Crescimento da carga e afluências abaixo da média histórica reforçam atenção à gestão dos reservatórios hidrelétricos
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou nesta sexta-feira sua projeção para a carga de energia elétrica no Brasil no mês de outubro, estimando um aumento de 2,5% em relação ao mesmo período de 2024, atingindo 83.803 megawatts (MW) médios. O crescimento reflete a recuperação gradual da atividade econômica e o aumento da demanda residencial e industrial.
O cenário aponta para a necessidade de monitoramento mais atento por parte do setor elétrico, especialmente considerando o comportamento esperado das hidrelétricas, responsáveis por mais de 60% da capacidade instalada do país.
Chuvas abaixo da média: atenção aos reservatórios
Segundo o boletim do ONS, as chuvas que alimentarão os reservatórios das hidrelétricas devem ficar abaixo da média histórica em todos os subsistemas do país. As projeções indicam afluências de:
- Sudeste/Centro-Oeste: 65% da média histórica
- Sul: 95% da média
- Nordeste: 51% da média
- Norte: 57% da média
O alerta é relevante porque o Sudeste/Centro-Oeste, principal região de armazenamento de energia do Brasil, concentra cerca de 70% da capacidade útil dos reservatórios. De acordo com o ONS, os níveis desses reservatórios devem atingir 48% da capacidade ao final de outubro, mantendo-se abaixo da média histórica para este período.
O Operador destaca que níveis reduzidos podem exigir ajustes na operação das hidrelétricas e aumento do uso de fontes complementares, como usinas térmicas a gás ou diesel, para garantir a segurança do fornecimento.
Impactos sobre o setor elétrico e consumidores
A combinação de aumento da carga e afluências abaixo da média histórica reforça a necessidade de planejamento estratégico. Como explica o ONS, “o cenário indica que a operação do sistema deve priorizar o uso eficiente da água armazenada nos reservatórios, de forma a evitar riscos de déficit energético e garantir atendimento seguro à demanda”.
Em termos práticos, isso significa que gestores e geradores terão que equilibrar a produção hidrelétrica com fontes térmicas, garantindo que o sistema continue estável mesmo diante de chuvas insuficientes. Para o consumidor final, os efeitos podem ser sentidos na tarifa de energia se houver necessidade de acionamento frequente de térmicas, que possuem custos mais elevados.
Preparação para o período seco
O alerta do ONS também serve como preparação para o período seco, tradicionalmente iniciado em outubro no Sudeste e Centro-Oeste. Com a estiagem, a gestão eficiente dos reservatórios se torna ainda mais crítica para evitar racionamento e garantir confiabilidade no fornecimento elétrico.
Especialistas do setor energético recomendam monitoramento contínuo e adoção de medidas preventivas, incluindo maior flexibilidade operacional e investimentos em armazenamento e transmissão, para lidar com a variabilidade hídrica.
Cenário nacional e perspectivas
Apesar dos desafios, o ONS reforça que o sistema elétrico brasileiro mantém níveis de robustez e segurança operacional, graças à diversidade de fontes de energia e à capacidade de integração entre regiões. No entanto, a expectativa de chuvas abaixo da média e o aumento da carga reforçam a importância de planejamento coordenado e resposta rápida a variações de demanda e afluência.



