidente da ABDAN também defendeu a padronização da produção em consonância com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a busca de mecanismos de financiamento junto ao Banco de Desenvolvimento do BRICS”, destacou a entidade.

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O apoio financeiro do Banco do BRICS é visto como peça-chave para viabilizar novos projetos nucleares, especialmente os que envolvem os Reatores Modulares Pequenos, cuja adoção depende de investimentos significativos em pesquisa, desenvolvimento e infraestrutura.

Representatividade política e institucional

A delegação brasileira contou ainda com a presença do deputado Júlio Lopes, presidente da Frente Parlamentar Mista da Tecnologia e Atividades Nucleares, e de Leandro Xingó, representante da ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional).

A participação de representantes políticos e institucionais demonstra o interesse do governo brasileiro em fortalecer o setor, alinhando indústria, pesquisa e políticas públicas.

Meta global de 800 GW e protagonismo da juventude

Um dos destaques da conferência foi a meta estabelecida pelos países do BRICS de atingir 800 gigawatts (GW) de geração nuclear até 2025, reforçando o compromisso do bloco com a transição energética e a redução das emissões de carbono. Além disso, o evento destacou o protagonismo da juventude no desenvolvimento de novas soluções e a necessidade de criar modelos de financiamento que garantam a sustentabilidade dos projetos.

“Esta plataforma oferece uma oportunidade única de alinhar capacidades técnicas, industriais e apoio governamental. O Brasil está preparado para seguir contribuindo de forma decisiva nesse processo”, afirmou Celso Cunha, ao reafirmar o compromisso da ABDAN com a cooperação internacional no setor nuclear.

Brasil no caminho da liderança nuclear

A participação brasileira na conferência reforça a ambição do país em ser um dos protagonistas da nova era da energia nuclear, tanto no desenvolvimento tecnológico quanto na construção de políticas que favoreçam a expansão de fontes limpas e estáveis. A presença de autoridades e representantes do setor privado sinaliza que o Brasil busca não apenas acompanhar, mas liderar projetos estratégicos no bloco.

Com a meta de 800 GW em vista, a colaboração entre países do BRICS e o apoio do Banco de Desenvolvimento do grupo podem abrir caminho para novos investimentos em infraestrutura nuclear, consolidando a tecnologia como peça fundamental na transição para uma matriz energética global mais sustentável.

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